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Posts Tagged ‘João Paulo Braga’

 

A iniciativa tem como objetivos principais fomentar o gosto pela leitura dos textos de Camilo Castelo Branco e proporcionar a partilha de abordagens e de interpretações da prosa do romancista de São Miguel de Seide.

Para cada sessão é sugerida a leitura prévia de um texto de Camilo, o qual é cedido gratuitamente pela Casa de Camilo, desde que solicitado para o endereço eletrónico geral@camilocastelobranco.org .

Texto: “A flor da maia”
Formador: João Paulo Braga
Local: Casa de Camilo – Museu (S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão)
Horário: Das 21h30 às 23h00.
Público-alvo: maiores de 16 anos (número máximo de 30 participantes por sessão)

 

 

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A iniciativa tem como objetivos principais fomentar o gosto pela leitura dos textos de Camilo Castelo Branco e proporcionar a partilha de abordagens e de interpretações da prosa do romancista de São Miguel de Seide.

Para cada sessão é sugerida a leitura prévia de um texto de Camilo, o qual é cedido gratuitamente pela Casa de Camilo, desde que solicitado para o endereço eletrónico geral@camilocastelobranco.org .

Formador: João Paulo Braga

 

 

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Poderá solicitar o texto, que é cedido gratuitamente pela Casa de Camilo, para o endereço eletrónico
geral@camilocastelobarnco.org

 

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No dia 15 de Julho de 1866, António Feliciano de Castilho, seu filho Eugénio e o poeta Tomás Ribeiro vieram a S. Miguel de Seide visitar Camilo Castelo Branco. Ana Plácido, para assinalar o acontecimento, mandou erigir uma lápide que ainda hoje se mantém como um dos pontos de interesse do exterior da Casa de Camilo.
Foi sob o signo dessa visita que se iniciou a Acção de Formação Bibliotecas Escolares, Leitura e Literacias no 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e Secundário (30 horas), promovida pelo Centro de Formação Associação de Escolas de V. N. Famalicão e frequentada por um grupo de vinte professores – de Português, de Inglês e de Francês, do segundo e terceiro ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, com o objectivo, justamente, de “visitar” a obra riquíssima do romancista. Mas, como em Camilo, visitar a obra implica visitar a vida, o grupo de formação realizou, no dia 1 de Julho uma visita à casa onde essa atribulada vida se desenvolveu durante mais de vinte e cinco anos e de onde saiu grande parte da produção literária do autor. E, embora esse espaço fosse já conhecido da maioria dos formandos, aquelas paredes, os objectos, os móveis ganham um interesse sempre novo, quando a visita é acompanhada pela leitura de textos camilianos alusivos a esse cenário e quando é guiada e animada pelo Sr. Reinaldo Ferreira.
Castilho e companhia saíram de Seide com saudades daquela “Quinta das Delícias” e da Amélia de Landim. Nós saímos com redobrada motivação para ler e reler a prosa sempre viva do génio de Seide e para a partilharmos com os nossos alunos, tirando-a da prateleira onde incompreensivelmente os programas escolares a deixaram a ganhar pó.
João Paulo Braga

