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Archive for the ‘Lugares da vida e da ficção’ Category


«Vim aqui ontem hospedar-me, aqui onde já ninguém de boa família e fino paladar se hospeda…

Às nove da manhã, entrou um hóspede no quarto contíguo ao meu. O criado chamava-lhe sr. visconde. Perguntei donde era o visconde. De Travanca, disse. Maravilhou-me ver um título em tão reles estalagem!»

(In Boémia de Espírito)

 

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«Vila Real, 18 de Agosto – Ontem pelas dez horas da manhã andava passeando junto à porta do governador civil o pacífico cidadão Camilo Castelo Branco, em companhia de Luís de Bessa Correia, que deixou de ser administrador desta vila haverá seis dias, por não aturar o despotismo deste miserável governador civil, José Cabral.»

(In O Nacional, de 21-8-1847)

 

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«Se tiver mais saúde, logo que entregue a livraria, vou passar em Lisboa alguns dias – despedir-me. Não vou aí há 6 ou 7 anos. Aí nasci, aí estão as cinzas de meus pais, e as da minha mocidade.»
(In Carta de Camilo a Luís Magalhães)

 

 

 

 

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«Na tarde desse dia, passeava Monteiro, debaixo da parreira do seu quintal, pelo braço da viúva. As calhandras e os pintassilgos trilavam os seus requebros às margens do rio Pele. As rãs coaxavam nas poças, e as auras ciciavam nas ramarias dos álamos. Era uma tarde de tirar amores do olho de uma couve lombarda.»
(In Novelas do Minho: O cego de Landim)

 

                                                                                                                                       Helena Romão

 

 

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«Tomar a sério a sociedade é endoidecer. Viver com ela em boa paz é escarnece-la. Ou doido ou cínico.»
(In Cenas contemporâneas)

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«O alferes, com água pela cinta, desatascou-se dos lamaçais de além; e, horas depois, repassando o Ave na ponte da Lagoncinha e vencidas duas léguas de chafurdeiros e barrocas, entrava na sua casa das Lamelas, bebia um grande trago de genebra, e, floreando a espada, bradava: “Viva o Sr. D. Miguel I”.»
(In A brasileira de Prazins)

 

Miguel Stadler

 

 

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«Em testemunho da regalada leitura que V. Ex.ª me deu com o seu Minho, lhe ofereço uma das novelas de cá. O Minho tem o romanesco da árvore e o romance da família. A paisagem sugeriu-lhe, meu caro poeta, as prosas floridas do ridente livro.»
(In O Comendador – Novelas do Minho)

 

 

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