Feeds:
Posts
Comentários

No próximo dia 27 de Novembro, pelas 21h30, a Casa de Camilo recebe Manuel Sobrinho Simões, um dos cientistas portugueses mais conhecidos fora da comunidade científica. Director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, é um dos maiores especialistas mundiais em cancro da tiróide.
Sobrinho Simões é o convidado da iniciativa “Um Livro, Um Filme”, que decorre nas últimas sexta-feiras de cada mês e tem como objectivo a apresentação de um filme que tenha um significado especial para o convidado e que preferencialmente seja adaptado de uma obra literária.
Neste âmbito, “Culpa Humana” de Robert Benton, com Anthony Hopkins e Nicole Kidman, é o filme escolhido por Sobrinho Simões. Baseado no excelente romance de Philip Roth “A Mancha Humana”, a película é uma viagem pela ambição, individualismo, fraude e nostalgia do amor, que ensaia as regras da identidade e independência, raça e preconceito, brutalidade e ternura ao estilo americano.

Manuel SOBRINHO SIMÕES

Nasceu no Porto em 8 de Setembro de 1947. Licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) em 1971 e doutorou-se nessa Faculdade, em 1978, com uma Tese sobre Cancro da Tiróide. Fez o pós-doutoramento em 1979/80 em Oslo, no Instituto de Cancro da Noruega. É, desde 1990, Professor Associado de Patologia e Biologia Celular da Faculdade de Medicina da Thomas Jefferson University, Filadélfia, E.U.A. Preside desde a sua fundação, ao Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto. Organizou e dirigiu o Mestrado de Oncobiologia da FMUP de 1990 a 1996 e co-coordena desde essa data o Programa Doutoral em Biomedicina da U. Porto (Programa GABBA). Co-organizou e dirige o Programa Doutoral em Medicina e Oncologia Molecular da U.Porto. Foi co-autor de mais de 300 publicações científicas em revistas internacionais de patologia humana e oncologia e de 24 livros e capítulos de livros que deram origem a mais de 6000 citações. Pertence ao Comité Editorial de 13 revistas internacionais de Patologia, Oncologia e Endocrinologia. Presidiu à Sociedade Europeia de Patologia (SEP) de 1999 a 2001, depois de ter sido Secretário-Geral de 89 a 97. É membro Honorário de várias Academias e Sociedades Científicas Europeias, Americanas e Asiáticas. Prémio Bordalo Ciência – 1996, Prémio Seiva – 2002 e Prémio Pessoa – 2002. Medalha de Ouro de Arouca e Porto e Medalha de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa e da Ordem dos Médicos; Grande Cavaleiro da Ordem Real da Noruega e Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Actualmente é Professor Catedrático na FMUP, Chefe de Serviço no Hospital de S. João, Director do IPATIMUP e Vice-Presidente da Direcção do Health Cluster Portugal.
Gabinete de Imprensa da
Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
19 de Novembro de 2009

morte de camilo

quando camilo deu, como então diziam os românticos
afectando o maior desprezo pelo corpo, um tiro
nos miolos, o projéctil furou muitos milhares de páginas
que ele, na cegueira, já não conseguia ler, mas

guardava na cabeça. elas entraram assim em contacto,
umas com as outras, as dele e muitas mais, por esse
novo canal aberto pela bala. no exacto momento
da sua morte, tintas de sangue e dor insuportável,

ele deve ter reconhecido semelhanças e perdições,
reencontrado personagens e experiências
amarguradas a jorrarem, de súbito presentes,
deve ter entrevisto paisagens, rostos, torpezas, ironias,

intensidades próprias e alheias. camilo deve tê-las percorrido,
à velocidade do raio, numa fracção de segundo,
como numa espécie de nova ars combinatoria,
e compreendido as negras molas reais de tudo. nós só

não sabemos se então ainda lamentou já não poder
escrever esses enredos possíveis, fulgurantes numa prosa
cada vez mais dominada, mas que, como sempre, da paixão
incontrolada e da morte e de rápidos traços se nutriam.

