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Posts Tagged ‘Camilo’

Doutra vez, Camilo assistia igualmente a um baile, mas este de máscaras. A meio da noite entrou na sala um sujeito magríssimo, mascarado de espadachim.
Camilo ao vê-lo, dirigiu-se à dona da casa e perguntou-lhe:
- V. Ex.ª, minha senhora, tem boa vista?
- Felizmente, Sr. Camilo.
- Então se tem boa vista, podia dizer-me se este sujeito que entrou agora traz três pernas ou três espadas?

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Um abade minhoto pediu-lhe, um dia, um epitáfio para uma pessoa amiga. Camilo compôs uma oitava. O abade quis pagar-lhe os versos com um pataco.
- Aqui tem, Sr. Camilo… O que é bom, paga-se bem!
Logo Camilo, com um grande ar, recusando a moeda:
- Guarde os seus tesouros, senhor abade. Os génios, quando se abrem, são gratuitos como a chuva do céu!

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«Camilo é mais do que um literato. Camilo é mais que uma literatura. Camilo é vida».
Júlio Dantas

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Num grupo de que fazia parte Camilo falava-se, um dia, de certa mulher muito conhecida na sociedade portuense.
- Não será bonita – comentou, em dado momento, um dos do grupo – Mas temos de concordar que tem uma cara picante. Não acha sr. Camilo?
- Lá que tem uma cara picante, isso acho – respondeu Camilo – Especialmente nos dias em que não a barba.

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- Ó Camilo, tu, hoje, deves ter uma boa fortuna! – disse-lhe, um dia, certo amigo.
- Quem, eu?
- Pois então! A calcular pelos livros que tens publicado! Mas, olha que já ouvi rosnar que alguns dos romances não são teus…
- Só alguns? Que calúnia! Todos. Nenhum dos livros que correm com o meu nome é meu. São todos dos editores…

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Silva Pinto visitou, uma ocasião, Camilo, que estava hospedado num hotel portuense, perto de S. Lázaro. Era de manhã. O romancista estava no quarto.
- Vou almoçar – disse Camilo – Venha daí almoçar comigo.
Entraram na casa de jantar. À mesa estavam dez ou doze sujeitos a contas com pirâmides de costelas. A entrada de Camilo produziu sensação; trocaram-se olhares de pasmo; os garfos e as facas imobilizaram-se; fez-se silêncio. Camilo, fingindo que não reparava nos sujeitos, ocupou o seu lugar à mesa e comentou para Silva Pinto:
- Convença-se o meu amigo que não endireitamos o Mundo. O mais que podemos esperar é o quebrar dos nossos braços, se buscarmos segurar a engrenagem desta máquina. A influência real não é a nossa; é a de certas bestas…
Olhou em redor de si; viu os dez ou doze sujeitos com os olhos fitos nele e com as orelhas muito espetadas – e concluiu:
- É a dessas bestas que aí estão…

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À meia hora da madrugada é lida a sentença que absorve Camilo e Ana Plácido


O crime de que o réu Camilo Castelo Branco é acusado no Libelo do Ministério Público, e da parte acusadora, de ter cometido adultério com a co-ré Doma Ana Plácido, casada com Manuel Pinheiro Alves, está ou não provado?
- Não está provado por maioria.
A circunstância atenuante do seu bom comportamento anterior, está ou não provada?
- Está provado por maioria.
[…]
Em vista da decisão do Júri que julgou não provado o crime de adultério de que era acusado Camilo Castelo Branco, o absolvo da culpa, dando-se a vénia nele e passando-se mandado de soltura e pague o Autor [Manuel Pinheiro Alves] as custas do processo.

Porto, 16 de outubro de 1861

Jerónimo Ferreira Pinto Basto

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A Casa de Camilo tem o grato prazer de convidar V. Ex.ª para visitar a Exposição de caricaturas «Das Letras: Retratos Literários», da autoria de Loredano Cássio, um dos mais conhecidos e prestigiados caricaturistas do Brasil e da América do Sul, a qual se encontra patente desde o dia 30 de Novembro de 2010, na Galeria da Casa de Camilo – Centro de Estudos, em S. Miguel de Seide (Vila Nova de Famalicão).

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«Há um ideal comum de todos, ideal que dispensa consumo de ideias; coisa em si materialíssima, que se chama ideal em virtude de tácita convenção, feita há cinco mil anos, de nos enganarmos uns aos outros, e cada qual a si
(In Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado)

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Entre 25 e 27 de Novembro de 2010, decorre, na cidade do Rio de Janeiro, um importante leilão que inclui mais de 100 títulos de Camilo Castelo Branco, além de outras peças raras da Literatura Portuguesa.

Entre elas destacam-se uma contendo dedicatória autografada pelo romancista de Seide para o seu amigo António Feliciano de Castilho e outra com um autógrafo de Ana Augusta Plácido, sua mulher.


SOROPITA, Fernão Rodrigues Lobo. Poesias e Prosas Inéditas. Com prefácio e notas de Camillo Castello Branco. 1ª edição. Porto: Typographia Lusitana, 1868. XXXVIII; 185p. Enc. antiga em ½ couro. Com dedicatória manuscrita e assinada por Camillo Castelo Branco para o amigo e mestre Antonio Feliciano de Castilho. Interessante a anotação abaixo com data e nome do leilão onde foi comprado em 1920.

http://www.babellivros.com.br/

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