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Archive for the ‘Espírito e graça’ Category

«- O parecer do padre capelão é que o senhor Lopo Vaz levou a menina a ver se ela se decidia lá nas festas e folias; porque… aí vai a minha opinião… e perdoem-me a franqueza…
– Diga! – Conclamaram os fidalgos.
– Isto de mulheres… a gente não sabe quando as tem pela esquerda, nem pela direita… Tanto andam como desandam…
– Isto é que é saber! Exclamou D. José. – Estou na sua, amigo e senhor padre reitor!»

(In O Santo da montanha)

 

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«A gente critiqueira que eu mais temo é a que dispensa ler um livro, logo que teve a felicidade de lhe ver o nome na vidraça do livreiro.»
(In Esboços de Apreciações Literárias)

 

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«- Que ouviste dizer de mim?…
– Franqueza! Tu não te ofendes, nem eu sei se é louvor, se ofensa a censura: ouvi dizer que fazias dez livros originais de uma ideia sem originalidade nenhuma. Isto é verdade?
– Parece-me que sim… Eu tenho calculado que a Providência me concedeu dez ideias: foi pródiga comigo.»

(In O Sangue)

 

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«Contou-me o falecido general Sousa Machado, intrépido batalhador de África, onde foi gravemente ferido no combate de Coelela, que em setembro 1873, sendo alferes, esteve na Póvoa de Varzim, convivendo aí muito com o autor da Brasileira de Prazins.

Uma tarde, encontraram-se, os dois, em um dos cafés da formosa praia, e pegaram de conversar, enquanto os filhos de Camilo brincavam um com o outro. O pai, ao mesmo tempo que lhes vigiava os folguedos, ia discorrendo acerca do nada que valia ser escritor em Portugal.

– Estes, – disse ele, apontando os filhos – livrarei eu de saberem ler e escrever…

– Pois V. Ex.ª diz isso?!… Retorquiu Sousa Machado, sem poder ocultar o seu assombro.

– Digo e hei-de cumprir. Sabe lá quantos desgostos as letras me têm dado!…»

(In Os amores, os ciúmes e a graça de Camilo, de António Cabral)

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«-Ó Camilo, queres fazer uma vaca? – Disse, ao transpor a porta do antro, um amigo do romancista.
– Muito obrigado. Não aceito. As minhas vacas saem-me sempre porcas…»

(In Os amores, os ciúmes e a graça de Camilo, de António Cabral)

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«Um burro produz sempre um burro, ou um macho, é conforme; um alarve não gera sempre outro alarve!»
(In O retrato de Ricardina)

 

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No Teatro S. João cai uma perna de carneiro do camorote!

«Nicolau fez uma grave mesura, estendeu o braço para dentro com o lenço pendurado e respondeu solenemente:
– Foi deste camarote, sem dúvida, que uma das senhoras deixou cair a parte respectiva do bode?
– Do bode?! – perguntou o chefe dos canibais, forçando com um arranco interior a descida do bocado que lhe entupia os gorgomilos.
– Do bode – tornou Nicolau – se vossa senhoria quer que seja bode, carneiro, porco-espinho ou como é que deva chamar-se o animal comido e ex-proprietário desta pá.»
(In O Sangue)

 

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