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Posts Tagged ‘Ana Plácido’

27/09/1831 – 27/09/2018

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9 de março de 1888, realiza-se o casamento de Camilo com Ana Plácido, na casa da Rua de Santa Catarina , na cidade do Porto. Camilo estaria já demasiado doente. Presidiu à cerimónia o padre de Santo Ildefonso, na presença dos amigos Dr. Ricardo Jorge, Cónego Alves Mendes, Freitas Fortuna e do filho Nuno.


 

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Programa

10 outubro (sábado)

“Cousas espantosas”*

09h00 – Receção e entrega de documentação

09h30 – Sessão de Abertura
Paulo Cunha, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
José Manuel de Oliveira, Diretor da Casa de Camilo – Museu | Centro de Estudos

 Comunicação inaugural:

Um rio para um escritor: O Douro de Camilo
Gaspar Martins Pereira, Universidade do Porto

10h30 – Pelas gravuras de Camilo

Inauguração de Exposição

11h00 – Deposição de coroa de flores no jazigo de Ana Plácido

Cemitério Paroquial de S. Miguel de Seide

11h15 – Merenda da manhã

11h30 – 1.º Painel – Revisões Camilianas

 Releituras de Camilo: de Mário Cláudio a Hélia Correia
Margarida Braga Neves, Universidade de Lisboa

Camilo e a felicidade: Estudo de novelas camilianas
Serafina Martins, Universidade de Lisboa

12h30 – “Virtuosas Parvoiçadas”* – Debate I

13h00 – “Todo o estômago, bem regulado, produz um génio”*

15h00 – 2.º Painel – Visões Camilianas

Os olhos de Camilo: Duas visões
Frederico Amaral Neves e João Lopes Gomes

Sentimento religioso e anticlericalismo em Camilo e Bernardino Machado
Norberto Ferreira da Cunha, Universidade do Minho

16h15 – “Santas Ousadias”* – Debate II

16h30 – “Encontros Camilianos I” – Apresentação da obra

“Escritores a Norte – Vidas com Obras em Casas d’Escrita: Episódio dedicado a Camilo Castelo Branco” – Antestreia do documentário produzido no âmbito do projeto da Direção Regional de Cultura do Norte, com a presença de Mário Augusto.

17h00 – “Delícias do Repouso”*

Encerramento dos trabalhos

17h10 – “Eu posso bem com isto”* – Lambarices

17h30 – “Abalamos dali para a casa”*

Visita orientada à Casa de Camilo – Museu

 

 

 

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Entre janeiro e outubro de 1868, publica-se a Gazeta Literária do Porto, de que Camilo é o redator. Ana Plácido, usando o pseudónimo de Gastão Vidal de Negreiros, ajuda-o nesta tarefa. Quase todos os textos de Camilo desse jornal foram editados no volume Mosaico e Silva de Curiosidades Históricas, Literárias e Biográficas.

 

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Houve tempo em que, todas as noites, em São Miguel de Seide, se jogava o solo. Quatro parceiros eram certos: Ana Plácido, o filho Nuno, o ator Dias e o abade de Jesufrei. Camilo não jogava. Sentava-se junto de Ana Plácido e ia seguindo o jogo e a discussão entre os parceiros. De quando em quando, no decorrer das vazas, sorria e soltava uma ironia. Uma noite, o abade insistia com o romancista para que jogasse, ao menos, uma partida.

– Não, abade, não…

– Pois desculpe V. Ex.ª que lhe diga, uma partidinha não é pecado, e entretém…

– Oiça, abade, – objetou Camilo – jogo, só com batota. E se eu gostasse de jogar com batota, jogava na política!

 

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O Centro Português de Fotografia promove um percurso para comemorar a data de nascimento de Ana Plácido, dia 27 de setembro, às 15 horas, junto à Câmara Municipal do Porto (Estátua Almeida Garrett).