Vasco Graça Moura
Poemas com Pessoas,
in Poesia 1997/2000,
Lisboa : Quetzal, 2000. p. 132.

A vida pública e particular do tribuno novecentista José Cardoso Vieira de Castro esteve em debate no 1.º Encontro do Ermo, que se realizou a 10 de Outubro, na Quinta do Ermo, sita em S. Vicente de Paços, no município de Fafe, e que contou com a participação de cerca de uma centena de pessoas oriundas de várias localidades do norte do país.
As boas vindas aos participantes foram dadas pelo anfitrião e proprietário da Casa do Ermo, Eng.º Lourenço Castro, co-organizador do evento, e pelo Vereador da Cultura da Câmara de Fafe, Dr. Antero Fernandes.
A iniciativa prosseguiu com um momento musical, concretizado na execução por Nelson de Quinhones, da peça para piano “Souvenirs de Fafe”, da autoria do conhecido compositor Arthur Napoleão, a qual foi originalmente dedicada ao Comendador fafense Albino de Oliveira Guimarães, grande amigo de José Cardoso Vieira de Castro.
Seguiram-se três comunicações: “Vida e Obra de José Cardoso Vieira de Castro”, por Artur Coimbra; “José Maria de Almeida Garrett – O Bom Vilão”, por José Manuel Martins Ferreira e “ Henriqueta Couceiro – a amante de Vieira de Castro”, por Manuel Tavares Teles.
O evento integrou, ainda, uma exibição de jogo do pau a cargo da Sociedade de Recreio Cepanense, e finalizou com um verde de honra para todos os convidados.
José Cardoso Vieira de Castro foi proprietário da Casa do Ermo, local onde o romancista Camilo Castelo Branco, fugido à justiça, se refugiou em 1860, quando Ana Plácido foi pronunciada e presa por crime de adultério na Cadeia da Relação do Porto.

Pensamento da semana

“Tolera mais facilmente a saudade o coração feliz e seguro da leal remuneração de quem ama.”
(In A Sereia)

Gran Torino

Clint Eastwood volta, aos 79 anos e depois de uma paragem de quatro sobre o Billion Dollar Baby, a realizar, produzir e interpretar um filme que, do meu ponto de vista pessoal, é uma das suas melhores obras. A coadjuvá-lo tem dois dos seus filhos Scot e Kyle. A história é duma imensa simplicidade e talvez resida aí a sua grande força. Walt Kovalsky é um veterano da guerra da Coreia, de origem polaca, aposentado da Ford, que perdeu recentemente a mulher. Vive sozinho com a sua cadela Daisy – uma Labrador Retriever -, tem mau feitio e os filhos praticamente ignoram-no, porque desejam interná-lo num lar para idosos.
Duro e de difícil relacionamento, vive num bairro onde antes havia uma classe média de trabalhadores brancos, mas que agora é dominado por asiáticos pobres e gangues violentos.
É neste contexto que Walt vai aprender aquilo que a vida, antes, parece não lhe ter ensinado: que todos somos seres humanos que precisamos uns dos outros, independentemente da raça, do credo ou da forma de vida.
É também um filme sobre a solidão, a honra, a fidelidade aos valores em que acreditamos e às marcas que a guerra deixa naqueles que para ela vão. E é, não haja qualquer dúvida, um hino ao amor do próximo!
Helena Sacadura Cabral
Lisboa, 24 de Setembro de 2009

Pensamento da semana

“Tomar a sério a sociedade é endoudecer”.
(In Cenas Contemporâneas)

Pensamento da semana

“Um gato brinca com a ratazana; mas se é cão o inimigo, o gato crava-lhe as unhas nos gorgomilos, e não brinca.”
(In O Regicida)

