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Posts Tagged ‘Manoel de Oliveira’

A CASA / A QUINTA nas obras de Eça, Camilo e Agustina, e nos filmes de Manoel de Oliveira.

Programa: https://feq.pt/actividades/seminario-queirosiano-2017/

Inscrições: https://feq.pt/loja-online/seminario-queirosiano-2017/

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Convidado:Isabel Pires de Lima

Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Membro do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (FCT). Professora convidada em Universidades europeias, africanas, americanas e asiáticas.
Doutorada em Literatura Portuguesa com a tese As Máscaras do Desengano – para uma leitura sociológica de ‘Os Maias’ de Eça de Queirós (1987); é especialista em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea e em estudos queirosianos com dezenas de títulos publicados; trabalha ainda em Estudos Interartísticos e em Literaturas Comparadas em língua portuguesa. Promotora de inúmeros colóquios e congressos nacionais e internacionais.
Deputada à Assembleia da República Portuguesa (1999-2005/2008-2009).
Ministra da Cultura de Portugal (2005-2008).
Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Filme a exibir: Singularidades de uma Rapariga Loura


Realização:
Manoel de Oliveira
Argumento: Manoel de Oliveira
Texto: Eça de Queirós
Ano: 2009
Origem: Portugal
Duração: 63 min.
Sinopse: Numa viagem de comboio para o Algarve, Macário conta as atribulações da sua vida amorosa a uma desconhecida senhora: Mal entra para o seu primeiro emprego, um lugar de contabilista no armazém em Lisboa do seu tio Francisco, apaixona-se perdidamente pela rapariga loira que vive na casa do outro lado da rua, Luísa Vilaça. Conhece-a e quer de imediato casar com ela. O tio discorda, despede-o e expulsa-o de casa. Macário consegue enriquecer em Cabo-Verde e quando já tem a aprovação do tio para finalmente casar com a sua amada, descobre então a “singularidade” do carácter da noiva.

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“Eu estou aqui a falar, mas não sabem quem eu sou. Eu sou o Manoel de Oliveira”: a apresentação estava feita perante uma plateia lotada que escolheu passar a sexta-feira à noite na companhia do cineasta. O pretexto era o regresso de Manoel de Oliveira à Casa de Camilo, em Vila Nova de Famalicão, quase vinte anos depois da estreia do filme “O Dia do Desespero”, que relata a história verídica dos últimos anos de vida do romancista Camilo Castelo Branco. O Centro de Estudos Camilianos emprestou o seu auditório para rever “O Dia do Desespero”, com a promessa de ouvir o mestre recordar e rever os pormenores das filmagens – e os famalicenses não faltaram à chamada.

Em passo apressado, o realizador que em Dezembro cumprirá 102 anos, entrou numa sala cheia. À porta, quem não conseguiu entrar espreitava, tentava vislumbrar a silhueta do mestre. E este fez ecoar os mais sinceros agradecimentos e apresentou-se, poupando palavras ao seu interlocutor, que tinha acabado de perguntar: “Como apresentar quem não precisa de apresentações?”

Manoel de Oliveira descobriu o fascínio por Camilo Castelo Branco, revelado tanto em “O Dia do Desespero”, como nas suas obras “Amor de Perdição” e “Francisca”, porque, tendo sido “um escritor excepcional” é impossível não o descobrir. “Quem é que não o descobriu? O fascínio é evidente”, atirou num tom bem-humorado que manteve, tanto na conversa prévia à exibição do filme, como na demorada sessão de perguntas posterior, levando a plateia inúmeras vezes às gargalhadas.

Sobre os pormenores da rodagem de “O Dia do Desespero”, filmado em 1991 e projectado no Centro de Estudos Camilianos de Vila Nova de Famalicão, o realizador reconheceu não se lembrar de histórias particulares, nem daquela em que terá pedido folhas, importadas da Bélgica, para uma acácia despida. O tom bem-disposto foi pontuado por momentos sérios, especialmente quando o tema era Camilo Castelo Branco. “A vida dele foi funesta”, assegurou o realizador, que vê na figura do escritor o peso de uma “perseguição” de que foi alvo desde criança.

