- Ó Camilo, tu, hoje, deves ter uma boa fortuna! – disse-lhe, um dia, certo amigo.
- Quem, eu?
- Pois então! A calcular pelos livros que tens publicado! Mas, olha que já ouvi rosnar que alguns dos romances não são teus…
- Só alguns? Que calúnia! Todos. Nenhum dos livros que correm com o meu nome é meu. São todos dos editores…
Posts Tagged ‘romances’
Espírito e graça
Posted in Espírito e graça, tagged Camilo, editores, fortuna, livros, romances on Janeiro 12, 2012 | Deixar um Comentário »
Imaginação ou memória?
Posted in Extratos da obra, tagged imaginação, memória, romances, Vingança on Agosto 26, 2011 | Deixar um Comentário »
Eu não tenho imaginação, tenho memória, memória do que vi, do que senti, do que experimentei. Se descarno as pinturas, se descrevo uma cena friamente, é por que assim os olhos, que a viram, a levaram à alma, que a imprimiu em si. Se me deixo ir nos arrobos de coração, que se ala para o impercetível, desesperado de incorporar na palavra o que só é de foro íntimo da alma, é por que, em tal situação, na presença de tal facto, ouvindo tal história, vendo tal mulher ou homem, senti assim, compreendi assim o que talvez outros e outras almas vissem e entendessem de outro modo.
O certo é que não imagino, ou apenas imagino, se pode dizer-se imaginar, épocas, lugares, nomes, miudezas, generalidades. Não há outro lavor neste e nos outros romances.
(In Vingança)