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Posts Tagged ‘Beatriz de Vilalva’

A iniciativa tem como objetivos principais fomentar o gosto pela leitura dos textos de Camilo Castelo Branco e proporcionar a partilha de abordagens e de interpretações da prosa do romancista de São Miguel de Seide.
Para cada sessão é sugerida a leitura prévia de um texto de Camilo, o qual é cedido gratuitamente pela Casa de Camilo, desde que solicitado para o endereço eletrónico geral@camilocastelobranco.org.


Beatriz de Vilalva
: Era o nome da encantadora bastarda do capitão-mor da Lixa.
Vivia, com sua mãe, na quinta de Vilalva, com que fora dotada, aos quinze anos, para casar, aos dezoito, com o morgado de Pildre, Vasco Pinto de Magalhães.
Isto são cousas antigas. Era no ano de 1834. Há quarenta anos. Um século doutras eras, quando vinte anos eram mocidade inocente, e, aos quarenta, o homem tenteava com tímido pé os umbrais do mundo. Agora …

Formador: Sérgio Paulo Guimarães de Sousa
Local: Casa de Camilo – Museu (S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão)
Público-alvo: maiores de 16 anos (número máximo de 30 participantes por sessão)

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Tendo por base os textos do escritor Camilo Castelo Branco, a Casa de Camilo vai realizar um roteiro pelas igrejas de: Requião, Abade de Vermoim, Esmeriz, Landim, Seide.

Apresentação do conto “Beatriz de Vilalva” – 21h30

Igreja de Esmeriz

“Era o nome da encantadora bastarda do capitão-mor da Lixa.
Vivia, com sua mãe, na quinta de Vilalva, com que fora dotada, aos quinze anos, para casar, aos dezoito, com o morgado de Pildre, Vasco Pinto de Magalhães.
Isto são cousas antigas. Era no ano de 1834. Há quarenta anos.
[…] Beatriz orçava então pelos dezassete. No ano seguinte, devia casar-se com o morgado de Pildre, que tinha cinquenta e seis anos, e uma casaria negra, às cavaleiras de Amarante, com duas torres senhoriais escalavradas pela artilheria, no tempo dos franceses.”

20h00 – Concentração: Casa de Camilo
22h30 – Chegada: Casa de Camilo
Inscrições (limitadas a 20 lugares)

 

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BRAGA, João Paulo – «”Beatriz de Vilalva” (Camilo Castelo Branco): da realidade à ficção; da ficção à narração». Revista Portuguesa de Humanidades – Estudos Literários (Universidade Católica Portuguesa – Faculdade de Filosofia de Braga), 11 – 2, 2007, pp. 127-144.

Sobre o volume Noites de Insónia, constituído por uma série de textos publicados por Camilo, mensalmente, de Janeiro a Dezembro de 1874, afirma Sérgio de Castro: «Há de tudo nestes livrinhos preciosos, onde se reflecte, tanto ou mais que nos romances, a sua individualidade; onde se antemostram os expedientes e recursos da sua faina de escritor profissional; por onde se apreendem os instrumentos da sua laboração» (Camillo Castello Branco – Typos e episodios da sua galeria. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1914. Vol. II, p. 238).
O conto “Beatriz de Vilalva”, inserto no nº 10 (Outubro), comprova a afirmação do citado crítico, apresentando-se como um dos textos que melhor exemplificam sobretudo os processos de efabulação (a inventio, segundo a velha retórica) do mestre de Ceide, particularmente no que diz respeito à questão – fundamental na narrativa camiliana – das relações entre realidade e ficção.
No conto, é narrado o caso de Beatriz, “a encantadora bastarda do capitão-mor da Lixa”, que, desobedecendo à autoridade paterna, recusa o casamento acertado com o morgado de Pildre e, na véspera, desaparece. Passados muitos anos, aparece na residência paroquial de “S. P. de E.”, no velório do pároco, João de Queirós, o amor da sua vida, com quem fugira para viver amancebada, numa reclusão de trinta e sete anos. Jorge de Faria, num artigo do Diário da Manhã (1 de Junho de 1934), expôs os fundamentos reais em que Camilo assentou o enredo, correspondente a um caso efectivamente sucedido em Esmeriz (S. Pedro de Esmeriz), Vila Nova de Famalicão. Mas, como é típico de Camilo, a despeito dos famosos protestos de verdade e de fidelidade de quem dizia não ter imaginação, apenas memória, a matéria factual foi sujeita a um processo de transformação ficcional. É essa a perspectiva escolhida por João Paulo Braga para a análise deste conto, que nos propõe num artigo do último número (11, fasc. 2) da Revista Portuguesa de Humanidades, da Faculdade de Filosofia de Braga (Universidade Católica Portuguesa), uma escola com boa tradição nos estudos camilianos. O autor do artigo demonstra como o romancista trabalhou a narração, de modo a captar a atenção do leitor, e como trabalhou a ficção, operando, com a imaginação e a sensibilidade romântica, transformações na matéria real, de modo a torná-la mais “narrativa”, mais poética, mais dramática, e imprimindo-lhe as ressonâncias autobiográficas habitualmente presentes na sua ficção.
Casa de Camilo

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