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Posts Tagged ‘A brasileira de Prazins’


A noite começou chuvosa, mas estávamos muito ansiosos, pois iríamos descobrir mais histórias do mestre da literatura portuguesa, Camilo castelo Branco.
Munidos de agasalhos e de guarda-chuvas, lá começámos o percurso, saímos de Seide em direção ao cruzeiro de Seide S. Paio, a primeira paragem, com muita chuva e uma pequena encenação de um extracto da obra “A brasileira de Prazins”, muito engraçado, mereceu várias gargalhadas, contudo a esposa do melro estava com uma voz muito esquisita, muito varonil.
De novo pés ao caminho, a chuva abrandou e até já começávamos a sentir um calorzinho, já em Requião, atravessámos uma zona bastante rochosa, passámos ao lado do Convento da Fraternidade Cristo Jovem e seguimos até à Capela de Santa Lúzia, aí aconteceu algo de extraordinário após um exorcismo, a chuva parou, como por milagre e a rapariga libertou-se do espríto.
Próxima paragem, Ninães, e mais uma leitura camiliana, desta vez da obra “O Senhor do Paço de Ninães”, um local muito agradável e com alguns pormenores que saltaram aos olhos, como um passadiço entre casas coberto de flores e cabacinhas e um pequeno caminho de degraus em calçada portuguesa.
Continuamos o percurso de regresso a Seide, e de repente, um assalto, o bando do Zé Telhado, mais uma vez nos cruzamos nestas andanças camilianas.
Já no Centro de Estudos Camilianos, mais uma surpresa, o tradicional caldo verde com tora, uns rojões e bela broa minhota com couve e tudo. Regados com vinho verde da região.
Após os comes e bebes, houve tempo para umas cantigas, cantarolámos, dançámos e depois limpámos.
Um Serão bem passado: passeio, livros e comida. Não há nada melhor!
Bem-haja Sr. Camilo. E todos os seus seguidores.

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A Casa de Camilo realiza, pela primeira vez, no dia 18 de maio, às 21h30m, um trilho camiliano inspirado nas obras “A brasileira de Prazins” e “O Senhor do Paço de Ninães”. Um percurso pedestre entre Seide, Requião e Ninães, com algumas leituras camilianas pelo caminho. 
A iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, através da Casa de Camilo, com a colaboração da Junta de Freguesia de S. Miguel de Seide; Grutaca – Grupo de Teatro Amador Camiliano; Grucamo – Grupo de Caminheiros de Montanha, Agrupamento de Escuteiros e Café Camiliano.

«Estamos no Minho, o leitor e eu.
Chegamos à «Portela», uma légua andada de Vila Nova de Famalicão, na estrade de Guimarães. Deixada a estrada, entremos numas brenhas de árvores, por atalho tortuoso com o seu dossel de carvalheiras e festões de vides enroscadas nelas. Andou o leitor um quilómetro em vinte minutos, se não parou algumas vezes a respirar o acre saudável das bouças…»
(In O senhor do Paço de Ninães)

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Reler as Novelas do Minho, de Camilo, é uma boa hipótese para tempos de crise. Ali está Portugal, o que prezamos e o que nos enjoa. Camilo, que foi tratado como «o último miguelista de Portugal», dá a volta à província desenhando a galeria dos seus personagens: brasileiros («os de profissão» e «os do Brasil», nunca enganando o ressentimento contra Pinheiro Alves, a quem ficou com o relógio); herdeiros pobres que morrem nas serras, sob a neve e a geada; mulheres de dedos nodosos (um dos primeiros retratos de amor entre mulheres, na nossa literatura, está em «O Cego de Landim») e de peito arfante, melodioso; bacharéis do século dos bacharéis, políticos vingativos e de digestões difíceis; gente corada, apopléctica, mandibulando bacalhaus de cebolada; românticos perdidos; tuberculosos das secretarias, compondo maus versos e acabando na câmara de deputados — está tudo lá, está tudo lá, como está n’ A Brasileira de Prazins, a obra-prima. Para os fanáticos de Cormac McCarthy, lembrem-se que a expressão original é de Camilo. Numa das novelas, é o próprio que se lamenta: «Este país não é para ninguém.»
Francisco José Viegas

