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Funchal

«À entrada do inverno de 1680, o provincial dos frades menores impôs por obediência a frei António de Cristo que passasse a residir, enquanto sua saúde se não restaurasse, no convento de S. Francisco da Observância na cidade do Funchal. Por amor do temperado clima da Madeira, era aquele convento a enfermaria dos frades da metrópole, achacados de enfermidades de peito.»

(In O Santo da montanha)

 

 

Guiomar Torrezão

«Quantos escritores de primeira ordem escrevem em Portugal como V. Excia.?
Quem lhe pode dar exemplos de elegância de estilo, de profundeza e variedade de ideias indicativas de leitura vasta e metódica?
Cada novo livro de V. Excia. é um aperfeiçoamento que vai justificando os vaticínios dos que leram as suas estreias brilhantes.»
(Camilo Castelo Branco)

Pensamento da semana

«O homem tem mais amor à vida que à honra.»
(In Novelas do Minho)

 

«Camilo Castelo Branco é, sem dúvida, um dos vultos mais singulares da nossa galeria romântica. Tornou-se mesmo a personagem romântica típica, modelo sugestivo das loucuras e desgraças desse período.

Atingido pelos mais duros golpes que podem agitar e ferir um coração de homem; lançado em luta impiedosa contra um destino adverso; vítima do seu desequilíbrio, que nunca lhe permitiu instalar-se num bem-estar duradoiro; abalado por um temperamento sem freios, que exigia sempre novas sensações, novas dores, novos combates – a vocação literária presidiu sempre, no entanto, aos seus tumultos íntimos e pode até dizer-se que deles se alimentou. A sua obra, de facto, modela-se num sofrimento vivido, saboreado, transformado em expressão verbal. Menos infeliz – talvez Camilo não tivesse sido o escritor de génio que fulgura, com estranho prestígio, no olimpo do nosso romantismo.»

 João Ameal

 


«Havia na botica um relógio de parede, nacional datado em 1781, feito de grandes toros de carvalho e muito ferraria. Os pesos, quando subiam, rangiam o estridor de um picar de amarras das velhas naus. Dava-se-lhe corda como quem tira um balde da cisterna.
Por debaixo da triplicada cornija do mostrador havia uma medalha com uma dama cor de laranja, vestida de vermelhão, decotada, com uma romeira e uma pescoceira crassa e grossa de vaca barrosã, penteada à Pompadour, com uma réstia de pedras brancas a enastrar-lhe as tranças.
Cada olho era maior que a boca, dum vermelhão de ginja…»
(In Eusébio Macário)

 

Pensamento da semana

«A honra não dá o trono, nem se vende nas cortes.»
(In Agostinho de Ceuta)

Jorge Castelo Branco


«O meu Jorge está no hospital dos alienados.

Foi indispensável a reclusão para evitar-lhe os ímpetos de fúria. Chegou a bater na mãe.

O primeiro mês, no hospital, dava esperanças, não de cura, mas de redução a um estado pacífico.

Depois tornaram as agitações, e as esperanças lá vão. Considero-o morto, perdido para a família, que importa o mesmo. Quando parecia sossegado, e o Dr. Sena me dizia que era possível regressar a casa., mandei lá o Nuno, como pedra-de-toque para aliviar o estado mental a respeito da família.

Assim que o viu, enfureceu-se. Não há nada a esperar… A tristeza desta casa, e a deplorável velhice dos pais daquele infeliz, menos infeliz que nós!»

(In Carta a Tomás Ribeiro)

 

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