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“Mistérios de Lisboa” , o regresso, para (re)ver
De domingo a sexta, de 24 a 29 de Julho, a RTP2 exibe “Mistérios de Lisboa”, a série do realizador Raúl Ruiz baseada no romance de Camilo Castelo Branco e com elenco de actores portugueses.
“Mistérios de Lisboa” mergulha-nos num turbilhão imparável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, sentimentos e paixões violentos, vinganças, amores desgraçados e ilegítimos numa atribulada viagem por Portugal, França, Itália e Brasil.
Nesta Lisboa de intrigas e identidades ocultas encontramos uma série de figuras que dominam o destino de Pedro da Silva, órfão de um colégio interno: padre Dinis que de aristocrata e libertino se converte em justiceiro, uma condessa roída pelo ciúme e sedenta de vingança, um pirata sanguinário tornado próspero homem de negócios.
É esta a trama que atravessa a história do séc. XIX, na procura de identidade de Pedro Silva, o personagem.

Fonte: Francisco Pinto de Sousa/Jornal HARDMUSICA

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A Casa de Camilo, em colaboração com o Agrupamento de Escuteiros n.º 463 de S. Miguel de Seide e o Cineclube de Joane, vai promover no palco exterior do Centro de Estudos, nas 6.as Feiras do mês de Julho, a projeção de alguns dos mais recentes êxitos cinematográficos.
22 de Julho (21h45)

Filme a exibir:

Vais Conhecer o Homem dos teus Sonhos
Realização
: Woody Allen
Interpretação: Antonio Banderas, Naomi Watts, Anthony Hopkins e Gemma Jones
Duração: 94 min
Sinopse: Depois de Alfie deixar Helena para perseguir a sua juventude perdida na figura de uma jovem prostituta de espírito livre chamada Charmaine (Lucy Punch), Helena abandona a racionalidade e entrega a sua vida aos conselhos patetas de uma vidente charlatã. Infeliz com o seu casamento, Sally desenvolve uma paixoneta pelo seu atraente chefe, proprietário de uma galeria de arte, Greg (António Banderas), enquanto Roy, um romancista que aguardar com nervosismo uma resposta ao seu último manuscrito, fica alucinado com Dia (Freida Pinto), uma mulher misteriosa que o surpreende quando este a observa pela janela.

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A Casa de Camilo, em colaboração com o Agrupamento de Escuteiros n.º 463 de S. Miguel de Seide e o Cineclube de Joane, vai promover no palco exterior do Centro de Estudos, nas 6.as Feiras do mês de Julho, a projeção de alguns dos mais recentes êxitos cinematográficos.
15 de Julho (21h45)

Filme a exibir:

A CIDADE
Realização
: Ben Affleck
Interpretação: Ben Affleck / Rebecca Hall
Duração: 125 min
Sinopse: Existem mais de 300 assaltos a bancos por ano, em Boston. E um bairro chamado Charlestown tem produzido mais assaltantes do que qualquer outro sítio nos EUA. Um deles é Doug MacRay, que teve oportunidade de escolher outra vida, mas preferiu seguir as pisadas do pai e tornou-se o líder de um perigoso gang.
A única família que Doug tem são os seus parceiros do crime, especialmente Jem, que ele considera um irmão. Contudo tudo muda quando no último trabalho, Jem faz um refém: a gerente do banco Claire Keesey. Quando eles descobrem que ela vive em Charlestown, Jem fica nervoso e tenta descobrir se Claire se apercebeu de alguma coisa.
É aí que Doug interfere e começa a desenvolver uma relação com a gerente. Doug quer sair da cidade mas tem o FBI, liderado pelo Agente Frawley, cada vez mais perto, e o amigo Jem a questionar a sua lealdade. Doug tem agora de decidir se vai trair os amigos ou perder a mulher que ama.

