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Posts Tagged ‘O Morgado de Fafe em Lisboa’

«A coisa mais parecida com um tolo é um homem de talento apaixonado.»
(In O Morgado de Fafe em Lisboa)

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«O amor é como as toupeiras, que se não dão bem com a luz do dia».
(In O Morgado de Fafe em Lisboa)

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No âmbito da IV edição do Festival de Teatro Amador – Terras de Camilo, que decorre de 12 de Fevereiro a 20 de Março de 2010, no auditório da Casa de Camilo – Centro de Estudos, em S. Miguel de Seide, a Nova Comédia Bracarense – Companhia Teatro Amador de Braga apresenta hoje, pelas 21h30, a peça de “O Morgado de Fafe em Lisboa”, de Camilo Castelo Branco.


«Camilo, tão bom conhecedor dos costumes em vigor na capital e na província, coloca ao seu jeito irónico e satírico estas duas realidades humanas em cena aberta na comédia social “O Morgado de Fafe em Lisboa”. E se o celebrado autor conhecia bem as realidades do Minho profundo e da capital profunda, já que penetra com acutilância no âmago característico de cada uma delas, para as colocar num cómico frente-a-frente, também conhecia como ninguém toda a vastidão moral da alma humana, morasse ela no peito embalsamado da aristocracia decadente ou no peito despido e ingénuo do provinciano primário e sincero.
Assim era o país em meados do séc. XIX (1861), dividido entre uma burguesia pretensiosa, fátua, ociosa, marcadamente calculista, particularmente na forma como organizava os casamentos de família, onde o dinheiro tinha um papel mais importante que o amor, e uma sociedade popular, composta de lavradores, comerciantes, pequenos industriais e baixo clero, laboriosa, pertinaz, derreada com impostos e trabalho, sem tempo para devaneios ultra-românticos ou chás dançantes nos salões da frivolidade e do ócio.


O Morgado com “a rústica franqueza da ignorância” subverte este modelo social, pretensamente verdadeiro, fazendo cair máscaras, desfazendo jogos artificiosos, terçando armas com rivais fementidos, sem que dessa cruzada quixotesca não deixe de sair ferido: também joga os seus lances de amor, e de tão alegre que era vê o seu peito repassado de tristeza. A requestada, a dona Leocádia, filha dos barões de Cassurrães, também se podia chamar “A Maluquinha de Lisboa”, para se parafrasear o título de uma célebre comédia de André Brun, que de quatro pretendentes acabará sem nenhum, pois são estas almas levianas que existem para certificar as máximas do rifoneiro popular.


Portugal, posto assim em cima do palco, é uma risota! A capital não se revê na província e a província não se revê na capital, como se estivéssemos na barraca dos espelhos das feiras e romarias, num exercício lúdico, malgrado as transformações do último século, que ainda hoje tem patético valimento. Esse Portugal, a duas velocidades, a duas cores, a duas idiotias, sempre fez rir e chorar este Camilo que nos ensina, porém, a compreender a índole da nossa gente, no que ela tem de elevada nobreza e no que ela tem de rasteiro individualismo, porque por esses estádios e tonalidades morais também passou a alma dele.
E se há autor consubstancial às suas personagens, esse autor é Camilo, porque vive nas suas criações quanto elas vivem em si, pois, havendo só uma vida e um só homem, Camilo viveu dentro destas entidades com todas a ganas do seu ser, ou, como diria uma das suas personagens, com “todas as veras da sua alma”. Por que será que Camilo nos faz lembrar tanto Gil Vicente?»
Fernando Pinheiro, Encenador

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A programação do Teatro-Cinema de Fafe prosseguiu no passado sábado, dia 20 de Junho, pelas 21h30, com a apresentação da peça O Morgado de Fafe em Lisboa, de Camilo Castelo Branco, pela companhia Nova Comédia Bracarense.
Camilo Castelo Branco, tão bom conhecedor dos costumes em vigor na capital e na província, coloca ao seu jeito irónico e satírico estas duas realidades humanas em cena aberta na comédia social O Morgado de Fafe em Lisboa. E se o autor conhecia bem as realidades do Minho profundo e da capital já que penetra com acutilância no âmago característico de cada uma delas, para as colocar num cómico frente-a-frente, também conhecia como ninguém toda a vastidão moral da alma humana, morasse ela no peito embalsamado da aristocracia decadente ou no peito despido e ingénuo do provinciano primário e sincero. Assim era o país em meados do séc. XIX (1861), dividido entre uma burguesia pretensiosa, fátua, ociosa, marcadamente calculista, particularmente na forma como organizava os casamentos de família, onde o dinheiro tinha um papel mais importante que o amor, e uma sociedade popular, composta de lavradores, comerciantes, pequenos industriais e baixo clero, laboriosa, pertinaz, derreada com impostos e trabalho, sem tempo para devaneios ultra-românticos ou chás dançantes nos salões da frivolidade e do ócio…
Foram personagens e intérpretes desta comédia os seguintes actores: Barão de Cassurrães – Vasco Oliveira; Baronesa de Cassurrães – Ana Leite; Morgado de Fafe – Diamantino E.; António Soares – António Manuel; Luís Pessanha – Manuel Barros; João Leite – Miguel Araújo;D. Leocádia – Fátima Araújo; Francisco de Proença – Luís Marado; 1ª dama – Ana Rita; 2ª dama – Marta Leite; 3ª dama – Matilde; Criado – Rui Lucas; Juiz – Bruno Boss e Escrivão – Tiago Pintas.
O encenador é Fernando Pinheiro.
A peça “O Morgado de Fafe em Lisboa” tem sido apresentada em várias cidades do norte de Portugal no âmbito da publicação da obra homónima de Camilo Castelo Branco editada pela Editora Opera Omnia.

