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Archive for the ‘Edições’ Category

As centenas de cartas trocadas entre Camilo Castelo Branco e Carlos Ramiro Coutinho, visconde de Ouguela e amigo de infância do escritor, acabam de ser reunidas num volume publicado pelo Clube do Autor, intitulado «Camilo Íntimo», de A. Campos Matos.


«Camilo Íntimo» uma obra para conhecer melhor o escritor, o cidadão atento, insatisfeito e inquieto que foi Camilo Castelo Branco.

 

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A Fundação Cupertino de Miranda publicou a 2.º edição do livro de Benjamim Salgado, diretor da Casa de Camilo nas décadas de 60 e 70, «Camilo em datas, factos e comentários».

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Acaba de ser publicada uma nova edição da comédia de costumes O Morgado de Fafe Amoroso (Ed. Opera Omnia), de Camilo Castelo Branco. Segue-se à anterior publicação de O Morgado de Fafe em Lisboa. Tal como a anterior, esta edição é da responsabilidade de Cândido Oliveira Martins (docente da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa), na sua introdução crítica fixação do texto e notas textuais. Do extenso texto introdutório a O Morgado de Fafe Amoroso publica-se um breve excerto inicial.

Quatro anos após o sucesso público d’O Morgado de Fafe em Lisboa [1861], e no contexto de assombrosa operosidade criativa, Camilo Castelo Branco publica uma nova comédia de costumes com o mesmo protagonista, O Morgado de Fafe Amoroso [1865], comédia em três actos, cuja acção decorre agora na Foz do Douro, em 1862. Esta reiteração da figura do morgado acontece justamente no ano em que o dramaturgo publica a 2ª edição do primeiro morgado de Fafe, a farsa editada em 1861; ao mesmo tempo que mostra como o autor tem a percepção da relevância e do significado da personagem central que criara. A manifesta paródia da literatura ultra-romântica, a graciosa e satírica tematização do casamento, a capacidade de análise burlesca dos vários estratos sociais em confronto e a variedade dos procedimentos do cómico, tornam esta peça uma das mais representativas do teatro de costumes camiliano.

A nova farsa ou comédia de costumes foi representada pela primeira vez no Teatro Nacional D. Maria II, logo no dia 2 de Fevereiro de 1863, conforme se lê na página de rosto da edição d’O Morgado de Fafe Amoroso, três anos depois da anterior comédia camiliana. Na sequência do primeiro Morgado de Fafe, este texto dramático deve ser lido como uma acutilante e divertida paródia da literatura e sociedade ultra-românticas, servindo-se do pastiche cómico, da sátira e da caricatura. Como adiante se demonstrará, mais uma vez se confirma que a grandeza e a diversidade da produção literária de Camilo não justificam a marginalização ou apagamento da sua criação teatral – mesmo que o teatro seja visto como “um afluente secundário do rio tumultuoso que é a obra monumental de Camilo”.

Para uma leitura mais aprofundada desta divertida e acutilante análise da “comédia humana”, e em face da escassa bibliografia crítica sobre esta peça camiliana e acerca do teatro camiliano em geral, vale a pena que nos detenhamos na exposição crítica de três linhas de força da organização textual e expressividade semântica desta farsa.

Um dos aspectos mais relevantes da composição d’O Morgado de Fafe Amoroso reside no processo de escrita, com destaque para a manifesta e variada tessitura intertextual. Desde logo, no recurso a um tipo menos habitual de intertextualidade, mas concretamente homo-autoral, já que a peça camiliana se relaciona, ao nível da composição textual, com outros textos do mesmo autor, aliás procedimento de autotextualidade método bastante frequente na escrita efabuladora de Camilo.

Primeiro, a fábula dramática desta peça surge na sequência directa de uma peça anterior, a bem sucedida comédia O Morgado de Fafe em Lisboa, protagonizada pelo inesquecível e patusco morgado minhoto, António dos Amares Tinoco Valadares. É sobretudo este morgado provinciano que polariza um certo bom-senso e sabedoria popular, contrastando com a retórica sentimental personificada por alguns janotas galanteadores e mais ilustrados.

Aliás, ao longo do enredo teatral, surgem várias afirmações a relembrar ao leitor essa ligação intertextual. Logo no Acto I, o morgado apresenta um argumento com base em exemplo, para demonstrar certa matriz francesa da reinante cultura ultra-romântica: “Não se admire que lá em Lisboa, onde eu estive há quatro anos, as famílias falavam em francês como se estivessem em França. Eu ia lá a casa de um barão, que me quis impingir a filha (…)” (I, 4). Em outra passagem, o mesmo morgado evoca analepticamente: “ Ó primo Heitor, olhe que estas barretinas já se não usavam em Lisboa quando eu lá estive há quatro anos. A filha do barão de Carrurrães tinha uma muito mais pequena (…)” (I, 9).