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A Casa de Camilo, em colaboração com o Agrupamento de Escuteiros n.º 463 de S. Miguel de Seide e o Cineclube de Joane, vai promover no palco exterior do Centro de Estudos, nas 6.as Feiras do mês de Julho, a projeção de alguns dos mais recentes êxitos cinematográficos.
8 de Julho (21h45)

Filme a exibir

Realização: Tony Scott
Interpretação: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Ethan Suplee, Kevin Dunn
Duração: 98min.
Sinopse: Segure-se bem para aquela que será a viagem da sua vida, com o Vencedor de Óscar Denzel Washington e Chris Pine (Star Trek), juntos no mais electrizante thriller de acção do ano! Um comboio extraviado, que transporta uma carga de produtos químicos, tóxicos e mortais, corre descontroladamente ameaçando destruir uma cidade, e apenas dois homens o podem parar: um engenheiro veterano (Washington) e um jovem condutor (Pine). Conscientes de que se encontram em risco centenas de vidas, estes dois heróis comuns tentam, a todo o custo, parar um milhão de toneladas de aço e evitar um desastre épico. Realizado pelo visionário Tony Scott (Homem em Fúria), esta história inspirada em eventos reais está repleta de adrenalina e suspense, continuamente… IMPARÁVEL!

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A Casa de Camilo, em colaboração com o Agrupamento de Escuteiros n.º 463 de S. Miguel de Seide e o Cineclube de Joane, vai promover no palco exterior do Centro de Estudos, nas 6.as Feiras do mês de Julho, a projeção de alguns dos mais recentes êxitos cinematográficos.
1 de Julho (21h45)

Filme a exibir:

BUSCA IMPLACÁVEL

Realização: Pierre Morel
Interpretação: Liam Neeson, Famke Janssen, Maggie Grace, Goran Kostic, Katie Cassidy.
Duração: 93 min.
Sinopse: O que seria pior para um pai do que estar ao telefone, a milhares de quilómetros de distância, enquanto a sua filha está a ser raptada do outro lado da linha?
Este pesadelo torna-se real para Bryan, um ex-agente secreto que tem poucas horas para resgatar Kim de um terrível gang especializado em tráfico de jovens mulheres. O primeiro problema que Bryan tem de resolver é que ele está em Los Angeles e Kim foi raptada em Paris,..

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Este prémio, que destaca o Melhor Filme do Ano em França, bateu obras como “O Escritor Fantasma”, de Roman Polanski, ou “Carlos”, de Olivier Assayas.

O Prémio Louis Delluc já distinguiu obras de cineastas marcantes como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Tati ou Éric Rohmer, segundo nota enviada à comunicação social.

Segundo a mesma nota o prestigiado prémio internacional coroa um percurso de sucesso para esta adaptação de Camilo Castelo Branco, depois de vencer a Concha de Prata para Melhor Realizador, no Festival de San Sebastián, e o Prémio da Crítica, na Mostra Internacional de Cinema de S. Paulo.

Esta distinção reafirma a qualidade desta produção nacional, ainda em exibição nos cinemas, que se destacou de uma lista de nomeados de luxo, que incluía “Tournée”, de Mathieu Amalric, “Dos Homens e dos Deuses”, de Xavier Beauvois, “White Material”, de Claire Denis, “Des Filles en Noir”, de Jean-Paul Civeyrac, e “La Princesse de Monpensier”, de Bertrand Tavernier.

Em França, o filme continua a cumprir o seu percurso encontrando-se em exibição em cinco salas de cinema de Paris e, por todo o país, dezenas de cidades acolhem a obra do cineasta chileno. Bordéus, Lyon ou Toulouse são algumas destas cidades, onde inclusivamente o filme se encontra em exibição há largas semanas.

No entanto, o percurso do filme não ficará por aqui, uma vez que existem exibições agendadas para dezenas de cidades, de Marselha, Lille, Nice, até ao final de Janeiro.

Em Portugal, o filme encontra-se em exibição em Lisboa , no Cinema King, e em diversas localidades do país.

Mistérios de Lisboa será exibido no Cine-Teatro S. Pedro, em Abrantes, no dia 22. Em Janeiro, será a vez de Faro, Portimão e Sesimbra assitirem a este premido filme do realizador chileno.

Fonte: Jornal Hardmusica

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Há qualquer coisa de doentio no modo como os graves e complexos problemas do cinema português (a começar pela sua estrita sobrevivência económica) são tantas vezes dirimidos como um inapelável conflito entre “arte” e “comércio”. Pensemos no contraponto com que nos desafiam os americanos. Desde a paternidade simbólica de David S. Griffith (1875-1948), os EUA, não por acaso detentores da mais poderosa cinematografia do planeta, compreenderam que aqueles dois elementos não são estanques nem necessariamente opostos no seu funcionamento. Em boa verdade, são insuficientes, para não dizer incorrectos, para descrever a dinâmica de qualquer contexto de produção.

