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Posts Tagged ‘Camilo Castelo Banco’

[…] No meio destas angústias, falta-me só uma: eu não me importo que o banco ultramarino desse à luz mais 4 ladrões inéditos; não me importo que a sociedade se dissolva; o que muito sinto é ter eu de me dissolver; e sinto também que o meu amigo Carvalho [o seu genro] não abunde nas mas ideias. Diz-lhe que o pior é ter a gente de deixar o mundo amanhã ou depois, com a mesma dose de patifes que cá estavam quando entramos. Diz-lhe que a espécie humana foi sempre assim: que no século passado os ladrões eram os nobres que vampirizavam o sangue das classes inferiores; hoje são os burgueses que se estão devorando uns aos outros, porque não há fidalgos que delapidar, nem clero que mandar mendigar, nem povo que se preste a ser roubado. Diz-lhe que as civilizações são todas fatalmente assim. Atribuir a crise social ao luxo é o mesmo que culpar o dezembro por que ele é frio. Não está nos homens o vício: está na instituição. A humanidade vai arrastada por uma onda; mas la virá a ressaca, a reação que a reponha em mar menos aparcelado.

A França já teve três cataclismos e está vigorosa, rica, cheia de indústrias e de desmoralização. Esta ultima qualidade não é boa; mas é fatalmente necessária. Portugal é o país da Europa menos exposto aos grandes cataclismos, e por isso mesmo a nossa prosperidade há de manter-se sempre na mediania em que está. Se fossemos infelizes, ter-se-ia manifestado a febre revolucionaria, o regicídio, os terríveis clamores da fome. O que temos é muitíssimo ladrão […]

 (In Carta de Camilo a sua filha Bernardina Amélia)

 

 

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«A QUEM LER
Esta novela parece demonstrar que sucedem casos incríveis.
O autor conheceu algumas personagens e soube como se passaram as coisas aqui referidas.
Pois, assim mesmo, tão incongruentes lhe parecera que ficou longo tempo indeciso se lhe seria melhor inventá-las para saírem mais verosímeis do que as verdadeiras.
…»

 

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«Admire-lhe primeiro o coração e depois o espírito.»
Soares dos Santos

 

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«Camilo, na sua imensa galeria de produções literárias, deixou bem assinaladas, para os contemporâneos e para os vindouros, as feições do seu talento…
Cada um dos seus romances principais, estudados de per si, e sem a menor referência a outros igualmente importantes, reúne os dotes variados e opulentos da sua individualidade.»

Ricardo Guimarães, Visconde de Benalcanfor

 

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«A pátria de Camilo não é Portugal – a sua pátria verdadeira é o Norte. E poucas terras como Vila Real poderão reivindicar para si o título de sagrado lugar camiliano. Para aqui veio, menino, e moço, e órfão, confiado aos incertos cuidados maternais da tia Rita Emília, irmã daquele Simão Botelho que Camilo salvou do esquecimento eterno, fazendo-o protagonista de uma tragédia – uma das raras tragédias que ainda se escreveu em Portugal. Aqui nasceram o pai e o avô do escritor e também o que viria a ser cunhado – Francisco José de Azevedo, irmão do bom padre António, primeiro mestre de Camilo em letras e virtude. Aqui revelou ele, em verdes anos, feições dominantes do seu carácter, rebelde e pugnaz. Aqui lhe nasceu uma filha, fruto dos amores à margem da lei dos homens e da lei de Deus. Aqui se revelou a sua veia literária como articulista e epistológrafo ao serviço de namorados inábeis para exprimir os seus sentimentos, Aqui foi vago funcionário e dramaturgo representado.

Falar de Camilo em Vila Real é, pois, grave responsabilidade, porque é falar de um santo de casa que faz o milagre de nos reunir ao redor do seu nome e da sua sombra – sombra tutelar, verdadeiro genius loci que invocamos propiciatoriamente para os nossos trabalhos.»

João Bigotte Chorão, In Boletim da Casa de Camilo

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«… Mas abordemos o colosso, o Jeová da literatura portuguesa – Camilo Castelo Branco. Quem quisesse escrever o elogio condigno deste portento de ter, pelo menos, tanto talento como ele.
Não sei que receio me faz estremecer a pena quando vou escrever acerca do Mestre, do homem incomparável que ocupa lugar de honra na esplêndida galeria dos imortais.»

Trindade Coelho

 

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Ana Augusta Plácido

Era num baile. Ondulava

D´ouro e sedas o salão:

O ar, que ali se aspirava,

Escaldava o coração.

Tinha fogo o olhar da virgem,

Fogo d´amor, de vertigem,

Qual o que inflama o pudor;

Tinha a mulher, anjo ou fada,

Uma existência encantada,

Um condão fascinador!

(In Inspirações)


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