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Archive for the ‘Espírito e graça’ Category

«Contou-me o falecido general Sousa Machado, intrépido batalhador de África, onde foi gravemente ferido no combate de Coelela, que em setembro 1873, sendo alferes, esteve na Póvoa de Varzim, convivendo aí muito com o autor da Brasileira de Prazins.

Uma tarde, encontraram-se, os dois, em um dos cafés da formosa praia, e pegaram de conversar, enquanto os filhos de Camilo brincavam um com o outro. O pai, ao mesmo tempo que lhes vigiava os folguedos, ia discorrendo acerca do nada que valia ser escritor em Portugal.

– Estes, – disse ele, apontando os filhos – livrarei eu de saberem ler e escrever…

– Pois V. Ex.ª diz isso?!… Retorquiu Sousa Machado, sem poder ocultar o seu assombro.

– Digo e hei-de cumprir. Sabe lá quantos desgostos as letras me têm dado!…»

(In Os amores, os ciúmes e a graça de Camilo, de António Cabral)

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«-Ó Camilo, queres fazer uma vaca? – Disse, ao transpor a porta do antro, um amigo do romancista.
– Muito obrigado. Não aceito. As minhas vacas saem-me sempre porcas…»

(In Os amores, os ciúmes e a graça de Camilo, de António Cabral)

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«Um burro produz sempre um burro, ou um macho, é conforme; um alarve não gera sempre outro alarve!»
(In O retrato de Ricardina)

 

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No Teatro S. João cai uma perna de carneiro do camorote!

«Nicolau fez uma grave mesura, estendeu o braço para dentro com o lenço pendurado e respondeu solenemente:
– Foi deste camarote, sem dúvida, que uma das senhoras deixou cair a parte respectiva do bode?
– Do bode?! – perguntou o chefe dos canibais, forçando com um arranco interior a descida do bocado que lhe entupia os gorgomilos.
– Do bode – tornou Nicolau – se vossa senhoria quer que seja bode, carneiro, porco-espinho ou como é que deva chamar-se o animal comido e ex-proprietário desta pá.»
(In O Sangue)

 

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«Este editor Chardron é feliz como três burros. Vende tudo, e prospera com obras que arruinariam outro editor.»
(Camilo Castelo Branco, in Carta a António Feliciano de Castilho, de 1873)

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«- Ora, meu amigo, vamos a isto. Estou farto de palavreado. Obras, obras é que se quer. Seja homem, e atenda lá ao que lhe vou dizer…»
(In A Infanta Capelista)

 

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Melancolia

«A melancolia, sem flatulência nem perturbações estomacais, a que tanto ataca os inteligentes como os idiotas, era esse o meu fito.»
(In Coração, cabeça e estômago)

 

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