Ao mesmo tempo, a fábula dramática deste Morgado de Fafe em Lisboa também dialoga, intertextualmente, com uma narrativa de Camilo, Cenas da Foz [1857], publicada poucos anos antes. Recorde-se, aliás, que a narrativa Cenas da Foz tinha sido previamente editada sob a forma de folhetim nas páginas do jornal vianense A Aurora do Lima [de Nov. de 1856 a Out. de 1857].

A focalização narrativa é confiada a uma personagem (João Júnior), tendo como epicentro geográfico S. João da Foz, no Porto. Curiosamente, o autor de Noites de Insónia [1874] referir-se-á a alguns factos narrados em Cenas da Foz como tendo uma base verídica, como anota em evocações do que presenciou em S. João da Foz do Porto: “Eu já contava então uns decrépitos vinte e nove anos [em 1856, tinha trinta e um], e conhecia vários acontecimentos impudicos, por exemplo, aquele da D. Hermenegilda de Amarante, que eu exibi às lágrimas do público sensível nas Cenas da Foz”.

Deste modo, se o protagonista morgado de Fafe é recuperado da anterior comédia camiliana, já as outras personagens – sob os mesmos nomes ou apenas com ligeiras modificações onomásticas – transitam do referido romance para a nova comédia teatral do autor. Curiosamente, o autor de Noites de Insónia [1874] referir-se-á a alguns factos narrados em Cenas da Foz como tendo uma base verídica, como anota em evocações do que presenciou em S. João da Foz do Porto: “Eu já contava então uns decrépitos vinte e nove anos [em 1856, tinha trinta e um], e conhecia vários acontecimentos impudicos, por exemplo, aquele da D. Hermenegilda de Amarante, que eu exibi às lágrimas do público sensível nas Cenas da Foz” .

Com uma intervenção menos saliente do que na anterior comédia de costumes (completada com a figura da criada Pôncia), o central morgado desloca-se assim do elegante salão lisboeta para a popular praia portuense da Foz do Douro (e uma hospedaria) – dois cronótopos distintos e semanticamente expressivos (salão e praia), do ponto de vista estético-literário e sociológico-cultural, sobretudo na caracterização de uma certa burguesia e pequena nobreza contemporâneas, de origem urbana e rural, mais ou menos endinheiradas.

Camilo Castelo Branco – O Morgado de Fafe Amoroso
Guimarães, Opera Omnia, 2010
(introd., fixação do texto e notas de J. Cândido Martins)
Fonte: Letras & Letras

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Calisto Elói, morgado de Agra de Freimas, vive numa pequena aldeia, de seu nome Caçarelhos, em perfeita harmonia com a sua esposa, D. Teodora de Figueiroa. O conhecimento dos clássicos, aos quais dedicou as leituras de toda uma vida, encheu-o de uma sabedoria moralista e conservadora que faz com que seja eleito deputado pelo círculo de Miranda. A sua presença em Lisboa e os seus discursos no Parlamento fazem sensação por causa da defesa da moral dos costumes antigos em detrimento do luxo e dos teatros. A experiência da sociedade lisboeta, no entanto, não deixa o morgado imune. A contaminação da personagem e os indícios da queda expressam-se exteriormente através da primeira visita a um alfaiate lisboeta. Esse é o primeiro passo de um percurso que culminará na transfiguração de anjo em alguém que a sua própria mulher não reconhecerá. Esta transfiguração exterior traduz uma metamorfose moral, consumada na defesa de princípios liberais em discursos tão ocos como aqueles que no início condenara e na ligação adúltera que mantém com uma viúva brasileira, D. Ifigénia Ponce de Leão. Com isto, Camilo pretende, usando a história de Calisto como alegoria, traçar o processo de contaminação de um Portugal saudável e incorruptível pelas mudanças políticas, sociais, culturais e religiosas da época.
Confesso que já não pegava em Camilo Castelo Branco desde que estudei o livro Amor de Perdição no Ensino Secundário. Aproveitei que me cruzei com este exemplar bastante em conta na Feira do Livro da Póvoa de Vazim para o adquirir e encontrar-me de novo com a obra camiliana. Através da história de Calisto, Camilo defere duras críticas à sociedade, com especial enfoque na classe política. Mas apesar de essas mesmas críticas serem pungentes, o tom com que o autor aborda ao tema é leve. Camilo utiliza o humor, criando uma série de personagens-tipo para alcançar o ponto a que pretende chegar. É esse humor que, de certa forma, facilita a leitura desta obra e não a torna demasiado maçadora ou cansativa. Foram várias as gargalhadas que dei durante a leitura, principalmente nos momentos de discussão parlamentar. Os discursos da Assembleia em 1820 parecem tão vagos de ideias e tão cheios de palavras vãs como os de hoje. Um livro interessante, que recomendo a quem tem gosto pelos livros considerados clássicos da nossa literatura.
Fonte: Na Companhia dos Livros

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Sérgio Guimarães de Sousa e José Cândido de Oliveira Martins organizaram o livro de ensaios intitulado Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco, Opera Omnia, 2010 (269 págs.).