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Regularmente a Biblioteca Pública de Braga dedica a sua atenção a Camilo Castelo Branco, um dos maiores autores da língua portuguesa.
É o que vai suceder no próximo dia 16 de Abril, data em que vai promover a apresentação de uma nova edição de “O Morgado de Fafe em Lisboa” que a Opera Omnia acaba de lançar no mercado.
Trata-se da 10ª edição da mais conhecida peça teatral de Camilo, publicada inicialmente em 1861 e que agora é apresentada com introdução, estabelecimento de texto e notas de José Cândido Martins.
Na introdução, de 50 páginas, é feita uma bem informada incursão através da produção dramatúrgica de Camilo, que nos legou cerca de 3 dezenas de títulos de obras teatrais, aos quais não tem sido dedicada a merecida atenção, embora nem todos tenham alcançado a qualidade estética e a popularidade de “O Morgado de Fafe em Lisboa”, inúmeras vezes representado em todo o tipo de palcos e por toda a sorte de companhias.
Para fazer a apresentação pública desta comédia camiliana a BPB convidou José Cândido de Oliveira Martins (1965), doutorado em Teoria da Literatura, docente e investigador da Universidade Católica Portuguesa (Braga). Nesta instituição, tem leccionado várias disciplinas: Teoria do Texto Literário; Literatura Portuguesa (moderna); História da Arte Moderna e Retórica e Argumentação. Tem ainda colaborado com outras universidades ao nível da graduação e da pós-graduação (mestrado e doutoramento), em Portugal e noutros países.
Além de artigos vários para revistas da especialidade, de participação em congressos e colóquios, e de colaboração em diversas obras colectivas, publicou alguns livros de que se destacam Teoria da paródia surrealista (Braga, 1995); Fidelino de Figueiredo e a crítica da teoria literária positivista (Lisboa, 2007) e Viajar com… António Feijó (Porto, 2009).
No campo da publicação de autores da literatura portuguesa, organizou a edição de vários autores, com fixação do texto e introdução crítica: Camilo Castelo Branco, Eusébio Macário / A Corja (Porto, 2003) e Novelas do Minho (Porto, 2006); António Feijó, Poesias completas (Porto, 2004) e Poesias dispersas e inéditas (Porto, 2005); Teófilo Carneiro, Poesias e outros dispersos (Guimarães, 2006); Diogo Bernardes, O Lima (em publicação).
A sessão, promovida pela Biblioteca Pública de Braga, realiza-se no Museu Nogueira da Silva, pelas 21h30 do dia 16 de Abril, com entrada livre.
Henrique Barreto Nunes

