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“É uma casa de memórias e de paixões, antes do brasileiro torna-viagem Pinheiro Alves, mais tarde residência de Camilo e de Ana Plácido, aquela que existe em S. Miguel de Ceide, lugar sentimental, palco da vida e ficção camiliana.
Neste lugar povoado de mistérios, o romancista escreveu parte da sua obra e assistiu às primeiras manifestações de cegueira. Impotente, Camilo puxou do gatilho e, em 1890, suicidou-se após a visita do médico. Jaz no cemitério da Lapa, no Porto, a cidade que ele tão bem retratou e satirizou.
Em S. Miguel de Ceide, a meia dúzia de quilómetros de Famalicão, a casa amarela não é mais uma residência senhorial de antigos fidalgos semelhante a tantas outras do país rural. Hoje, é um espaço obrigatório de visita, lugar de recordações e de conhecimento da vida e obra de Camilo, autor de “O Amor de Perdição” e de outros romances capazes de resgatar uma literatura como “A queda de um anjo” (1866), “A bruxa do Monte Córdova” (1867) ou, ainda, a novela “Memórias do cárcere”.
Pelas paredes da Casa de Camilo lá estão as fotos a resistir ao tempo, a saleta de Ana Plácido, onde lia, escrevia ou tocava harmónio, os quartos dos filhos, Manuel, Nuno e Jorge, os aposentos do escritor e, em frente, o quarto da mulher, cujos adornos e mobiliário dão bem a dimensão do requinte e gosto da época, mais a sala de visitas, o cadeirão de palhinha onde, no final da visita do médico Edmundo Magalhães Machado, Camilo desfez um tiro no parietal direito, o relógio de caixa alta (descrito no livro “Eusébio Macário”, 1879), estantes apinhadas de livros anotados e raridades bibliófilas, entre outras preciosidades.
“Foi um notável homem das letras. Retratou muito bem o Porto do século XIX, escreveu crónicas admiráveis, únicas. A sua obra é um monumento à literatura”, elogiou o escritor portuense António Rebordão Navarro, autor de “A parábola do Passeio Alegre”.
Considerada a “maior memória viva de Camilo”, S. Miguel de Ceide assume um simbolismo histórico para a compreensão do universo camiliano, ou como escreveu Aníbal Pinto de Castro, director da Casa de Camilo, visitar Ceide tem de ser um “convite renovado” à leitura da obra e conhecimento do romancista.
Aberto o apetite para saber mais sobre o escritor, resta apontar dois pormenores: a Casa de Camilo recebeu, no ano passado, cerca de 9000 visitantes e foi distinguida pelo European Museum Forum. Em 2006, recebeu o prémio do melhor museu português.”
Manuel Vitorino

Jornal de Notícias (VIVA+VERÃO), Sábado, 11 Jul., p. 59

PDF da página do JN

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