Raros são, nos tempos que correm, os museus que reúnem as louváveis características da Casa de Camilo. A ambiência solitária de uma casa rural, até raiando a soturnidade, ligada ao aspecto vivido, lançam um feixe de luz na mente romântica de Camilo, permitindo a qualquer visitante entender, pelo menos, uma fracção da vasta inspiração do romântico. Atrever-me-ia, até, a dizer que será possível atingir uma fracção desta sua inspiração.
O maior encanto da Casa reside, no entanto, na sua capacidade de tornar Camilo real. A figura inatingível da Literatura Portuguesa atinge, de súbito, uma realidade tal que o visitante mais susceptível virá a acreditar que Camilo ainda vagueia pela casa da sua morte, entre seus manuscritos e livros. Sem dúvida, terá havido vários que facilmente visualizaram os mesmos eventos que o carcomido espelho dramaticamente guardando a sala, quando Camilo, cego, terminou a sua vida na fatídica cadeira.
Lamenta-se o facto de os comentários manuscritos estarem encerrados, para se preservarem, nas estantes do escritório. No entanto, não haverá mais fascinante sala para explorar do que a sala onde o génio literário produzia. Será, provavelmente, aí que se sentem as duas facetas de Camilo: de dia, crítico e leviano; de noite, profundo romântico.
Termino com a incontornável constatação de que, embora a casa seja responsável pela maior parte do realismo, nada seria sem o guia adequado. Deixo, desde já, os mais sinceros parabéns ao Senhor Reinaldo Ferreira, pois o seu profundo conhecimento da obra e do autor revela-se, sem dúvida, a parte mais interessante e intrigante da visita.
Ana Rita Tavares
C.L.I.B., Form 11º Ano
Casa de Camilo
Março 23, 2009 por casadecamilo