 

Inscrições – Centro Português de Fotografia

 

 

 

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À meia hora da madrugada é lida a sentença que absorve Camilo e Ana Plácido


O crime de que o réu Camilo Castelo Branco é acusado no Libelo do Ministério Público, e da parte acusadora, de ter cometido adultério com a co-ré Doma Ana Plácido, casada com Manuel Pinheiro Alves, está ou não provado?
– Não está provado por maioria.
A circunstância atenuante do seu bom comportamento anterior, está ou não provada?
– Está provado por maioria.
[…]
Em vista da decisão do Júri que julgou não provado o crime de adultério de que era acusado Camilo Castelo Branco, o absolvo da culpa, dando-se a vénia nele e passando-se mandado de soltura e pague o Autor [Manuel Pinheiro Alves] as custas do processo.

Porto, 16 de outubro de 1861

Jerónimo Ferreira Pinto Basto

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Entre 25 e 27 de Novembro de 2010, decorre, na cidade do Rio de Janeiro, um importante leilão que inclui mais de 100 títulos de Camilo Castelo Branco, além de outras peças raras da Literatura Portuguesa.

Entre elas destacam-se uma contendo dedicatória autografada pelo romancista de Seide para o seu amigo António Feliciano de Castilho e outra com um autógrafo de Ana Augusta Plácido, sua mulher.


SOROPITA, Fernão Rodrigues Lobo. Poesias e Prosas Inéditas. Com prefácio e notas de Camillo Castello Branco. 1ª edição. Porto: Typographia Lusitana, 1868. XXXVIII; 185p. Enc. antiga em ½ couro. Com dedicatória manuscrita e assinada por Camillo Castelo Branco para o amigo e mestre Antonio Feliciano de Castilho. Interessante a anotação abaixo com data e nome do leilão onde foi comprado em 1920.

http://www.babellivros.com.br/

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Foi no Tribunal da Relação do Porto que Camilo Castelo Branco escreveu em duas semanas dias uma obra prima da literatura universal – o romance “Amor de Perdição”. Vale a pena conhecer os bastidores desta história…

1.

Casa da Suplicação

Este edifício alberga hoje o Centro Português de Fotografia e um importante museu de máquinas fotográficas . Fundado por Filipe I (II de Espanha), nas cortes de Tomar de 1583, correspondendo a uma velha aspiração dos portuenses e das gentes do Norte. D. João I havia criado a Casa da Suplicação que funcionou como o mais alto Tribunal até que, em 1834, foi substituído pelo Supremo Tribunal de Justiça. O mais alto magistrado deste pretório era designado por Regedor das Justiças e devia ter qualidades que, ainda hoje podem servir de padrão aos juízes. Estipulavam as Ordenações que, relativamente ao Regedor, «deve procurar-se que seja um homem fidalgo, de limpo sangue, de sã consciência, prudente e de muita autoridade, e letrado se for possível; e sobretudo tão inteiro que sem respeito de amor, ódio ou perturbação outra do ânimo possa a todos guardar justiça igualmente. E assim deve ser abastado de bens temporais, que sua particular necessidade não seja causa de em alguma cousa perverter a inteireza e constância com que deve servir e assim deve temperar a severidade que seu cargo pede, com paciência e brandura no ouvir as partes, que os homens de baixo estado e pessoas miseráveis achem nele fácil e gracioso acolhimento, com que sem pejo o vejam e lhe requeiram sua justiça, para que suas causas se não percam ao desamparo, mas hajam bom e breve despacho».

2.

“Arrasar tudo isto”

Desde o século XV os reis eram pressionados no sentido de aumentarem o número de tribunais de recurso. O problema foi discutido nas cortes de 1472-73 (D. João II). As razões postas baseavam-se na insuficiência das duas casas de justiça que havia, especialmente insuficiência territorial, pois as duas que existem «ficam tão remotas dos extremos do reino que se um homem cai em cadeia ou lhe vem demanda, logo se julga perdido, porque hão-se passar dois, três, quatro anos, e mais, antes que os feitos tenham fim; e, se é preso por delito grave, e tem a justiça por parte, jaz na prisão até fugir dela ou morrer aí» (Gama Barros). O Rei não acedeu, preferindo determinar que a Casa da Suplicação se tornasse itinerante. Em vez disso, concedia «alçada» a quem entendia para julgar «in loco», sem apelo nem agravo, facto que, manifestamente, desagradava. Filipe I, ciente de que tornava uma medida de agrado geral para a população nortenha, acedeu às justas solicitações dos portuenses.

A Cadeia da Relação, justificando o nome, serviu de cárcere até à inauguração da actual cadeia de Custóias, em 1974, após a Revolução de Abril. Os presos eram distribuídos pelos diversos pisos, conforme a sua posição social, um pouco à guisa do inferno de Dante. Nos andares de cima, os mais categorizados, ali se situando os catorze “quartos de malta” (celas individuais). Nos “quintos dos infernos”, no rés-do-chão, os mais pobres, a ralé, onde os detidos se amontoavam em amplos salões com piso de pedra, as enxovias, com catres imundos em redor, os quais, durante o dia, eram levantados por meio de dobradiças, ficando empinados junto às paredes. Essas celas comuns eram conhecidas pelos nomes de Santo António e de Santa Ana, as destinadas a homens, de Santa Teresa para mulheres, de Santa Rita para menores, de S. Victor e o Segredo para castigos. Havia uma oficina denominada Senhor de Matosinhos. A imundice das enxovias tinha o cimento dos anos e das sucessivas gerações de presos. O cheiro das latrinas era nauseabundo. O ambiente soturno e triste, o que levou a exclamar, após uma visita, em 1861: “É preciso arrasar tudo isto!”.

3.

Zé do Telhado

Nos seus soturnos ergástulos albergou muitos presos, alguns célebres: José do Telhado, Camilo Castelo Branco (cela n.º 12). Nesta mesma cela esteve preso o desembargador Gravito, antes de ser enforcado, juntamente com mais nove liberais, em forca instalada na actual Praça da Liberdade, por decisão dos miguelistas. Mais tarde, esteve ali também detido o banqueiro Roriz. Obras recentes preservaram-na. Ana Plácido, então amante de Camilo, esteve instalada num corredor porque não havia celas para senhoras de sociedade. O Duque de Terceira permaneceu, durante algum tempo, na cela n.º 8. O médico que envenenou familiares, Urbino de Freitas, ocupou a n.º 13. João Chagas, por via do seu republicanismo, estava detido nesta cadeia quando eclodiu a abortada revolta de 31 de Janeiro. Os processos relativos a Camilo, Urbino de Feitas e Zé do Telhado, encontram-se no pequeno museu judiciário instalado no Palácio da Justiça do Porto, onde também funciona, actualmente, o Tribunal da Relação, que já tinha saído da Cadeia para se albergar na Rua Formosa, onde, depois, funcionou o Arquivo de Identificação e, agora, está a sede da Liga dos Combatentes.

É interessante supor Camilo Castelo Branco, de imaginação flamejante, a resmungar na sua cela n.º 12, como leão enjaulado, por ter cometido crime que, agora, já nem o é: relações sexuais com mulher casada. Só o adultério da mulher era punido. O homem casado podia impunemente relacionar-se com mulher que não fosse casada. Sendo-o, como era Ana Plácido, então poderia ser punido, com pena grave, extensível a ambos. Aguardaram, durante mais de um ano, presos o julgamento em que o júri não considerou provados os factos e, por isso, foi proferida sentença absolutória. No cárcere, Camilo continuou a escrever e, no silêncio do último piso, onde se situava a cela com janela para nascente – é a que se situa mesmo por baixo do ângulo esquerdo, de quem está virado para ele, do frontão -, o que mais o irritava era o barulhar ritmado e invariável dos passos do carcereiro sobre as tábuas rangentes do sobrado. De noite, nas longas lucubrações, convenceu-se de que o marido enganado, Pinheiro Alves, teria subornado um outro preso para o matar. Confidenciou esse temor a outro preso que também ali se mantinha, José do Telhado. Este sossegou-o, dizendo-lhe: ” Esteja descansado. Se aqui alguém tentasse contra a sua vida, três dias e três noites não chegariam para enterrar os mortos”.

Talvez a aura romântica que se havia de formar à volta do célebre salteador, emergisse também do reconhecimento do escritor pela protecção dispensada. Camilo encerrou o seu livro “Memórias do Cárcere”, desabafando: “Fecham-se as memórias. Eu devia ter dito porque estive preso um ano e dezasseis dias. Não disse, nem digo, porque verdadeiramente ainda não sei porque foi.”

Claro que sabia. O que poderia não entender era o rigor dos preconceitos vitorianos da época, aos quais, afinal, surpreendentemente, o Tribunal se não vergou.

Fonte: Guilherme Pereira

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