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Posts Tagged ‘Escola Médico-Cirúrgica do Porto’

O infortúnio e a tendência aventurosa de Camilo Castelo Branco são responsáveis pelos mitos que se desenvolveram à sua volta. O escritor é um dos principais responsáveis (senão o primeiro) por essa aura, não só perante o carácter heterogéneo da sua obra (desde o romance ao ensaio e às memórias), mas também pelo mistério que sempre alimentou sobre a sua própria vida, a começar nas origens, e a continuar no seu espírito aventuroso… Camilo Castelo Branco – Memórias Fotobiográficas (1825-1890) de José Viale Moutinho conduz-nos com mestria no percurso multifacetado de um nossos maiores escritores, mas, mais do que isso, leva-nos ao Portugal profundo do século XIX, que o autor de Amor de Perdição representa e descreve. Figura muitas vezes desconhecida, apesar do sucesso dos seus livros e da paixão que suscita ainda hoje em tantos leitores, Camilo protagonizou uma vida atribulada de romântico que teve a lucidez de se libertar dos constrangimentos de escola que esterilizaram outras promessas. Homem cultíssimo, estudioso exaustivo da história e da sociedade, romancista fecundo — Camilo soube ultrapassar as poderosas baias românticas, indo ao encontro das tendências modernas do seu tempo. A partir de uma personalidade muito forte, o retrato que encontramos de Camilo é a representação de alguém cujo talento resulta de um cadinho onde se misturam ingredientes quase explosivos da sociedade antiga e da sociedade contemporânea, que o escritor procura contraditoriamente compreender.
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“O órgão que o senhor António respeitava mas na sua economia eram os bofes, de que se queixava pondo a mão no estômago. Naturalmente supunha que tinha o fígado no peito. Era um erro de anatomia desculpável. Eu próprio, que já tive a honra de vos dizer que sei tudo e mais alguma coisa, não tenho a absoluta certeza da colocação do fígado, suposto que fui em anatomia estudante profundo, a ponto de querer provar que o duodeno (tripa de doze polegadas) tinha, pelo menos, trinta e duas braças. E ainda hoje estou nisto, diga lá o que disser Bichat, e Soares Franco”.
(In A filha do arcediago)

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