O homem que já foi “muita coisa”, mas agora é só realizador, intercalou o tema camiliano com outro: a morte. “A morte igualiza toda a gente. Ricos e pobres”, afirmou, debruçando-se depois perante a relação que se estabelece entre o seu oposto, a vida, e o cinema.

Para Manoel de Oliveira, “a própria vida não tem nada de original”. “Foi o viver que me ajudou a fazer cinema e não o contrário. O cinema copia o que o Criador cria, portanto não me podem chamar criado”, resumiu.

Apesar de não ser presença habitual nas salas de cinema, o cineasta que começou quando o cinema ainda era mudo – “Fiz cinema mudo, porque não havia som”, disse –, não se escusou a comentar a nova revolução tecnológica pela qual a sétima arte está a atravessar. “Acho que as três dimensões são de mais, porque exageram a própria vida. Por mais voltas que dêem à técnica, nunca a técnica substitui os seres humanos”, defendeu o realizador mais velho do mundo ainda em actividade.

Fonte: AGÊNCIA LUSA, 25-09-2010

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«Os últimos anos de Camilo Castelo Branco, numa abordagem baseada em cartas do escritor cuja obra marca a realidade cultural do século XIX, em Portugal; reflectindo os conflitos e contradições do autor em si, um carácter pungente e tortuado. Assim evoluem esses tempos autênticos – como o sofrimento pela cegueira, em irreversível demolição íntima. Até ao transe do suicídio…»

In MATOS-CRUZ, José – Manoel de Oliveira e a montra das tentações. Lisboa: Publicações D. Quixote, 1996. p.133.

Ficha Técnica

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O auditório da Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide, foi pequeno acolher as cerca de 150 pessoas que assistiram à sessão “Um Livro, Um Filme”, com o convidado D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que apresentou o filme “Palavra e Utopia”, de Manoel de Oliveira, e do seu protagonista, Padre António Vieira.

Presente na sessão, o director da Casa de Camilo, Aníbal Pinto de Castro, realçou a humanidade, a espiritualidade e a inteligência do Bispo do Porto, recentemente distinguido com o Prémio Pessoa 2009, evidenciando as suas “qualidades morais e intelectuais, as quais tão bem se conjugam com uma simplicidade fora do vulgar e um prazer nato de comunicar e de partilhar. Sempre disponível para o debate, D. Manuel Clemente contraria a imagem do Bispo fechado na redoma: circula de metro pela cidade, cultiva o prazer de estar com os outros e é um frequentador assíduo das livrarias”. O responsável referiu também que “faz de tudo quanto diz uma mensagem de esperança e de fé que se capta facilmente e é sobretudo destinada à gente nova, gente nova que tem uma grande vantagem de poder ouvir e seguir os ensinamentos ao mesmo tempo simples e grandes de D. Manuel Clemente”.

Por sua vez, D. Manuel Clemente disse que o filme “Palavra e Utopia” “é reconhecidamente um dos melhores filmes da cinematografia de Manoel de Oliveira e alude ao Padre António Vieira e ao papel que ele desempenhou numa altura chave da nossa história: o período antes e depois da Restauração de 1640”. “Vieira é uma daquelas personalidades que em si mesmo consubstancia aquilo que nós somos no nosso devir colectivo, ou seja, como Portugal. Há poucas personagens que o possam fazer de uma forma tão rica e tão preenchida”, acrescentou.

Traçando o percurso de vida do Padre António Vieira, desde o seu nascimento em Lisboa, até à sua passagem pelo Brasil, onde se dedicou às missões, o Bispo do Porto destacou ainda os discursos que foram recentemente publicados no livro “Sermões de Roma e outros textos”, com selecção do Padre Manuel Correia Fernandes, Director do Semanário “Voz Portucalense”.

Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão

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D. Manuel Clemente, recentemente agraciado com o Prémio Pessoa 2009, é o próximo convidado de “Um Livro, Um Filme”, iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, através da Casa de Camilo Castelo Branco, e que se realiza no próximo dia 26 de Fevereiro, a partir das 21h30, no Centro de Estudos Camilianos,em S. Miguel de Seide, em Vila Nova de Famalicão.
O ciclo “Um Livro, Um Filme” decorre na última sexta-feira de cada mês, contando com a presença de uma personalidade da sociedade portuguesa, que apresenta e comenta um filme, preferencialmente adaptado de uma obra literária.
D. Manuel Clemente escolheu a película “Palavra e Utopia”, um filme de Manoel de Oliveira sobre a vida e obra do padre jesuíta António Vieira, que conta com os actores Luís Miguel Cintra e Lima Duarte nos principais papéis. O filme, de produção nacional, remete para o ano de 1663, quando o padre António Vieira é chamado a Coimbra para comparecer diante do Tribunal do Santo Ofício. As intrigas da corte e uma desgraça passageira enfraqueceram a sua posição de célebre pregador jesuíta e amigo íntimo do falecido rei D. João IV. Perante os juízes, o padre António Vieira revê o seu passado: a juventude no Brasil e os anos de noviciado na Bahia, a sua ligação à causa dos índios e os seus primeiros sucessos no púlpito. Impedido de falar pela Inquisição, o pregador refugia-se em Roma, onde a sua reputação e êxito são tão grandes que o Papa concorda em não o retirar da sua jurisdição. A rainha Cristina da Suécia, que vive em Roma desde a abdicação do trono, prende-o na corte e insiste em torná-lo seu confessor. Mas as saudades do seu país são mais fortes e Vieira regressa a Portugal. Só que a frieza do acolhimento do novo rei, D. Pedro, fazem-no partir de novo para o Brasil onde passa os últimos anos da sua vida.

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Têm as grandes obras e os grandes criadores o condão mágico de permitirem a criação de grandes espaços de encontro cultural, numa espécie de respublica spiritualis, que não conhece as limitações do tempo, nem as fronteiras dos géneros ou das formas de expressão que naturalmente distinguem os artistas, ou sequer as legítimas diferenças de ideologia, de crença ou de acção política que possam separar os homens!
Camilo e a sua obra são por certo uma dessas realidades multímodas, polissémicas e perenes que, desde há mais de um século e meio mais poderosamente suscita e congrega as atenções, os interesses estéticos, a força prometaica dos criadores e o empenho dos estudiosos da sociedade portuguesa moderna. E uma das mais evidentes provas desta minha afirmação é, mesmo quando passa despercebida aos olhos tantas vezes desatentos do nosso mundo cultural, é o Prémio Casa de Camilo, [entregue] ao cineasta Manoel de Oliveira.
Com efeito, desde que foi criado, o Prémio tem distinguido estudiosos de Camilo, como Jacinto do Prado Coelho, Alexandre Cabral ou Manuel Simões, editores da sua obra, como a Livraria Lello, do Porto, sucessora de um dos mais fiéis editores do Escritor, que foi Ernesto Chardron, e agora um cineasta da craveira de Manoel de Oliveira, em cuja obra os dramas de Camilo e das suas personagens têm parte tão significativa, pela quantidade, pela qualidade mas, com não menor dimensão, pelos caminhos verdadeiramente renovadores que com o seu tratamento rasgou no campo da sétima arte, justamente numa intersecção que tão difícil e polémica se tem mostrado desde a sua invenção, como é o do tratamento cinematográfico da obra literária ou da difícil personalidade dos seus criadores.
Grande e renovadora é, na verdade, a presença da matéria camiliana na obra cinematográfica de Manoel de Oliveira.
(mais…)

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