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No próximo dia 21 de Março (sábado), pelas 17h00, terá lugar no Centro de Estudos Camilianos (S. Miguel de Seide – Famalicão) a apresentação da nova edição de O Morgado de Fafe em Lisboa.
A sessão de lançamento no Centro de Estudos Camilianos contará com a presença e a intervenção do Director da Casa de Camilo – Museu / Centro de Estudos Camilianos, Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro, bem como do organizador desta edição, Cândido Oliveira Martins (Universidade Católica Portuguesa).
Seguir-se-á a encenação de alguns quadros da jocosa peça camiliana, O Morgado de Fafe em Lisboa, pelo grupo de teatro Nova Comédia Bracarense.
Esta nova edição de O Morgado de Fafe em Lisboa é precedida por uma introdução crítica de Cândido Oliveira Martins. Nesse estudo, contextualiza-se a relevância e o significado da escrita teatral de Camilo e da sua vocação dramática. Salienta-se a variedade dos títulos publicados neste domínio e a sua temática dominante, com este enquadramento:
A gigantesca obra ficcional de Camilo Castelo Branco (1825-1890), que a si próprio se qualificava como “operário das letras”, tem injustamente obscurecido outros géneros da escrita deste incansável polígrafo, como é o caso da sua produção dramatúrgica. Autores há que são vítimas quer da sua própria grandeza, quer também da sinuosa e restritiva recepção crítica. [da Introdução crítica]
Ao mesmo tempo, historia-se e justifica-se a popularidade desta comédia de Camilo, através da análise de alguns dos seus processos em matéria de composição teatral e temática, linguística e estilística:
O Morgado de Fafe em Lisboa (1861) é uma admirável farsa camiliana, que se notabilizou, ao longo do tempo, pelo efeito cómico e corrosivo com que investe contra certos ideais, tipos humanos e ambientes característicos do Portugal ultra-romântico de meados do séc. XIX. A graça mordente da sua sátira reside nessa capacidade de anatomia cruel da sociedade burguesa da Regeneração. [da Introdução crítica]
Finalmente, analisa-se o significado estético desta farsa camiliana como invectiva contra certa sociedade e literatura ultra-românticas. Esse mundo enfatuado e piegas, cheio de convenções e etiquetas, dado a uma literatura sentimental e lacrimosa, é objecto de alegre desmistificação paródica e satírica.
Para isso, Camilo opta pela inesquecível figura cómica de um rústico morgado minhoto, de seu nome António dos Amarais Tinoco Albergaria e Valadares. Convidado para um salão lisboeta, ele fala com simplicidade e sem artificiosismos, fazendo assim estalar o falso verniz do “mundo patarata” e das frivolidades janotas da burguesia urbana da capital. A franca ruralidade do morgado choca, de modo frontal e cómico, com a pedanteria e a literatice da atmosfera ultra-romântica do tempo.
O estabelecimento do texto desta edição é feito a partir da 2ª edição de O Morgado de Fafe em Lisboa [1865], saída em vida do escritor, em cotejo com a 1ª edição [1861]. A presente edição é ainda enriquecida por abundantes notas explicativas da linguagem camiliana; e ainda por uma bibliografia crítica.
Inaugurando uma nova colecção de teatro da editora Opera Omnia, o grande objectivo é captar novos públicos para a leitura de autores clássicos como Camilo Castelo Branco. Dentro do espírito do Plano Nacional de Leitura, pretende-se seduzir variadas camadas de leitores, quer através da leitura do texto editado, quer através da representação da peça.
O responsável por esta edição de O Morgado de Fafe em Lisboa já anteriormente organizou outras edições de Camilo: Eusébio Macário / A Corja (Porto, Caixotim, 2003); e Novelas do Minho (Porto, Caixotim, 2006); também publicou uma obra didáctica intitulada Para uma Leitura de “Maria Moisés” de Camilo Castelo Branco (Lisboa, Presença, 1997).
Casa de Camilo

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“Do extraordinário e diversificado universo literário construído por Camilo Castelo Branco (1825-1890) – numa obra genial e, por vezes, desequilibrada, mas seguida com fervor pelo «respeitável público» -, a Biblioteca-Arquivo Teatral Francisco Pillado Mayor [Departamento de Galego-Portugués, Francés e Linguística da Facultade de Filoloxía da Universidade da Coruña] edita, neste volume, as suas duas peças mais justamente representadas e (re)conhecidas: as comédias O Morgado de Fafe em Lisboa e O Morgado de Fafe Amoroso, publicadas, respectivamente, em 1861 e 1865 e estreadas a 18 de Fevereiro de 1860 e a 2 de Fevereiro de 1863, no lisboeta Teatro Nacional “D. Maria II”.
Nestas duas propostas de dramaturgia fársica, a sátira e a comicidade, a partir da estratégia textual e dos seus inegáveis potenciais de translação cénica, apresenta-se inteiramente dirigida ao ataque de um alvo pré-concebido: o da abordagem diminuidora e mordaz da ideologia e a(s) fórmula(s) de um ultra -romantismo fossilizado, que é o objectivo primeiro da peça localizada em Lisboa e também o elemento basilar da obra que a prolonga na Foz. Para além da feliz contestação dos modos e da moda do estereotipado teatro romântico e da feroz destruição da convenção e da impostura literárias, com efeito, uma e outra obra aparecem orientadas para um impiedoso descobrimento da hipocrisia social, sustentado num constante e céptico confronto entre a matéria do riso, que, perante o absurdo do ridículo, dá liberdade, e a derivada matéria da verdade, que, perante a vacuidade da ideologia, produz amargura.
De facto, a reacção por saturação e a consciência da falsidade dos dramas românticos do próprio Camilo vai tomar formas e conteúdos auto-paródicos e iconoclastas nestas extraordinárias comédias, apesar dos traços humanitaristas, “veristas” e verosímeis, das linhas de contestação social e literária ou dos traços autobiográficos com intuitos catárticos que, por vezes, emergem do mar de lágrimas, da maré de conciliação burguesa ou das ondas da sua atormentada vida, na dramaturgia camiliana mais convencional.
Enfim, pode-se afirmar que as duas peças protagonizadas pelo Morgado de Fafe possuem tanto o processo de crescimento, como o potencial de actualização que dão vida intemporal e acompanham os textos “clássicos”, pois, atacando as bases do próprio (e duplo) fingimento dramático como mostram as repetidas alusões distanciadoras ao próprio teatro ante o exagero de atitudes e situações, são muito mais – e já não seria pouco – do que típicas farsas que não visam mais que fazer rir pela típica tromperie bouffonne.
(Da Introdução, por Carlos Paulo Martínez Pereiro)

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