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Archive for the ‘Extratos da obra’ Category

«O cidadão gordo e de sua natureza impermeável, se um grande calor lhe filtra as massas compactas, principalmente no teatro por noites de julho, transpira caldo: o seu suor é esverdinhado, e tem o aroma acre da couve-galega e a forma globulosa do feijão fradinho.»
(In Crónicas)

 

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«Até hoje não decidiram os sábios onde está o Inferno. Eu também não decido. A minha ignorância neste objeto é crassa e sincera.»
(In Quatro horas inocentes)

 

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«As devassidões postas em música dão bem a entender que geração esta é!
Brinca-se com o crime, abafando-se os gemidos da humanidade com o estridor das trompas e dos zabumbas.»
(In A queda dum anjo)

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«Choram os homens as perdas dos seus bens, convertidos contra vontade sua em vaidades; choram a perda da saúde em um contínuo giro de trabalho, expostos ao rigor do frio sem cama em um deserto, no intenso das calmas sem sombra nem abrigo; choram a miséria da fome sem pagamento; choram a perda das vidas e das almas na falta de sacramentos em artigo de morte, com evidente perigo de salvação. Grande miséria!»

(In Mosaico e Silva)

 

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«Esses, do mundo que sondem

Os mil segredos daqui…

Não sabem, não, que delícias

Deus reserva aos desgraçados,

Se lhes dá ermos e prados

A vicejar e florir,

A noite e o luar, e a fonte,

Selva escura e horizonte

Que ensina a amar e sentir.»

(In Um livro)

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«O alvorecer da liberdade, quando um povo desperta do letargo da escravidão, assemelha-se à luz vaga e indecisa, com que a natureza previdente acode à escuridão das imensas noites árticas.»
(In Noites de insónia)

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Durante a febre

À porta do sepulcro, ainda volto a face

Para ver-te chorar, ó mãe do filho amado,

Que vê, como num sonho, a cena do trespasse…

– Sorver-lhe o eterno abismo o pai idolatrado.

Talvez que ele, a sonhar, te diga: «Mãe não chore

Que o pai há-de voltar…» Quem sabe se virei?

Quando a Acácia do Jorge ainda outra vez enflore,

Chamai-me, que eu de abril nas auras voltarei.

Camilo Castelo Branco

 

 

 

 

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«O matemático era capaz de renunciar à canonização se lhe pedissem a troco o sacrifício de abjurar o amor, que o trazia tão de longe da ciência, e tão avesso às obrigações académicas que, antes da Páscoa, tinha perdido o ano por faltas, e dissera incríveis disparates em duas lições, que o desacreditavam.»

(In A neta do Arcediago)

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«Os caracteres fracos precisam de prazeres; os ânimos circunspectos o de que precisam é de segurança. No rebuliço desta universal tormenta, há um só prazer: é a situação mais tranquila; são os gozos mais moderados e que mais facilmente se conseguem e reproduzem; é a concordância da paz interior com a atividade desapaixonada, da austeridade no prazer com a doçura na paciência…»
(In Cenas inocentes da comédia humana)

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«Consta que nunca teve namoro que o entretivesse nas duas estações. O nome da mulher, que adora, até à demência, no Carnaval, quase sempre lhe esquece na Páscoa seguinte.»
(In O que fazem mulheres)

 

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