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Archive for the ‘Espírito e graça’ Category


“- Olha, se eu dava a minha filha a esse Herodes!
Credo! Que vá casar com o diabo que o leve,
Deus me perdoe!

(In A viúva do enforcado)

 

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«Amigo é uma palavra profanada pelo uso, e barateada a cada homem que se nos apresenta, como a palavra de honra, que por aí anda desvirtuando a honra e a amizade.»
(In Lágrimas abençoadas)

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[…] No meio destas angústias, falta-me só uma: eu não me importo que o banco ultramarino desse à luz mais 4 ladrões inéditos; não me importo que a sociedade se dissolva; o que muito sinto é ter eu de me dissolver; e sinto também que o meu amigo Carvalho [o seu genro] não abunde nas mas ideias. Diz-lhe que o pior é ter a gente de deixar o mundo amanhã ou depois, com a mesma dose de patifes que cá estavam quando entramos. Diz-lhe que a espécie humana foi sempre assim: que no século passado os ladrões eram os nobres que vampirizavam o sangue das classes inferiores; hoje são os burgueses que se estão devorando uns aos outros, porque não há fidalgos que delapidar, nem clero que mandar mendigar, nem povo que se preste a ser roubado. Diz-lhe que as civilizações são todas fatalmente assim. Atribuir a crise social ao luxo é o mesmo que culpar o dezembro por que ele é frio. Não está nos homens o vício: está na instituição. A humanidade vai arrastada por uma onda; mas la virá a ressaca, a reação que a reponha em mar menos aparcelado.

A França já teve três cataclismos e está vigorosa, rica, cheia de indústrias e de desmoralização. Esta ultima qualidade não é boa; mas é fatalmente necessária. Portugal é o país da Europa menos exposto aos grandes cataclismos, e por isso mesmo a nossa prosperidade há de manter-se sempre na mediania em que está. Se fossemos infelizes, ter-se-ia manifestado a febre revolucionaria, o regicídio, os terríveis clamores da fome. O que temos é muitíssimo ladrão […]

 (In Carta de Camilo a sua filha Bernardina Amélia)

 

 

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Camilo tinha vindo a Lisboa e conversava com António Cândido e Tomás Ribeiro, no quarto do hotel em que se hospedara. Era já na altura em que a cegueira ameaçava cruelmente o romancista. Nisto, entrou Sousa Martins. O grande médico logo se ocupou das enfermidades de Camilo e, numa atitude um tanto ríspida, intimou o romancista a cumprir rigorosamente as suas determinações clínicas, o rosto do escritor iluminou-se dum sorriso e murmurou para Tomás Ribeiro e António Cândido:

– Este Sousa Martins não me perdoa o Eusébio Macário! Ou ele não fosse sobrinho de boticário!

Na verdade, Sousa Martins tinha um tio farmacêutico.

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«A respeito de cabras, não há mais nada nos arquivos impressos, que eu deva transmitir à posteridade.
Ai! Meu saudoso rebanho! Provavelmente, deste lidar com cabras é que me ficou o sestro e coragem de aparar as marradas de CABRÕES, como Anselmo.»
(In Noites de Insónia)

 

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«- O parecer do padre capelão é que o senhor Lopo Vaz levou a menina a ver se ela se decidia lá nas festas e folias; porque… aí vai a minha opinião… e perdoem-me a franqueza…
– Diga! – Conclamaram os fidalgos.
– Isto de mulheres… a gente não sabe quando as tem pela esquerda, nem pela direita… Tanto andam como desandam…
– Isto é que é saber! Exclamou D. José. – Estou na sua, amigo e senhor padre reitor!»

(In O Santo da montanha)

 

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«A gente critiqueira que eu mais temo é a que dispensa ler um livro, logo que teve a felicidade de lhe ver o nome na vidraça do livreiro.»
(In Esboços de Apreciações Literárias)

 

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