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De Famalicão a Seide, seguindo os passos de Camilo no caminho por ele tantas vezes percorrido, ou seguindo os passos do romancista nos caminhos de papel da sua produção ficcional, é um dos lugares obrigatórios a igreja de S. Tiago de Antas. Foi lá que nós, grupo de professores em formação sobre a obra de Camilo Castelo Branco (Centro de Formação Júlio Brandão de Vila Nova de Famalicão), enquanto admirávamos a fachada gótica, na tarde quente de 16 de Julho, avistámos a chegada de um romeiro, acompanhado de um escravo negro. Era aquele Rui Gomes de Azevedo, o Senhor do Paço de Ninães, que, tantos anos depois, regressava do seu longo exílio por terras de África e de Ásia, para onde partira com o desgosto que Leonor Correia de Lacerda perfidamente lhe causou, ao aceitar o casamento com o primo João Esteves Cogominho. E quando o romeiro, informado pelo abade, seguiu caminho em direcção ao Solar de Pouve, habitado por Leonor Correia de Lacerda, viúva, entrevada e louca, cujo único liame que a prendia à vida era a esperança de voltar a ver Rui e obter o seu perdão, seguimos os seus passos. Junto ao Solar de Pouve ouvimos os gritos de agonia que precederam o último suspiro da fidalga, ao reconhecer Rui Gomes de Azevedo. Derivando da estrada de Ceide, e continuando na rota da leitura do Senhor do Paço de Ninães, fomos a Abade de Vermoim, em cujo cemitério se encontra, segundo Camilo, o túmulo de Leonor Correia de Lacerda, ao lado do de seu odiado marido, João Esteves Cogominho. E, enquanto observávamos as históricas sepulturas, ouvimos, no adro da igreja, um vagir de criança: era aquele enjeitadinho que a tia Bernabé tecedeira encontrou num embrulho, debaixo de uma oliveira, na novela O Comendador; vimos o padre sair da residência, praguejando contra o frio e contra a mãe desnaturada que abandonara a cria; assistimos ao baptismo da criança, que se chamou Belchior e que, muitos anos mais tarde, ali regressou do Brasil, já comendador, para ver a sua amada Maria Ruiva e o seu filho homónimo; assistimos ao emocionante reencontro e à bênção sagrada da união de Belchior com Maria.
Retomado o caminho de Ceide, parámos em frente à igreja; foi o próprio Camilo que saiu ao largo para nos mostrar, em tom de chalaça, nos Ecos Humorísticos do Minho, a inscrição em pedra por cima da porta principal, a imortalizar o autor das obras de reedificação do templo – o mestre pedreiro Malbario…
E dali descemos a um recanto bucólico nas margens do rio Pele, cujas águas sussurrantes nos contaram ao ouvido a história de Maria Moisés, uma das “personagens de ao pé da porta”, segundo Veloso de Araújo (cf. “Camilo em San-Miguel-de-Seide”). De novo na estrada de Seide, seguimos caminho até Ruivães, onde a Casa do Areeiro faz palpitar de realidade as páginas do conto “Aquela Casa Triste”. Ainda em Ruivães, retomámos o caminho da leitura do Senhor do Paço de Ninães, e, junto à quinta da Carvalheira, onde outrora as ruínas do Paço de Roboredo faziam Camilo imaginar o esplendor dos Senhores de Farelães, juraríamos ter visto Leonor Correia de Lacerda dentro do tronco oco da prodigiosa carvalheira que causou admiração ao arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires – pura ilusão, porque da carvalheira, que Camilo diz ainda ter conhecido, já não resta senão o lugar e o nome.
A viagem sentimental à roda da casa de Seide terminou em Landim, em cujo mosteiro terminou também, na imaginação de Camilo, o peregrinar daquele penitente que foi Rui Gomes de Azevedo, Senhor do Paço de Ninães.
Pode viajar à roda do seu quarto o leitor de Camilo, percorrendo, na imaginação, os caminhos de papel da sua maravilhosa ficção; mas, se puder, viaje à volta da casa de Ceide, por essa realidade que Camilo captou e transformou em arte. Assim, esses lugares cobrem-se da aura sentimental e literária que o mestre lhes deu e as páginas do mestre ganham um sentido real e concreto que permanece como um dos encantos maiores da sua obra.
João Paulo Braga

