Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Novelas do Minho’

«
«Ao terceiro dia da hospedagem em Famalicão, o comendador cavalgou, acompanhou-se do lacaio, e seguiu na direção de S. Tiago d`Antas.
– Vai ver a igreja que fizeram os moiros… – Calculou outro comendador da terra, e assim o comunicou a mais dois comendadores, atribuindo aos moiros a igreja dos cavaleiros de Rodes.
– Há de ser isso – confirmou o mais correto. – Este homem é mágico. O Guimarães do hotel já lhe perguntou se era nascido cá no Minho, e ele respondeu…
– Que não tinha a certeza – concluiu o outro. – Tem grande telha!
– Ontem, na feira, estava ele a ver vender duas juntas de bois para embarque. Quem nas vendia era o Silvestre Ruivo…»
(In Novelas do Minho – O Comendador)

 

Read Full Post »


«Seis de janeiro de 1832. Manhã chuvosa e frigidíssima. O zimbro rufava nas frestas envidraçadas da igreja de Santa Maria de Abade. Ringiam as carvalheiras varejadas pelo norte. Ao arraiar do dia, a devota dos três reis magos, a tia Bernabé, tecedeira, – viúva do operário Bernabé, que lhe deixara o nome e uma cabana com sua horta – ergueu-se, foi à residência paroquial pedir a chave da igreja…»

(In O comendador)

Read Full Post »


Com a duração de 45 minutos, dá-se a conhecer a história de Maria Moisés, filha órfã de mãe, caída ao rio ainda bebé e fruto de um amor proibido para os costumes da época, entre duas pessoas de classes sociais muito diferentes. Apesar dessas circunstâncias trágicas, a menina tornar-se-á uma formosa mulher e reencontrará o seu pai passados 38 anos.
(Com marcação prévia)

Read Full Post »

«A estupidez é mais valente que a morte»
(In Novelas do Minho, Maria Moisés)

Read Full Post »


Camilo Castelo Branco
e os seus admiradores organizaram mais uma caminhada camiliana, da estação dos caminhos-de-ferro de Famalicão até Seide S. Miguel. Com vários figurantes vestidos à moda do século XIX, tivemos momentos hilariantes, culturais e de agradável convívio.
Depois de iniciada a caminhada paramos na praça D. Maria II, onde nos aguardavam um músico e dois cantadores, proporcionando a Camilo algum incómodo e aos participantes valentes rizadas. Continuando, ainda havia vários km pela frente, em Santiago de Antas fizemos um desvio, até a uma bonita zona arbórea de Requião, aí encontrámos Josefa, mãe de Maria Moisés, desesperada…, uma interpretação da história Maria Moisés da obra “ Novelas do Minho”.
De novo pés a caminho até ao Solar de Pouve, uma bonita construção em cantaria, com torre armada e janelas em cruz. Este solar é mencionado na obra camiliana “O Senhor do Paço de Ninães”. Neste belo local assistimos a uma pequena representação teatral da obra “A Morgadinha de Val-d´Amores entre a flauta e a viola”, apresentada pelo núcleo mais jovem do grupo de teatro amador GRUTACA.
Seguimos até Seide, já no prado do Centro de Estudos Camilianos, de novo cantares ao desafio e para finalizar o sorteio de vários cabazes, oferecidos pela empresa PRIMOR.
Uma manhã de domingo muito bem passada, apesar da constante ameaça de chuva.

Read Full Post »

«Não há nada mais bestial que o homem sem a alma que se faz na educação. A mulher já não é assim. A maternidade é uma ilustração que lhe dá a intuitiva inteligência do amor e das grandes tristezas. Essas, em toda a parte, a chorar, são mulheres; e, ainda na derradeira curva que atasca em lama a espiral da degradação, é-lhes concedido remirem-se pelas lágrimas.»
(In Novelas do Minho)

Read Full Post »


Numa noite que se pretendia o mais realista possível à do cego de Landim, o cenário foi o mais próximo do da época e até a luz ténue quase nos cegou a todos, à comunidade de leitores de Camilo Castelo Branco. No local mais apropriado, por ser perto da casa onde viveu o “ cego”, no adro da capela de Landim, estes saudáveis morcegos, esbugalharam as pupilas e leram… leram… leram… trechos da obra camiliana: O cego de Landim, englobado nas “Novelas do Minho”, das edições de Caixotim, à venda na Casa de Camilo.
De livro em punho, olhos na leitura – e ao alto, na esperança de ver a lua – assim decorreu mais uma Noite de Insónias, animada pelos trechos de leitura espirituosa que Camilo muito empresta a esta novela. Quase diríamos que, se houvera tempo, teríamos lido, ali, sentados no murinho que cerca a capela, todos os quinze capítulos mais a conclusão, tal foi o entusiasmo por tão deliciosa escrita.
O vinho do Porto oferecido pela Casa de Camilo, mais os bolos que vão sendo, rotativamente, uma oferta dos leitores presentes, faz sempre com que se termine em alegre cavaqueira e risota, quando não acaba em “verso” – como foi o caso dessa noite, onde alguns brindaram com poesia e graça a noite escura.
Prof. Lucília Ramos

