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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

«Chega a morte! Vejo-a, sinto-a.

A luz dos olhos se apaga…

Vem, meu filho, abraça e beija

De teu filho a face fria.

Limpa-lhe o rosto orvalhado,

Não de pranto, que eu não choro,

Mas de suor da agonia.

Não me fujas, filho; imprime

Na tua alma esta imagem.

Daqui a pouco à voragem

Resvalou teu pobre pai.

Vem também, santa das dores,

Receber o extremo ai!

Não me vás levar flores

À sepultura, não vás.

Leva-me os filhos felizes,

Leva-os contigo e verás

Que me aquece a luz da vida

Na sepultura esquecida,

Onde enfim hei de ter paz!»

               Camilo Castelo Branco

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«Peço-lhe licença para interpor na sua livraria este livro de bagatelas e arqueologias burlescas, à mistura com algumas coisas tristes….»
(In CCB, dedicatória no exemplar que ofereceu a António Cândido, 4 de novembro de 1887)

 

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Local: Jardim do Centro de Estudos
Duração: 1h30.
Outras informações: Atividade condicionada ao bom tempo.

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«Os abadessados ou outeiros eram então cenáculos de moços talentosos e alegres, que se reuniam nas grades de um convento para festejar com glosas e libações a eleição ou reeleição de uma abadessa. Camilo frequentou essas festas mais pagãs do que conventuais.»
(In O Romance do romancista, de Alberto Pimentel)

 

 

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Convidada:
Inês Pedrosa nasceu em 1962. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, trabalhou em diversos jornais e revistas, na rádio e na televisão, tendo recebido vários prémios de jornalismo. É, desde Fevereiro de 2008, directora da Casa Fernando Pessoa, e mantém, desde 2002, uma crónica semanal – primeiro no jornal Expresso, actualmente no jornal Sol. É também cronista da revista Ler.
Publicou dezoito livros, entre os quais se destacam seis romances: A Instrução dos Amantes (D. Quixote, 1992), Nas Tuas Mãos (D. Quixote, 1997, Prémio Máxima de Literatura), Fazes-me Falta ( D. Quixote, 2002), A Eternidade e o Desejo ( D. Quixote, 2007) e Os Íntimos ( D. Quixote, 2010, Prémio Máxima de Literatura) e Dentro de ti ver o mar (D. Quixote, 2012) .

Filme a exibir:

O Fim da Aventura (“The End Of The Affair”)
Drama/102 minutos
Grã-Bretanha / EUA, 1999
Realização: Neil Jordan
Elenco: Ralph Fiennes, Julianne Moore, Stephen Rea, Ian Hart
Sinopse:
Sarah Miles é casada com Henry, um homem que ela ama mas com quem não partilha momentos de intimidade. Quando conhece Maurice Bendrix, os dois sentem uma atração imediata um pelo outro, iniciando um tórrido romance. A sua paixão é devastadora como os bombardeamentos à sua volta, até ao dia em que Sarah desaparece misteriosamente da vida de Maurice.
Dois anos mais tarde, Maurice encontra Henry que lhe confessa desconfiar que a sua mulher o trai. Movido pelos seus próprios ciúmes e ansioso por descobrir o mistério que rodeia o fim do seu romance, Maurice concorda em ajudá-lo. A sua investigação não só faz ressurgir o seu amor por Sarah como o leva a descobrir um terrível segredo que mudará as suas vidas para sempre…

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Os incuráveis padecimentos que se vão complicando todos os dias levam-me ao suicídio – único remédio que lhes posso dar. Rodeado de infelicidades de espécie moral, sendo a primeira a insânia de meu filho Jorge, e a segunda os desatinos de meu filho Nuno, nada tenho a que me ampare nas consolações de família. A mãe destes dois desgraçados não promete longa vida; e, se eu pudesse arrastar a minha existência até ver Ana Plácido morta, infalivelmente me suicidaria. Não deixarei cair sobre mim essa enorme desventura – a maior, a incompreensível à minha grande compreensão da desgraça. Esta deliberação de me suicidar vem de longe como um pressentimento. Previ, desde os 30 anos, este fim. Receio que chegado o supremo momento, não tenha a firmeza de espírito para traçar estas linhas. Antecipo-me à hora final. Quem puder ter a intuição das minhas dores, não me lastime. A minha vida foi tão extraordinariamente infeliz que não podia acabar como a maioria dos desgraçados. Quando ler este papel, eu estarei gozando a primeira hora de repouso. Não deixo nada. Deixo um exemplo. Este abismo a que me atirei é o terminus da vereda viciosa por onde as fatalidades me encaminhavam. Seja bom e virtuoso quem o puder ser.

Camilo Castelo Branco

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A exposição Versões de Um Amor de Perdição, organizada pela Casa de Camilo.Museu-Centro de Estudos, composta por um conjunto de fotografias de três das muitas adaptações cinematográficas da mais famosa obra de Camilo: Georges Pallu, António Lopes Ribeiro e Manoel d`Oliveira.
Está patente, até ao próximo dia 25 de Setembro, na casa onde Camilo Castelo Branco viveu com a sua primeira esposa, Joaquina Pereira de França, em Friúme. Assinalando, assim, os 170 anos do seu primeiro casamento.
Transformada em Museu, a casa recria os aposentos onde terá vivido o romancista. Possui uma exposição permanente onde se aborda a ligação de Camilo com Ribeira de Pena e um espaço de exposições temporárias.

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