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Posts Tagged ‘A guerrilha literária Eça / Camilo’

Ainda não chegou a hora – chegará ela alguma vez? – de, ultrapassando um triste clubismo literário, reconhecer, com justiça, o que era de Camilo e o que é de Eça. Um conceituado e erudito queiroziano, A. Campos Matos, mostra como a admiração por Eça não impõe o desapreço por Camilo.
No seu recente livro A Guerrilha literária Eça de Queiroz/Camilo Castelo Branco (Parceria A. M. Pereira), documenta, com dados inequívocos, que o velho escritor teve maior interesse e maior conhecimento pela obra do seu camarada mais novo. Camilo comentava livros de Eça, elogiando-os, não sem algumas reservas (O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio) ou não poupando à sua crítica os que julgava ratés (A Relíquia, Madarim). Eça, por seu lado, não tem de Camilo senão um cliché: um grande conhecedor de léxico, que se prevalecia dele para esmagar os adversários e ridicularizar os “brasileiros”. Ao aceitar lugares-comuns sobre Camilo, relevava indiferença ou até desconhecimento da obra camiliana.
O desinteresse por Camilo torna-se mais chocante quando da obra se entende ao homem e ao seu drama. Ignora olimpicamente a morte de Camilo, pois não se conhece nenhuma reacção a esse fim trágico. Se Eça tem precedido no túmulo Camilo, este certamente escreveria um texto em que, sem abdicar do seu espírito crítico, declarava que a originalidade e a graça do seu estilo resgatava defeitos, a ponto de os tornar admiráveis.
João Bigotte Chorão

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