Read Full Post »

«A moeda-falsa é comércio como qualquer outro, com vantagens em proporção dos riscos. Negócio execrando só conheço um: a escravatura. Há também negócios que, depois de muitos anos de estafa, não deixam nada: esses chamam-se negócios tolos».
(In Novelas do Minho)

Read Full Post »

Reler as Novelas do Minho, de Camilo, é uma boa hipótese para tempos de crise. Ali está Portugal, o que prezamos e o que nos enjoa. Camilo, que foi tratado como «o último miguelista de Portugal», dá a volta à província desenhando a galeria dos seus personagens: brasileiros («os de profissão» e «os do Brasil», nunca enganando o ressentimento contra Pinheiro Alves, a quem ficou com o relógio); herdeiros pobres que morrem nas serras, sob a neve e a geada; mulheres de dedos nodosos (um dos primeiros retratos de amor entre mulheres, na nossa literatura, está em «O Cego de Landim») e de peito arfante, melodioso; bacharéis do século dos bacharéis, políticos vingativos e de digestões difíceis; gente corada, apopléctica, mandibulando bacalhaus de cebolada; românticos perdidos; tuberculosos das secretarias, compondo maus versos e acabando na câmara de deputados — está tudo lá, está tudo lá, como está n’ A Brasileira de Prazins, a obra-prima. Para os fanáticos de Cormac McCarthy, lembrem-se que a expressão original é de Camilo. Numa das novelas, é o próprio que se lamenta: «Este país não é para ninguém.»
Francisco José Viegas

Read Full Post »

Durante os 27 anos que o grande escritor residiu em S. Miguel de Seide, que enriqueceram extraordinariamente a sua obra prodigiosa, – desde o Amor de Salvação, primeiro livro ali escrito, e das Novelas do Minho, até aos volumes da sua última «maneira», Brasileira de Prazins, Maria da Fonte, Vinho do Porto, General Carlos Ribeiro, Vulcões de Lama – Camilo poucos dias permanecia em casa. Sobretudo na última década.
Doente, nevropata, com os sintomas crescentes da cegueira que o prostrou – jornadeava constantemente para o Porto, para Braga, para o Bom Jesus do Monte, para a Póvoa, para Lisboa… Corria todo o país, mas, como grande autóctone, nunca passou as fronteiras. E foi assim que o portentoso homem, de terra em terra (apesar das suas amarguras cruciantes), continuou a armazenar, como fizera sempre, a farta colheita de vocabulário, com que opulentou a língua.
Além do Minho, que considerava «a província mais clássica de Portugal», Camilo ia entesourando em toda a parte – não falando agora da sua estonteante cultura vernácula – os regionalismos, as locuções populares, que aproveitava com bom gosto nos livros, e que lhe davam tanta vez um sabor e uma graça incomparáveis, com zumbidos de abelha em flor silvestre. Ele foi o mais feliz, o mais abundante neologista de termos que respigava no povo, que lhe enfeitiçavam a prosa inconfundível e lhe esmaltavam os diálogos. Nunca desaproveitou a frescura da gleba, tão certo é que as formas nativas da linguagem vêm do povo, que as deixa ao esmeril erudito. Sempre, como já escrevi, por entre os nobres loureiros clássicos, erguem-se nos seus livros os ciprestes românticos e vêem-se lindamente floridos os espinheiros bravos. A par das florações do mais famoso glossário que ainda houve, riem-se as cravinas, o trevo, as madressilvas do povo…
Não veremos, contudo, nas suas obras formas campanudas ou pedantes – de que se riu à farta, em páginas imortais. Foi um milionário com equilíbrio e gosto – que marcou sempre a sua arte de composição literária. Na estética da língua, teremos sempre de contar com o escritor genial, que soube modelar ou cinzelar nas obras, como se fosse em metal ou mármore, a «vera efígie» dum povo. E isto não é pouco: as nações vivem indelevelmente na sua língua escrita, onde lhes fica esculpida a fisionomia, com o seu espírito e os reflexos da sua alma…
Castilho tinha razão quando lhe escrevia: – «Ainda que desaparecessem todos os clássicos, a sua obra ficaria contendo todos os tesouros da língua.» E noutro passo: – «Sim, senhor! é mestre e cem vezes mestre; e de todos os nossos clássicos nenhum há que eu leia com tamanho gosto e aproveitamento.» A tais palavras e a muitas outras de rasgado entusiasmo, responde elegantemente Camilo: «Continua V. Ex.” a ensinar-me português, e diz que lhe enriqueço o seu dicionário. A meu ver, V. Ex.ª não conhece o que é seu: dá-me as jóias, e, quando eu lhas devolvo, entesoura-as em meu nome.»
(In Recordações dum Velho Poeta)

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »