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Posts Tagged ‘Aníbal Pinto de Castro’


A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão aprovou por unanimidade um voto de pesar pela morte do director da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco, o professor universitário Aníbal Pinto de Castro. Em reunião do Executivo Municipal, realizada nesta quarta-feira, o voto de pesar apresentado pelo presidente da Câmara, Armindo Costa, foi subscrito por todos os vereadores da maioria PSD-CDS/PP e do PS.

Professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Pinto de Castro faleceu sexta-feira, 8 de Outubro, aos 72 anos, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde estava internado há cerca de um mês. O funeral ocorreu sábado, em Cernache, localidade de onde era natural e onde residia. A sua última aparição em S. Miguel de Seide aconteceu em 26 de Fevereiro de 2010, para receber o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, convidado da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco no ciclo de cinema “Um Livro, Um Filme”.

Aníbal Pinto de Castro prestou uma estreita e inestimável colaboração com o Município de Vila Nova de Famalicão, desempenhando as funções de Director da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco e do Centro de Estudos Camilianos, desde Dezembro de 1995. Em Vila Nova de Famalicão, exerceu igualmente as funções de Director da Biblioteca da Fundação Cupertino de Miranda, cujo Conselho de Administração integrou.

Como forma de reconhecer o seu papel no desenvolvimento da cultura a nível local e nacional, a Câmara Municipal galardoou Aníbal Pinto de Castro com a Medalha de Mérito Municipal Cultural, através da deliberação de 25 de Junho de 2001, e com o título do Cidadão Honorário do Município, mediante deliberação de 25 de Junho de 2008.

PINTO DE CASTRO DOOU CAMILIANA PARTICULAR E ACERVO BIBLIOGRÁFICO DO SÉCULO XIX

Ao ter recebido o título de cidadão honorário das mãos de Armindo Costa, em 9 de Julho de 2008, na sessão solene evocativa do 23º aniversário da cidade de Vila Nova de Famalicão, Aníbal Pinto de Castro anunciou que iria doar parte dos 60 mil títulos que compunham a sua biblioteca pessoal ao município, em particular a bibliografia relativa a Camilo e à literatura do século XIX. “Não encontraria nenhuma instituição melhor para receber a parte da minha biblioteca no que diz respeito a Camilo e ao século XIX do que o Centro de Estudos Camilianos”, afirmou na altura Aníbal Pinto de Castro. Armindo Costa, por seu turno, considerou a doação de Pinto de Castro como “um motivo de orgulho para Famalicão e para os famalicenses”.

Aníbal Pinto de Castro nasceu a 17 de Janeiro de 1938, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 1960, com a tese Balzac em Portugal. Considerado uma das maiores referências das letras em Portugal e no estrangeiro, doutorou-se em Literatura Portuguesa na “sua” universidade, em 1973, e, em 2007, recebeu o doutoramento “honoris causa” pela Universidade Católica Portuguesa, na celebração dos 40 anos desta instituição.

Nomeado Professor Auxiliar na mesma faculdade em 1974, Pinto de Castro passaria a Extraordinário, em 1978, e, finalmente, a Catedrático, em 1981. Desenvolveu uma intensa e vasta actividade docente, regendo cadeiras de Literatura Francesa, Literatura Portuguesa e Estudos Camonianos e assegurando vários seminários em cursos de mestrado da área de Literatura Portuguesa, assim como cursos de graduação e pós-graduação em diversas Universidades nacionais e estrangeiras. Ao longo da sua longa carreira universitária, exerceu as funções de Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, entre 1984 e 2004.

Participou em inúmeros congressos e reuniões científicas, dentro e fora de Portugal, apresentando várias comunicações sobre matérias da sua especialidade, com notável incidência nos períodos clássico e moderno da Literatura Portuguesa, e na obra de escritores como Camões, Padre António Vieira, Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, donde resultou uma bibliografia com mais de duzentos títulos.

Foi membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História, da Real Academia da História de Espanha, da Academia Nacional de História da Venezuela e da Sociedade de Geografia de Lisboa, entre outras instituições científicas. Em Abril de 1998, foi galardoado com o Prémio Internacional de Crítica Literária Jacinto do Prado Coelho, atribuído pelo Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários. Aposentou-se da carreira universitária em Fevereiro de 2005.

Foi Comendador da Ordine al Merito della Republica Italiana, Comendador da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro. No dia 10 de Junho de 2007, Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, galardoou-o com a Ordem de Sant’Iago da Espada.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão apresenta “as condolências e a solidariedade institucional” à família de Aníbal Pinto de Castro.

Fonte: Município de Vila Nova de Famalicão

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A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão vem comunicar a todos os amigos e colaboradores da Casa de Camilo o seu mais profundo pesar pelo desaparecimento do mundo dos vivos do Senhor Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro.

Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra desde 1960, onde concluiu, em 1973, o doutoramento em Literatura Portuguesa. Nomeado Professor Auxiliar na mesma faculdade em 1974, passaria a Extraordinário em 1978 e, finalmente, a Catedrático, em 1981. Desenvolveu uma intensa e vasta actividade docente, regendo cadeiras de Literatura Francesa, Literatura Portuguesa e Estudos Camonianos e assegurando vários seminários em Cursos de Mestrado das áreas de Literatura Portuguesa, assim como cursos de graduação e pós-graduação em diversas Universidades nacionais e estrangeiras.

Na sua larga carreira universitária, ocupou lugar de relevo a direcção da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, entre 1984 e 2004.

Participou em inúmeros congressos e reuniões científicas, dentro e fora de Portugal, apresentando várias comunicações sobre matérias da sua especialidade, com notável incidência nos períodos clássico e moderno da Literatura Portuguesa, e na obra de escritores como Camões, Padre António Vieira, Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, donde resultou uma bibliografia com mais de duzentos títulos.

Foi membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História, da Real Academia da História de Espanha, da Academia Nacional de História da Venezuela e da Sociedade de Geografia de Lisboa, entre outras instituições científicas.

Em Abril de 1998, foi galardoado com o Prémio Internacional de Crítica Literária Jacinto do Prado Coelho, atribuído pelo Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários.

Aposentou-se em Fevereiro de 2005.

Recebeu o doutoramento Honoris causa pela Universidade Católica Portuguesa em 2007.

Foi Comendador da Ordine al Merito della Republica Italiana, Comendador da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro. No dia 10 de Junho de 2007, Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, galardoou-o com a Ordem de Sant’Iago da Espada.

Prestou uma estreita e inestimável colaboração com o Município de Vila Nova de Famalicão, desempenhando as funções de director da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco e do Centro de Estudos Camilianos, desde Dezembro de 1995, e de Director da Biblioteca da Fundação Cupertino de Miranda, cujo Conselho de Administração integrava.

Neste sentido, a Câmara Municipal galardoou o Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro com a Medalha de Mérito Municipal Cultural, através da deliberação de 25 de Junho de 2001, e o título do Cidadão Honorário do Município, mediante deliberação de 25 de Junho de 2008.

O funeral realiza-se amanhã, dia 9 de Outubro, às 11h00, com celebração eucarística na Igreja de Cernache (Coimbra).

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De entre todos os órgãos do corpo humano foi certamente o coração aquele que, desde a mais remota antiguidade, maior riqueza de significados simbólicos à linguagem literária ofereceu na expressão dos sentimentos reais ou fictícios do homem. Para não falar dos Egípcios e das culturas hindus, basta recordar que na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, o coração surge como sede da vida intelectual, afectiva e moral. Para os Gregos, Platão, no século V a.C., nele localiza a inteligência, enquanto, no século seguinte, com Erasístrato, o coração converte-se no órgão do amor.
Na Idade Média esse órgão vital do homem, além de lhe servir de sede à vivência lírica, é também a faculdade da memória e da coragem, valores semânticos que, hoje desaparecidos, perduram apenas na etimologia de certas expressões, como saber ou aprender de cor, coragem ou encorajar.
Mas é a expressão do sentir afectivo, em especial do amor, que prevalece a partir da Idade Média, com maior ou menor incidência, consoante a sensibilidade, contribui para definir os códigos temáticos e retórico-estilísticos que caracterizam os períodos literários. E é no Romantismo que o coração atinge o cume da sua vigência como elemento temático-formal da expressão literária.
Ora Camilo Castelo Branco, representando porventura a expressão mais completa dessa estética em toda a literatura portuguesa, e de modo especial na ficção narrativa, oferece inquestionavelmente o exemplo mais rico e variado do consumo semântico e estilístico dessa palavra em toda a história da língua portuguesa. Daí o grande interesse deste estudo do distinto médico cardiologista, Dr. António Costa Gil de Sousa Prates.
Não se trata – claro está – de um estudo literário propriamente dito. Como leitor assíduo de Camilo, o autor quis dar-nos uma espécie de levantamento interpretativo da ocorrência da palavra coração na extensa obra do escritor, fornecendo depois como pábulo suculento os resultados dessa pesquisa a quantos com ele gostam de partilhar o prazer de ler esses textos com mão diurna e nocturna.
E os resultados são vários e compensadores.
Em primeiro lugar permitem caracterizar os cenários do palco em que desenrolam, sob as múltiplas expressões da virtualidade narrativa, os dramas dessa “comédia humana”, especialmente na contraposição entre os direitos da materialidade da burguesia, mais ou menos boçal, enriquecida no comércio dos balcões portuenses, muitas vezes à custa da labuta dos brasileiros de torna-viagem, e os ideais da sensibilidade, sobretudo feminina, alimentados pela leitura de poesia de melhor ou de pior qualidade.
Em segundo lugar funcionam com significativa frequência para exprimir um dos estigmas mais importantes da mundividência romântica, como é o fatalismo através do qual as personagens sentem a vida, oferecendo-lhes para ele, não apenas a sede psicológica e emocional como os símbolos indispensáveis à sua mais adequada expressão.
Depois, permitiam-lhe caracterizar, pelo estilo, as personagens, com as cores da sua hábil paleta estilística, que se movimentavam em cena, graças à imaginação do escritor, não raro alimentada com a linguagem que ele próprio tão bem conhecia e usava no seu quotidiano biográfico.
Em terceiro lugar identificam com marca inconfundível o seu estilo, quer quando se serve deles para construir os diálogos, quer quando assume as suas funções de narrador, seja qual for o estatuto escolhido para as desempenhar. E, através desse uso, domínio estrito das personagens, consegue alcançar uma excelente definição de todo um estilo de época, assim contribuindo definitivamente para a definição periodológica do Romantismo, momento por certo tão alto da criação literária em Portugal que as suas repercussões se prolongaram em ondas sucessivas até ao Modernismo, sobretudo através de Decadentistas e Simbolistas, e no qual a prosa camiliana tanto relevo alcançou.
Estes são apenas alguns motivos de interesse deste livro, que doravante não poderá deixar de figurar nas estantes de qualquer camilianista.
Aníbal Pinto de Castro

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Têm as grandes obras e os grandes criadores o condão mágico de permitirem a criação de grandes espaços de encontro cultural, numa espécie de respublica spiritualis, que não conhece as limitações do tempo, nem as fronteiras dos géneros ou das formas de expressão que naturalmente distinguem os artistas, ou sequer as legítimas diferenças de ideologia, de crença ou de acção política que possam separar os homens!
Camilo e a sua obra são por certo uma dessas realidades multímodas, polissémicas e perenes que, desde há mais de um século e meio mais poderosamente suscita e congrega as atenções, os interesses estéticos, a força prometaica dos criadores e o empenho dos estudiosos da sociedade portuguesa moderna. E uma das mais evidentes provas desta minha afirmação é, mesmo quando passa despercebida aos olhos tantas vezes desatentos do nosso mundo cultural, é o Prémio Casa de Camilo, [entregue] ao cineasta Manoel de Oliveira.
Com efeito, desde que foi criado, o Prémio tem distinguido estudiosos de Camilo, como Jacinto do Prado Coelho, Alexandre Cabral ou Manuel Simões, editores da sua obra, como a Livraria Lello, do Porto, sucessora de um dos mais fiéis editores do Escritor, que foi Ernesto Chardron, e agora um cineasta da craveira de Manoel de Oliveira, em cuja obra os dramas de Camilo e das suas personagens têm parte tão significativa, pela quantidade, pela qualidade mas, com não menor dimensão, pelos caminhos verdadeiramente renovadores que com o seu tratamento rasgou no campo da sétima arte, justamente numa intersecção que tão difícil e polémica se tem mostrado desde a sua invenção, como é o do tratamento cinematográfico da obra literária ou da difícil personalidade dos seus criadores.
Grande e renovadora é, na verdade, a presença da matéria camiliana na obra cinematográfica de Manoel de Oliveira.
(mais…)

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A edição do Encontro ‘Saber Trás-os-Montes’ de 2008, organizado pelo Grémio Literário Vila-Realense e tendo de novo por tema a figura de Camilo Castelo Branco, decorrerá nos dias 10, 11 e 12 de Outubro (fim-de-semana), no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, em Vila Real.
Estão previstas intervenções de Aníbal Pinto de Castro, Bento da Cruz, Ernesto Rodrigues, Eurico Figueiredo, João Bigotte Chorão e Maria Alzira Seixo.
Estão também previstas acções complementares, como a apresentação do n.º 49 da Revista Tellus, uma visita ao Fojo do Lobo e a lugares camilianos em Ribeira de Pena, e a apresentação de Camilo e Ana Plácido – Episódios ignorados da célebre paixão romântica, de Manuel Tavares Teles (Edições Caixotim), entre outras surpresas.
Será distribuído diverso material bibliográfico e iconográfico.
Inscrições no Grémio Literário Vila-Realense (e-mail: gremio@cm-vilareal.pt; telefone: 259 303 083).

Programa (sujeito a alterações de pormenor)

Dia 10 de Outubro
Sexta-feira
19h00 – Jantar de Abertura (Estalagem Quinta do Paço)
21h30 – Apresentação de Camilo e Ana Plácido – Episódios ignorados da célebre paixão romântica, de Manuel Tavares Teles por João Bigotte Chorão (Edições Caixotim)

Dia 11 de Outubro
Sábado
09h00 – Recepção
09h30 – Sessão de Abertura e apresentação do n.º 49 da Revista Tellus
10h00 – Prof. Doutor Ernesto Rodrigues: A poesia em Camilo
10h45 – Doutor João Bigotte Chorão: Camilo a ocidente e oriente
11h30 – Pausa para café
11h45 – Prof.ª Doutora Maria Alzira Seixo: Memórias do Cárcere – a cadeia das relações
12h30 – Almoço volante no Grémio Literário Vila-Realense
14h30 – Partida para Ribeira de Pena – Visita a locais camilianos seguida de merenda oferecida pela Câmara Municipal de Ribeira de Pena

Dia 12 de Outubro
Domingo
09h00 – Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro: Apresentação do Centro de Estudos Camilianos de Vila Nova de Famalicão
09h45 – Escritor Bento da Cruz: Realidade e fantasia em Camilo Castelo Branco
10h30 – Pausa para café
10h45 – Prof. Doutor Eurico Figueiredo: “Amor de Perdição”: Paradigma do conflito de gerações
11h30 – Partida para o Fojo do Lobo da Samardã
13h00 – Almoço (Restaurante O Forno)

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