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Posts Tagged ‘Carta’

«O Douro passa em baixo silencioso e triste, coleando-se no leito fragoso, em que a mão omnipotente do homem abriu dois caminhos marginais, que vão, na orla direita, encontrar o sombrio palácio do Freixo com as suas quatro torres…»
(In O Porto e a Carta, 12-4-1855)

 

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«As comparações são a desgraça do talento.»
(In Carta a Silva Pinto)

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«Vi hoje nos jornais a notícia da morte de uma D. Patrícia Emília de Barros, de Vila Real. Era mãe de minha filha Amélia. É um, aviso. As personagens da minha comédia vão assim caindo no palco em que eu já mal posso andar. Não me produziu tristeza grande nem profunda saudade.»

Camilo Castelo Branco
(In Carta a Manuel Negrão, de 21-2-1885)

 

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Ill.mo e Ex.mo Sr.

Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa n’este país durante 40 anos de trabalho.
Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego.
Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas.
Há poucas horas ouvi ler no Comercio do Porto o nome de V. Ex.a. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança.
Poderá V. Ex.a salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procura-lo. Não posso.
Mas poderá V. Ex.a dizer-me o que devo esperar d’esta irrupção sanguínea n’uns olhos em que não havia até há pouco uma gota de sangue?
Digne-se V. Ex.a perdoar á infelicidade estas perguntas feitas tão sem cerimónia por um homem que não conhece.

Camilo Castelo Branco

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