Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Eça de Queirós’

«[…] Eça de Queiroz, grande talento, mas apenas grande talento e jamais criador. E daí a grandeza de Camilo, sempre ele, sem lições de ninguém, descobridor, nascente e nunca torneira de água encanada, servido pelo essencial poder de expressão que lhe provinha de saber português, saber da arte de escrever, sem a qual: nicles! A grandeza de Camilo estava onde só podia estar, nele próprio, em originariamente sentir, no poder do coração e dos nervos. E à parte de qualquer escola: em todas e em nenhuma, como todos os grandes de todos os tempos. Aí o segredo da abelha…»
(In «Nó Cego», de Tomaz de Figueiredo)

Read Full Post »

Os clientes da operadora Vodafone já podem adquirir algumas das grandes obras portuguesas em formato electrónico para ler a partir do telemóvel. Os e-books custam 2,49 ou 3,99 euros, dependendo do título.

Entre os livros electrónicos agora disponíveis estão «Viagens na Minha Terra», de Almeida Garrett e «Amor de Perdição», de Camilo Castelo Branco. Mas também «O Crime do Padre Amaro», de Eça de Queirós, e «Mensagem», de Fernando Pessoa incluem a lista dos livros digitais que os utilizadores vão poder ler a partir do telemóvel. Bocage, Alexandre Herculano e Gil Vicente completam a lista dos autores que, para já, integram esta iniciativa, informou a empresa, num comunicado citado pela agência Lusa.

Este novo serviço da operadora resulta de uma parceria com a editora portuguesa Atlântico Press e com a plataforma de livros digitais Mobcast e está direccionada em «exclusivo para o mercado português».

Nesta primeira fase, vão ser colocados à venda 18 livros e, nas próximas semanas, mais 14.

«Os e-books estão disponíveis para download numa gama alargada de telemóveis, a partir da Loja de Apps da Vodafone». A empresa disponibiliza livros digitais desde Fevereiro, contando com cerca de 250 títulos estrangeiros.

Fonte:  Agência Financeira

Read Full Post »

Ainda não chegou a hora – chegará ela alguma vez? – de, ultrapassando um triste clubismo literário, reconhecer, com justiça, o que era de Camilo e o que é de Eça. Um conceituado e erudito queiroziano, A. Campos Matos, mostra como a admiração por Eça não impõe o desapreço por Camilo.
No seu recente livro A Guerrilha literária Eça de Queiroz/Camilo Castelo Branco (Parceria A. M. Pereira), documenta, com dados inequívocos, que o velho escritor teve maior interesse e maior conhecimento pela obra do seu camarada mais novo. Camilo comentava livros de Eça, elogiando-os, não sem algumas reservas (O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio) ou não poupando à sua crítica os que julgava ratés (A Relíquia, Madarim). Eça, por seu lado, não tem de Camilo senão um cliché: um grande conhecedor de léxico, que se prevalecia dele para esmagar os adversários e ridicularizar os “brasileiros”. Ao aceitar lugares-comuns sobre Camilo, relevava indiferença ou até desconhecimento da obra camiliana.
O desinteresse por Camilo torna-se mais chocante quando da obra se entende ao homem e ao seu drama. Ignora olimpicamente a morte de Camilo, pois não se conhece nenhuma reacção a esse fim trágico. Se Eça tem precedido no túmulo Camilo, este certamente escreveria um texto em que, sem abdicar do seu espírito crítico, declarava que a originalidade e a graça do seu estilo resgatava defeitos, a ponto de os tornar admiráveis.
João Bigotte Chorão

Read Full Post »