Camilo encontrava-se, numa noite, com uns amigos, no café Guichard, do Porto, quando viu entrar certo sujeito. Ergueu-se da cadeira, foi ao encontro dele, abraçou-o efusivamente e exclamou em voz alta:
- Ó Lacerda, ao tempo que te não via!
- V. Ex.ª, Sr. Camilo, deve estar enganado – murmurou o homem, que, como quase toda a gente do Porto, dessa época, conhecia o romancista, não apenas de nome, mas de vista.
- Enganado?
- Com certeza, Sr. Camilo. Porque eu não sou Lacerda: sou Rodrigues.
Logo, Camilo, espantoso de naturalidade:
- Não é Lacerda? Que pena! E eu que precisava tanto de uma rima para mandar a certo sítio um cavalheiro que ali está!
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Espírito e graça
Posted in Espírito e graça, tagged Café Guichard, Camilo Castelo Branco, Porto on Maio 15, 2012 | Deixar um Comentário »