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Sexta-feira, 10 de outubro, um grupo de professoras da D. Sancho desagua em S. Miguel de Seide, numa tarde soalheira, e foi ao encontro de Camilo – o portão de sua casa estava aberto… Aceitaram o convite para os Primeiros Encontros. E foram: sempre com Camilo ao lado, calcorrearam os lugares que a sua narrativa trilha, dizendo-lhes: “Aqui tem o leitor…” Landim, Abade de Vermoim, Ruivães… Seide… e as personagens respiraram esta mesma brisa tépida outonal. Foi uma viagem ao interior do imaginário factual de Camilo, à sua intrépida vontade de metamorfosear o incrível em verosímil – uma viagem, um roteiro por terras de Famalicão: “Estamos no Minho”. E em Seide continuou o grupo, envolto pela noite e pela presença de Ana Plácido, a qual promoveu um serão em torno da poesia – sua e de Camilo. Ivo Machado melodiou os versos placidamente ao som da guitarra de Carneiro e da voz troante do Sousa. A valsa aconchegou as almas na noite minhota. E o Sr. Visconde lembrou que o encontro só terminava no dia seguinte.

Sábado, 11 de outubro. O largo pululava de gente que ladeava o pedestal: após uma ausência, este aguardava a recolocação do busto do escritor, o de 1924, mas agora restaurado…e ouviu palavras honrosas dos altos dignatários da edilidade. Afinal, celebrava-se os 150 anos da fixação de Camilo nesta terra e a escrita de Amor de Salvação. Camilo estava ufano na polidez do bronze etéreo. Mais envaidecido ficou quando o grupo foi informado que as comunicações iriam começar e logo apressou toda a gente a entrar na sua segunda casa. As professoras, sempre acompanhadas por Camilo, absorveram as intervenções de todos os oradores, as quais foram diversas, algumas inesperadas, mas todas enriquecedoras e de altíssima qualidade, atestando o poliedro camiliano – as professoras percebiam o quanto Camilo cofiava o seu farto bigode, implodindo de vaidade perante as abordagens díspares que a sua pessoa e a sua obra provocava nos ilustres oradores. Ademais, veio a Banda da Vila abrilhantar e solenizar o momento… iria ser apresentada uma obra (mais uma) sobre si, desta feita de Eduardo Lucena, Calvário e Glória de Camilo… e também se inaugurou uma exposição inédita de fotografia, Espaços da vida e da ficção camiliana em Vila Nova. As professoras enfatizavam o inédito, o “muito boa, sem dúvida, muito didática” e Camilo sussurrava-lhes que, mesmo com aqueles óculos a 3D, iria ter sucesso…

A tarde esfumava-se, as professoras procuravam Camilo. Queriam dizer-lhe o quanto descobriram, redescobriram, medraram e aprenderam sobre a sua narrativa. Estavam, como profissionais do ensino, preocupadas em se munirem / apoderarem de mais informação sobre ele, autor contemplado nos novos programas de Português, em serem detentoras de um suporte mais sólido sobre a vasta obra camiliana. Do outro lado da estrada, as luzes estavam acesas, o grupo passou a estrada. Lá estava Camilo, mais vaidoso que nunca: “De partida? Gostaram do teatro? E do almoço?… Creio que para o ano temos que marcar os Segundos Encontros…”

A despedida no largo foi testemunhada pela casa amarela.

Maria da Glória Silva, professora de Português
Escola Secundária D. Sancho I

 

 

 

 

Memórias

«Nesta Samardã passei eu os descuidos e as alegrias da infância, na companhia da minha irmã, que ali casou, e aquele padre António de Azevedo, alma de Deus, missionário fervoroso, que me podia ensinar tanto latim, tanta virtude, e só me ensinou princípios de cantochão, os quais me serviam de muito para as acertadas apreciações que eu fiz depois das primas-donas. Bem se via que eu tinha a prenda. Aquele santo homem ignora que eu escrevo novelas, nem cuida que a humanidade gaste o seu dinheiro e tempo a ler histórias estranhas à salvação.»

(In Memórias do cárcere)

 

 

Pensamento da semana

«O homem tem mais amor à vida que à honra.»
(In Novelas do Minho)

 

José Caldas

«Mas o principal do meu silêncio era achá-lo rebelde a todo o género de dialéctica. Nele tudo era ímpeto, arranque, formas variáveis e inconsistentes do seu temperamento, o qual, no fundo, tinha uma raiz única nos seus sentimentos de amor e paixão.»

José Caldas

 

Pensamento da semana

«Um filho é o complexo de todos os amores do céu e da terra. O Altíssimo, quando quer interpor um elo entre si e a mulher, dá-lhe um filho.»
(In Vinte horas de liteira)

 


Nos 1.os Encontros Camilianos de São Miguel de Seide foi apresentada por João Bigotte Chorão a
obra “Calvário e Glória de Camilo”, de Eduardo Sucena. Uma biografia de Camilo Castelo Branco, elaborada a partir das mais recentes investigações sobre a vida e a obra do mestre.

 

Mário de Carvalho vence a 22.ª edição do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, com a obra “A liberdade do pátio”.
É a segunda vez que o autor é distinguido, já em 1991 vencera este prémio, atribuído pela Câmara Municipal de Famalicão e pela Associação Portuguesa de Escritores.
O anúncio do prémio foi feito no dia 2 de outubro de 2014, no escritório de Camilo Castelo Branco, em S. Miguel de Seide.

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