O que está em jogo, entenda-se, não é nenhuma filosofia pueril para fazermos “à maneira de” (sabemos, aliás, o desastre que são a esmagadora maioria das imitações do cinema americano por europeus). Trata-se de não perder nenhuma oportunidade para valorizarmos e rentabilizarmos (em todos os sentidos) as conquistas reais da produção cinematográfica portuguesa.

A atribuição do Prémio Louis Delluc, em França, ao filme Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz, é uma dessas oportunidades. Antes do mais, como é óbvio, porque consagra um extraordinário trabalho de reconversão da escrita de Camilo Castelo Branco, subtilmente “cinematizada” pelo argumentista Carlos Saboga e, depois, admiravelmente encenada por Ruiz. Mas também porque na sua assinatura de produção surge o nome de Paulo Branco, um dos que mais consistentemente tem apostado na pluralidade do cinema português e também nas suas ramificações internacionais (Branco está a produzir, por exemplo, o filme Cosmopolis, de David Cronenberg).

Uma das manifestações mais estúpidas que, não poucas vezes, atravessa o debate (?) sobre o cinema português é a que obriga a estar “pró” ou “contra” Paulo Branco. Aliás, a infeliz memória colectiva dos portugueses já esqueceu que, não há muitos anos, se promovia a mesma estupidez, com toda a carga de insinuações e chantagens, em torno do nome de Manoel de Oliveira. A questão é outra, é sempre outra. O modelo de Paulo Branco não é “bom” nem “mau”, muito menos “universal”. A questão, como sempre, está nos detalhes. E que Mistérios de Lisboa ganhe um dos prémios mais importantes de todo o espaço europeu do cinema (já atribuído, entre muitos outros, a Robert Bresson, Jean-Luc Godard e Alain Resnais), eis um detalhe interessante.

Compreendemos, assim, que é possível fazer uma produção criativa e ousada que não se submeta ao império da ficção “telenovelesca”. Mais ainda: compreendemos que é possível manter uma relação viva com a televisão (Mistérios de Lisboa passará também, como mini-série, na RTP) sem ceder à mediocridade dos seus padrões dominantes. Não é cómodo reconhecê-lo, mas este Prémio Louis Delluc ecoa, no espaço português, como um facto eminentemente político.

por JOÃO LOPES

Fonte Diário de Notícias

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O encontro entre o chileno Raul Ruiz e o português Camilo Castelo Branco não estava escrito nas estrelas. Mas aconteceu e Ruiz levou para a tela o romance oceânico de Camilo, Mistérios de Lisboa. Livro longo, filme comprido: quase quatro horas e meia de projeção que, acreditem, não cansa ninguém. Pelo contrário. Por incrível que pareça, quando termina, ficamos com a sensação de que perdemos alguma coisa, que estamos nos despedindo de personagens que gostaríamos de continuar a conviver. Não vemos um filme como este; moramos nele.

Não é a primeira vez que Ruiz enfrenta obra desse porte. Encarou ninguém menos que Proust, mas a verdade é que, dos sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, escolheu apenas o último – O Tempo Redescoberto (Le Temps Retrouvé) – que ele adaptou em “apenas” 162 minutos. Quer dizer, Ruiz não tem receio da duração. Quando a obra pede, ele concede o tempo que for necessário. Mas são durações diferentes. Em Proust, o tempo é a própria matéria sobre a qual a obra reflete, uma construção da memória que, através de personagens e acontecimentos, indaga, finalmente, sobre a sua própria natureza.

Em Mistérios de Lisboa, estamos na dimensão mesma dos acontecimentos. O filme dura tanto porque a quantidade de coisas que acontecem assim o exige. A profusão de personagens, as peripécias, as coincidências, a multiplicidade de personalidades contraditórias que se escondem sob uma única máscara – tudo isso pedia um fluir mais pausado, sem pressa, atento aos detalhes, como a navegação de um rio muito longo, que se cruza com atenção ao que se passa em suas margens. Para curtir o filme é preciso colocar-se nessa disposição, digamos, fluvial. Sabendo que, quando se está entregue ao sabor das águas, toda a pressa se revela inútil. Então, é relaxar, e curtir a paisagem. A recompensa será enorme.