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O Centro de Formação da Escola Júlio Brandão de Vila Nova de Famalicão, em boa hora, promoveu uma acção de formação (25 horas) destinada a professores de línguas do ensino básico e secundário sobre a obra de Camilo Castelo Branco, que, a despeito de se ver, lamentavelmente, arredado dos programas escolares, continua a ser tido como um autor fundamental, sobretudo para a formação literária e linguística dos professores dessa área. E como visitar a obra de Camilo implica visitar a vida (basta pensar no conto “Aquela Casa Triste”, em que, a dada altura, o autor abre um parêntesis na acção para recordar a visita de Castilho a Ceide), o grupo de formação, constituído por vinte e um elementos, não podia deixar de visitar aquele que, além da obra, permanece como o maior testemunho da vida do romancista – a Casa-Museu de Camilo, em São Miguel de Ceide, recentemente galardoada com o prémio de melhor museu nacional em 2006. Embora já todos a conhecessem, o contexto da formação deu à visita um renovado interesse suplementar, sobretudo com a competente e agradável colaboração do Sr. Reinaldo Ferreira e com a leitura de alguns textos, que fazem reviver com maior intensidade os recantos e os objectos da casa.
Logo à entrada, o velho pilar, a “pedra” comemorativa da referida visita da gente de letras ao primeiro romancista português, parece perder o frio granítico, quando são lidas as páginas de “Aquela Casa Triste”. A “acácia do Jorge” parece de novo “inflorar”, espalhando sombras, quando lemos os versos do pai dedicados ao filho louco. O relógio de caixa alta, na sala principal, torna-se mais real ao relermos a célebre descrição a abrir o Eusébio Macário. A cozinha anima-se da faina doméstica, quando lemos a carta de Camilo a Manuel Negrão: «Cá estão os ricos lagumes. Ana Plácido, logo que elas chegaram, as batatas, mandou arranjar para ela uma porção, e deita bródio esta noite. Aconselhei-lhe que os acompanhasse com o azeite de Mosteirô». E no mítico escritório, vemos Camilo, à banca de trabalho, rodeado dos seus fantasmas, segundo o célebre texto das Noites de Insónia: «Venho então sentar-me a esta banca, dou formas dramáticas ao diálogo dos meus fantasmas, e convenço-me de que pertenço bem aos vivos, ao meu século, ao balcão social, à indústria, mandando vender a Ernesto Chardron as minhas insónias.»
Já no Centro de Estudos Camilianos, esta jornada camiliana do dia 27 de Junho ficou ainda mais enriquecida com o visionamento do documentário “Camilo e Outras Vozes”. Agradecemos ao Centro de Estudos Camilianos e, em particular, ao Dr. José Manuel Oliveira, toda a colaboração nesta actividade, que certamente constituirá mais um estímulo para manter vivo o interesse por Camilo, e para transmitir às gerações mais novas o tesouro literário e linguístico da sua obra.
João Paulo Braga

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BRAGA, João Paulo – «”Beatriz de Vilalva” (Camilo Castelo Branco): da realidade à ficção; da ficção à narração». Revista Portuguesa de Humanidades – Estudos Literários (Universidade Católica Portuguesa – Faculdade de Filosofia de Braga), 11 – 2, 2007, pp. 127-144.

Sobre o volume Noites de Insónia, constituído por uma série de textos publicados por Camilo, mensalmente, de Janeiro a Dezembro de 1874, afirma Sérgio de Castro: «Há de tudo nestes livrinhos preciosos, onde se reflecte, tanto ou mais que nos romances, a sua individualidade; onde se antemostram os expedientes e recursos da sua faina de escritor profissional; por onde se apreendem os instrumentos da sua laboração» (Camillo Castello Branco – Typos e episodios da sua galeria. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1914. Vol. II, p. 238).
O conto “Beatriz de Vilalva”, inserto no nº 10 (Outubro), comprova a afirmação do citado crítico, apresentando-se como um dos textos que melhor exemplificam sobretudo os processos de efabulação (a inventio, segundo a velha retórica) do mestre de Ceide, particularmente no que diz respeito à questão – fundamental na narrativa camiliana – das relações entre realidade e ficção.
No conto, é narrado o caso de Beatriz, “a encantadora bastarda do capitão-mor da Lixa”, que, desobedecendo à autoridade paterna, recusa o casamento acertado com o morgado de Pildre e, na véspera, desaparece. Passados muitos anos, aparece na residência paroquial de “S. P. de E.”, no velório do pároco, João de Queirós, o amor da sua vida, com quem fugira para viver amancebada, numa reclusão de trinta e sete anos. Jorge de Faria, num artigo do Diário da Manhã (1 de Junho de 1934), expôs os fundamentos reais em que Camilo assentou o enredo, correspondente a um caso efectivamente sucedido em Esmeriz (S. Pedro de Esmeriz), Vila Nova de Famalicão. Mas, como é típico de Camilo, a despeito dos famosos protestos de verdade e de fidelidade de quem dizia não ter imaginação, apenas memória, a matéria factual foi sujeita a um processo de transformação ficcional. É essa a perspectiva escolhida por João Paulo Braga para a análise deste conto, que nos propõe num artigo do último número (11, fasc. 2) da Revista Portuguesa de Humanidades, da Faculdade de Filosofia de Braga (Universidade Católica Portuguesa), uma escola com boa tradição nos estudos camilianos. O autor do artigo demonstra como o romancista trabalhou a narração, de modo a captar a atenção do leitor, e como trabalhou a ficção, operando, com a imaginação e a sensibilidade romântica, transformações na matéria real, de modo a torná-la mais “narrativa”, mais poética, mais dramática, e imprimindo-lhe as ressonâncias autobiográficas habitualmente presentes na sua ficção.
Casa de Camilo

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