Trata-se de um conjunto de estudos críticos, da autoria de investigadores de várias universidades (de Portugal, Espanha e Brasil). Procurando ler Camilo a partir de renovadoras orientações temáticas e críticas, estes ensaios centram-se na importante questão do desejo, que atravessa o universo ficcional camiliano.

Da introdução do livro: “A ficção camiliana, muito assente no conflito entre a paixão e a razão, tem como ponto nevrálgico, por assim dizer, o desejo. As novelas de Camilo oferecem, deste modo, um amplo campo de estudo extremamente fértil para abordar esta questão nas suas múltiplas perspectivas e implicações. Não deixa, por isso, de ser um tanto curioso constatar que a bibliografia passiva de Camilo, mesmo a mais recente, carece de estudos especificamente focados sobre o desejo. Ao reunir, nesta colectânea, textos de um conjunto de investigadores, que aceitaram prontamente o desafio de reler Camilo na óptica do desejo, quisemos colmatar esta lacuna.”

Para maior informação sobre o conteúdo, particulariza-se o índice desta obra:

Introdução (Sérgio Guimarães de Sousa e José Cândido de Oliveira Martins)

Lembrando José Carlos Barcellos (Sérgio Nazar David)

Desejo, concupiscência e estabilidade social: os Vulcões de lama humanos e os ilusórios remédios divinos (Elias J. Torres Feijó)

Retórica contida do desejo em Doze Casamentos Felizes de Camilo Castelo Branco (José Cândido de Oliveira Martins)

Masculinidade e modernidade em Camilo Castelo Branco (José Carlos Barcellos)

Camilo: limites do desejo no mundo do capital (Paulo Motta Oliveira)

– “Amar até doer” – O desejo do amor e a perdição dos desejos  (Rosário Luppi Belo)

– Coisas da terra e do céu – Amor, desejo e humor na ficção camiliana (Serafina Martins)

– Desejo mimético n’O santo da montanha (Sérgio Guimarães de Sousa)

– O século de Silvestre da Silva (Sérgio Nazar David).

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O infortúnio e a tendência aventurosa de Camilo Castelo Branco são responsáveis pelos mitos que se desenvolveram à sua volta. O escritor é um dos principais responsáveis (senão o primeiro) por essa aura, não só perante o carácter heterogéneo da sua obra (desde o romance ao ensaio e às memórias), mas também pelo mistério que sempre alimentou sobre a sua própria vida, a começar nas origens, e a continuar no seu espírito aventuroso… Camilo Castelo Branco – Memórias Fotobiográficas (1825-1890) de José Viale Moutinho conduz-nos com mestria no percurso multifacetado de um nossos maiores escritores, mas, mais do que isso, leva-nos ao Portugal profundo do século XIX, que o autor de Amor de Perdição representa e descreve. Figura muitas vezes desconhecida, apesar do sucesso dos seus livros e da paixão que suscita ainda hoje em tantos leitores, Camilo protagonizou uma vida atribulada de romântico que teve a lucidez de se libertar dos constrangimentos de escola que esterilizaram outras promessas. Homem cultíssimo, estudioso exaustivo da história e da sociedade, romancista fecundo — Camilo soube ultrapassar as poderosas baias românticas, indo ao encontro das tendências modernas do seu tempo. A partir de uma personalidade muito forte, o retrato que encontramos de Camilo é a representação de alguém cujo talento resulta de um cadinho onde se misturam ingredientes quase explosivos da sociedade antiga e da sociedade contemporânea, que o escritor procura contraditoriamente compreender.
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Camilo Castelo Branco vendeu por duas vezes a sua biblioteca particular. Porém, em resultado de sucessivas aquisições, foi possível reunir na Casa de S. Miguel de Seide 856 volumes, em 708 obras, muitos deles enriquecidos com preciosas notas a lápis do próprio punho de Camilo, as quais revelam não só o apurado sentido estético e literário do romancista como também o afiado “bisturi” camiliano.
O livro de Álvaro Neves disponibilizado on-line pela University of Toronto (Canada) permite ao leitor conhecer um vasto conjunto de  notas deixadas por Camilo nas margens dos muitos livros que leu.


NEVES, Álvaro – Camillo Castelo Branco: Notas á margem em varios livros da sua biblioteca. Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira, 1916.

Descarregar ou consultar o livro: http://www.archive.org/details/notasmargememv00castuoft

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