Inútil dizer que Mistérios de Lisboa é folhetinesco, se a palavra implicar um sentido pejorativo, como se folhetim fosse coisa menor. Porque a obra é mesmo um folhetim. Foi publicada em livro em 1854, quando Camilo tinha 29 anos (é seu segundo romance), mas saíra antes, em capítulos, no jornal O Nacional, do Porto. No dizer de Camilo, ao apresentar sua obra, este não é um romance, mas “um diário de sofrimentos, verídico, autêntico e justificado”. Um crítico, Alexandre Cabral, diz, com justeza, que Camilo apaixona-se pela “mórbida complexidade sentimental da humanidade”. E, de fato, a história comporta cupidez material, ciúmes, assassinatos, incesto, um mundo bruto, cru, distante da espiritualidade que o romancista iria buscar em outras obras.

Esse frenesi de acontecimentos é o que torna empolgante a trajetória de Pedro da Silva, os desvarios do padre Diniz, esse sacerdote vicioso, que julgava só haver dois lugares no mundo dignos de um homem de verdade – o claustro e a guerra. Não faltam também uma condessa ciumenta e ávida por vingança. E nem mesmo um pirata. A ação, que é desenvolvida num longo flash back, a partir de um manuscrito deixado por um moribundo, se passa em Lisboa, mas também em vários outros países, inclusive no Brasil. É um gigantesco painel do mundo (da Europa, em particular) no século 19, mas em registro pouco realista. E há, sobretudo, este Pedro da Silva (Afonso Pimentel) um personagem em busca de sua própria identidade.

Tudo isso colocado na tela com o rigor conceitual que Raul Ruiz costuma emprestar aos seus filmes, que contém sempre algo de misterioso, de oculto, como se os personagens, ou melhor, a relação entre eles não se desse nunca num plano de clareza e racionalidade. Há disso já no folhetim de Camilo. Ruiz realça essa característica com um estilo de filmagem que, em boa parte do tempo, nos evoca o caráter fantasioso de toda recordação – por mais verídica que se proponha a ser. Mistérios de Lisboa, como Carlos, de Olivier Assayas, foi concebido em formato duplo.

É o filme que vemos, com suas 4h26 e também uma minissérie, concebida em seis capítulos de 1h cada. No meio de uma mostra gigantesca, mas formada em boa parte por filmes que acabarão por entrar em cartaz, Mistérios de Lisboa é um dos poucos programas imperdíveis de fato.

Ninguém pode ter certeza de ver este filme no circuito comercial. Ou na TV. Melhor correr e garantir ingresso.

Luiz Zanin
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/diario-da-mostra-2010-misterios-de-lisboa/

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A crítica mundial rendeu-se a ‘Mistérios de Lisboa’, filme de Raúl Ruiz produzido por Paulo Branco

“É uma obra-prima”, enaltece Ricardo Pereira, protagonista da trama adaptada do livro de Camilo Castelo Branco e rodada em Portugal. Maria João Bastos e Adriano Luz, que integram também o elenco principal, corroboram. “É uma obra tão intensa e o Ruiz é genial”, frisa a actriz.

No centro do enredo está o ‘Padre Diniz’, vivido por Adriano Luz, “um homem enigmático, inquietante, com muitas vidas ocultas e máscaras”. O padre de Camilo é, no fundo, “o elo que liga todas as histórias” nesta teia de paixões, desonra, traições e duelos novelescos.

‘Mistérios de Lisboa’ chega hoje às salas de Portugal mas segue o seu percurso pelos melhores festivais de cinema do Mundo. Sábado é a vez de São Paulo (Brasil) ver a obra do chileno Ruiz. Em San Sebastián (Espanha), o filme arrecadou já a Concha de Prata de Melhor Realizador, “uma honra para toda a equipa”, segundo o produtor Paulo Branco.

Quanto à longa duração do filme – quatro horas e meia, com um intervalo -, os actores também se mantêm unânimes. “Nos festivais por onde o filme já passou não vi ninguém sair da sala. E foi sempre aplaudido de pé. É um filme que prende até ao final”, garante Maria João Bastos. Por isso mesmo, Ricardo Pereira desafia: “Espero que todos vão ver. Vale mesmo a pena e não se vão arrepender.”

Sofia Canelas de Castro
Fonte: Correio da Manhã

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O Padre Diniz, personagem central do romance «Mistérios de Lisboa», de Camilo Castelo Branco, é apresentado pelo actor Adriano Luz que o representa no filme de Raul Ruiz.
Diniz é o padre que se cruza com todas as outras personagens e toca o mistério do amor e da morte mais de perto.
Visionar depoimento

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