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Posts Tagged ‘Carta’

«Os namoros, para o bom fim, principiam por uma carta, na qual o suplicante confessa, que – desde a primeira vez que viu a menina a chama do mais ardente amor que queima seu sensível coração. Esta frase de serventia universal, e passar ao menos uma vez cada dia à porta de quem se ama, são necessidades de primeira ordem»

(In Dispersos de Camilo)

 

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[…] No meio destas angústias, falta-me só uma: eu não me importo que o banco ultramarino desse à luz mais 4 ladrões inéditos; não me importo que a sociedade se dissolva; o que muito sinto é ter eu de me dissolver; e sinto também que o meu amigo Carvalho [o seu genro] não abunde nas mas ideias. Diz-lhe que o pior é ter a gente de deixar o mundo amanhã ou depois, com a mesma dose de patifes que cá estavam quando entramos. Diz-lhe que a espécie humana foi sempre assim: que no século passado os ladrões eram os nobres que vampirizavam o sangue das classes inferiores; hoje são os burgueses que se estão devorando uns aos outros, porque não há fidalgos que delapidar, nem clero que mandar mendigar, nem povo que se preste a ser roubado. Diz-lhe que as civilizações são todas fatalmente assim. Atribuir a crise social ao luxo é o mesmo que culpar o dezembro por que ele é frio. Não está nos homens o vício: está na instituição. A humanidade vai arrastada por uma onda; mas la virá a ressaca, a reação que a reponha em mar menos aparcelado.

A França já teve três cataclismos e está vigorosa, rica, cheia de indústrias e de desmoralização. Esta ultima qualidade não é boa; mas é fatalmente necessária. Portugal é o país da Europa menos exposto aos grandes cataclismos, e por isso mesmo a nossa prosperidade há de manter-se sempre na mediania em que está. Se fossemos infelizes, ter-se-ia manifestado a febre revolucionaria, o regicídio, os terríveis clamores da fome. O que temos é muitíssimo ladrão […]

 (In Carta de Camilo a sua filha Bernardina Amélia)

 

 

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«O Douro passa em baixo silencioso e triste, coleando-se no leito fragoso, em que a mão omnipotente do homem abriu dois caminhos marginais, que vão, na orla direita, encontrar o sombrio palácio do Freixo com as suas quatro torres…»
(In O Porto e a Carta, 12-4-1855)

 

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«As comparações são a desgraça do talento.»
(In Carta a Silva Pinto)

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«Vi hoje nos jornais a notícia da morte de uma D. Patrícia Emília de Barros, de Vila Real. Era mãe de minha filha Amélia. É um, aviso. As personagens da minha comédia vão assim caindo no palco em que eu já mal posso andar. Não me produziu tristeza grande nem profunda saudade.»

Camilo Castelo Branco
(In Carta a Manuel Negrão, de 21-2-1885)

 

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Ill.mo e Ex.mo Sr.

Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa n’este país durante 40 anos de trabalho.
Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego.
Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas.
Há poucas horas ouvi ler no Comercio do Porto o nome de V. Ex.a. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança.
Poderá V. Ex.a salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procura-lo. Não posso.
Mas poderá V. Ex.a dizer-me o que devo esperar d’esta irrupção sanguínea n’uns olhos em que não havia até há pouco uma gota de sangue?
Digne-se V. Ex.a perdoar á infelicidade estas perguntas feitas tão sem cerimónia por um homem que não conhece.

Camilo Castelo Branco

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