Camilo Castelo Branco na releitura intertextual de autores portugueses contemporâneos foi o título da comunicação apresentada pelo Prof. Dr. José Cândido de Oliveira Martins no 8.º Congresso Internacional da Associação Alemã de Lusitanistas – Deutscher Lusitanistenta, na Universidade de Munique (Luwig Maximilians Universität, München), de 3 a 5 de Setembro 2009.
O conteúdo dessa intervenção de síntese teve estas ideias principais: a vida e a obra de Camilo Castelo Branco constituíram-se como tema recorrente em vários autores portugueses contemporâneos: Aquilino Ribeiro, Teixeira de Pascoaes, Agustina Bessa-Luís, Luiz Francisco Rebelo, Mário Cláudio, entre outros. Em vários géneros literários (biografia, romance ou teatro), diversos escritores revisitam a figura e a criação camilianas. Assim, é muito interessante reflectir sobre os sentidos e as orientações desse diálogo intertextual com um autor canónico do séc. XIX, cuja recepção tem sido objecto de alguns “clichés” bastante redutores.
Independentemente de existir uma tendência marcada ou uma genealogia de escritores camilianos ao longo do séc. XX, essa recorrência temática parece comprovar a mitificação de que a vida e a obra de Camilo foram alvo, numa espécie de culto feito de admiração e de homenagem; mas também de um certo diálogo tenso e de distanciamento crítico. No cômputo geral, nesses e noutros autores contemporâneos sobressai uma escrita eminentemente intertextual, que reinterpreta Camilo e a sua obra, propondo várias leituras interpretativas. Essa continuada recepção é uma das formas de sublinhar o lugar central de Camilo no cânone da literatura portuguesa.

O realizador chileno Raoul Ruiz inicia em Novembro a rodagem do filme Mistérios de Lisboa, a partir da obra homónima de Camilo Castelo Branco, anunciou recentemente o produtor Paulo Branco.
O elenco será internacional e integrará nomes como Rogério Samora, Filipe Duarte, Maria João Bastos, Adriano Luz, Laetitia Casta, Melvil Poupaud, Ivo Canelas, São José Correia, Marco d’ Almeida, Ana Bustorff  e Rui Morrison. De acordo com a produtora Clap Filmes, está ainda em negociações a participação da actriz francesa Marion Cotillard, premiada com um Óscar por “La vie en rose” e que está actuamente em cartaz com “Inimigos Públicos.
O filme será rodado sobretudo em Lisboa, mas estão previstas gravações também no Brasil e em França. A produção prolongar-se-á até Setembro de 2010, já que Raoul Ruiz irá rodar não só uma longa metragem como também uma mini-série televisiva a partir da mesma obra de Camilo Castelo Branco.
O argumento é de Carlos Saboga, autor que assinou os argumentos de Jaime, O Milagre Segundo Salomé, Adeus Proncesa, O lugar do morto ou Aqui d’el Rei.
Esta não é a primeira vez que Raoul Ruiz escolhe Portugal para filmar, tendo rodado filmes como A ilha do tesouro (1985) e Fado mayeur et mineur (1994). Ruiz e Paulo Branco trabalharam já em várias produções, como Klint (2006), Aquele dia (2003), Combate de amor em sonho (2000), O Tempo Reencontrado (1999) e Genealogias de um crime (1997).
In Diário do Minho, 30.08.2009


Um amor de perdição
, do realizador Mário Barroso, é o candidato que Portugal propõe para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, segundo anunciou a produtora Clap Filmes.
O Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) propõe todos os anos junto da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos um candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. A escolha é feita considerando todos os filmes estreados em Portugal entre Outubro do ano transacto e Setembro do ano seguinte.
Na fase de pré-seleccção, todos os países interessados apresentam uma candidatura, escolhendo depois a Academia os cinco candidatos ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro a partir do conjunto total de filmes apresentados.
Esta é a segunda vez que o ICA pré-candidata um filme do realizador Mário Barroso – em 2004, sucedeu o mesmo com O Milagre Segundo Salomé. Em Um Amor de Perdição, o cineasta adaptou de uma forma livre o romance homónimo de Camilo Castelo Branco , centrando o drama numa relação amorosa adolescente contemporânea.
A banda sonora é da autoria de Bernardo Sasseti, destacando-se no elenco de artistas Tomás Alves, Catarina Walleinstein, Virgilio Castelo, Ana Moreira, Ana Padrão e Rui Morrisson.

Mensagens Antigas »