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Durante os 27 anos que o grande escritor residiu em S. Miguel de Seide, que enriqueceram extraordinariamente a sua obra prodigiosa, – desde o Amor de Salvação, primeiro livro ali escrito, e das Novelas do Minho, até aos volumes da sua última «maneira», Brasileira de Prazins, Maria da Fonte, Vinho do Porto, General Carlos Ribeiro, Vulcões de Lama – Camilo poucos dias permanecia em casa. Sobretudo na última década.
Doente, nevropata, com os sintomas crescentes da cegueira que o prostrou – jornadeava constantemente para o Porto, para Braga, para o Bom Jesus do Monte, para a Póvoa, para Lisboa… Corria todo o país, mas, como grande autóctone, nunca passou as fronteiras. E foi assim que o portentoso homem, de terra em terra (apesar das suas amarguras cruciantes), continuou a armazenar, como fizera sempre, a farta colheita de vocabulário, com que opulentou a língua.
Além do Minho, que considerava «a província mais clássica de Portugal», Camilo ia entesourando em toda a parte – não falando agora da sua estonteante cultura vernácula – os regionalismos, as locuções populares, que aproveitava com bom gosto nos livros, e que lhe davam tanta vez um sabor e uma graça incomparáveis, com zumbidos de abelha em flor silvestre. Ele foi o mais feliz, o mais abundante neologista de termos que respigava no povo, que lhe enfeitiçavam a prosa inconfundível e lhe esmaltavam os diálogos. Nunca desaproveitou a frescura da gleba, tão certo é que as formas nativas da linguagem vêm do povo, que as deixa ao esmeril erudito. Sempre, como já escrevi, por entre os nobres loureiros clássicos, erguem-se nos seus livros os ciprestes românticos e vêem-se lindamente floridos os espinheiros bravos. A par das florações do mais famoso glossário que ainda houve, riem-se as cravinas, o trevo, as madressilvas do povo…
Não veremos, contudo, nas suas obras formas campanudas ou pedantes – de que se riu à farta, em páginas imortais. Foi um milionário com equilíbrio e gosto – que marcou sempre a sua arte de composição literária. Na estética da língua, teremos sempre de contar com o escritor genial, que soube modelar ou cinzelar nas obras, como se fosse em metal ou mármore, a «vera efígie» dum povo. E isto não é pouco: as nações vivem indelevelmente na sua língua escrita, onde lhes fica esculpida a fisionomia, com o seu espírito e os reflexos da sua alma…
Castilho tinha razão quando lhe escrevia: – «Ainda que desaparecessem todos os clássicos, a sua obra ficaria contendo todos os tesouros da língua.» E noutro passo: – «Sim, senhor! é mestre e cem vezes mestre; e de todos os nossos clássicos nenhum há que eu leia com tamanho gosto e aproveitamento.» A tais palavras e a muitas outras de rasgado entusiasmo, responde elegantemente Camilo: «Continua V. Ex.” a ensinar-me português, e diz que lhe enriqueço o seu dicionário. A meu ver, V. Ex.ª não conhece o que é seu: dá-me as jóias, e, quando eu lhas devolvo, entesoura-as em meu nome.»
(In Recordações dum Velho Poeta)

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O Semanário SOL, na sua edição de 30 de Agosto de 2008, disponibilizou para o público leitor mais jovem a adaptação realizada pelo escritor Francisco José Viegas de uma das obras-primas da produção romanesca de Camilo Castelo Branco: “A brasileira de Prazins”.
Com as ilustrações de Sandra Serra, é narrada a história dos amores contrariados de Marta, “a brasileira de Prazins”, e de José Dias de Vilalva. Apesar de ter sido prometida por seu pai, um lavrador remediado, a Zeferino, Marta é obrigada a casar com Bento, um tio paterno que enriquecera no Brasil. Com o falecimento de José Dias de Vilalva e com a realização do casamento contra a sua vontade, Marta enlouquece.
Lê-se no texto de Francisco José Viegas que “todas as cartas que [Marta] escreveu a José Dias e todas as que recebeu do seu namorado proibido acabaram por ser entregues ao padre Osório” que as mostrou a Camilo. “Conservo[-as] entre os meus papéis, em memória de ambos, Marta e José. Esta história só não é triste porque se passou há muito tempo, e devemos aprender com ela o suficiente para nunca cedermos à cobiça, à inveja e à ambição de enriquecer de forma desonesta”.
Casa de Camilo

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