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Posts Tagged ‘José Augusto Pinto de Magalhães’

O infortúnio e a tendência aventurosa de Camilo Castelo Branco são responsáveis pelos mitos que se desenvolveram à sua volta. O escritor é um dos principais responsáveis (senão o primeiro) por essa aura, não só perante o carácter heterogéneo da sua obra (desde o romance ao ensaio e às memórias), mas também pelo mistério que sempre alimentou sobre a sua própria vida, a começar nas origens, e a continuar no seu espírito aventuroso… Camilo Castelo Branco – Memórias Fotobiográficas (1825-1890) de José Viale Moutinho conduz-nos com mestria no percurso multifacetado de um nossos maiores escritores, mas, mais do que isso, leva-nos ao Portugal profundo do século XIX, que o autor de Amor de Perdição representa e descreve. Figura muitas vezes desconhecida, apesar do sucesso dos seus livros e da paixão que suscita ainda hoje em tantos leitores, Camilo protagonizou uma vida atribulada de romântico que teve a lucidez de se libertar dos constrangimentos de escola que esterilizaram outras promessas. Homem cultíssimo, estudioso exaustivo da história e da sociedade, romancista fecundo — Camilo soube ultrapassar as poderosas baias românticas, indo ao encontro das tendências modernas do seu tempo. A partir de uma personalidade muito forte, o retrato que encontramos de Camilo é a representação de alguém cujo talento resulta de um cadinho onde se misturam ingredientes quase explosivos da sociedade antiga e da sociedade contemporânea, que o escritor procura contraditoriamente compreender.
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Têm as grandes obras e os grandes criadores o condão mágico de permitirem a criação de grandes espaços de encontro cultural, numa espécie de respublica spiritualis, que não conhece as limitações do tempo, nem as fronteiras dos géneros ou das formas de expressão que naturalmente distinguem os artistas, ou sequer as legítimas diferenças de ideologia, de crença ou de acção política que possam separar os homens!
Camilo e a sua obra são por certo uma dessas realidades multímodas, polissémicas e perenes que, desde há mais de um século e meio mais poderosamente suscita e congrega as atenções, os interesses estéticos, a força prometaica dos criadores e o empenho dos estudiosos da sociedade portuguesa moderna. E uma das mais evidentes provas desta minha afirmação é, mesmo quando passa despercebida aos olhos tantas vezes desatentos do nosso mundo cultural, é o Prémio Casa de Camilo, [entregue] ao cineasta Manoel de Oliveira.
Com efeito, desde que foi criado, o Prémio tem distinguido estudiosos de Camilo, como Jacinto do Prado Coelho, Alexandre Cabral ou Manuel Simões, editores da sua obra, como a Livraria Lello, do Porto, sucessora de um dos mais fiéis editores do Escritor, que foi Ernesto Chardron, e agora um cineasta da craveira de Manoel de Oliveira, em cuja obra os dramas de Camilo e das suas personagens têm parte tão significativa, pela quantidade, pela qualidade mas, com não menor dimensão, pelos caminhos verdadeiramente renovadores que com o seu tratamento rasgou no campo da sétima arte, justamente numa intersecção que tão difícil e polémica se tem mostrado desde a sua invenção, como é o do tratamento cinematográfico da obra literária ou da difícil personalidade dos seus criadores.
Grande e renovadora é, na verdade, a presença da matéria camiliana na obra cinematográfica de Manoel de Oliveira.
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