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Posts Tagged ‘imaginação’

“Saímos para a romaria, não menos alegres que o populacho que enchia a estrada.

Comunicavam-nos a sua alegria de bailadeiras incansáveis, com o vestido arregaçado a meia perna, e os garridos lenços soltos ao capricho das evoluções lúbricas da Sirandinha e Cana verde. Chasqueávamos os carroções, tirados por parelhas de gemebundos bois, costa acima por aqueles algares de Vila Nova de Gaia, a trasbordarem cabeças de numerosíssimas famílias que se empilhavam, sabe Deus como.

Aproveitamos o ridículo de tudo, e até do sério tirávamos o sal que a nossa alegre imaginação lhe emprestava.”

(In Duas horas de leitura)

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«Escrever as coisas como elas se passam no mundo, como nós as vemos por aí! Então é melhor não dar cópias da realidade. O que a gente quer é que o romancista nos pinte a sociedade, a vida e as paixões melhores ou piores, do que são. Regala estar lendo uma cena sem naturalidade, e dizer “isto não é assim; mas, se assim fosse, era mais agradável o mundo”.

Onde está a imaginação do novelista, que repete o que viu, ou leu, ou lhe contaram?! É como dizerem que o teatro deve ser a fotografia da vida! Vão para lá com os seus dramazinhos verdadeiros, e verão que nem os músicos da orquestra lhos aturam. O romance é tal e qual a mesma coisa.

Se nos não maravilha, enfada-nos.»

(In O Romance de um homem rico)

 

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«Eu penso que a realidade é de si tão fértil que não preciso pedir de empréstimo à imaginação.»
(In Um homem de brios)

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Eu não tenho imaginação, tenho memória, memória do que vi, do que senti, do que experimentei. Se descarno as pinturas, se descrevo uma cena friamente, é por que assim os olhos, que a viram, a levaram à alma, que a imprimiu em si. Se me deixo ir nos arrobos de coração, que se ala para o impercetível, desesperado de incorporar na palavra o que só é de foro íntimo da alma, é por que, em tal situação, na presença de tal facto, ouvindo tal história, vendo tal mulher ou homem, senti assim, compreendi assim o que talvez outros e outras almas vissem e entendessem de outro modo.
O certo é que não imagino, ou apenas imagino, se pode dizer-se imaginar, épocas, lugares, nomes, miudezas, generalidades. Não há outro lavor neste e nos outros romances.
(In Vingança)

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