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Posts Tagged ‘Paulo Sá Machado’

ESCRITOS CAMILIANOS SOBRE BOTICAS

Quem pensa que Boticas foi esquecida pelos grandes escritores portugueses dos séculos XIX e XX está profundamente enganado. Talvez a escassa divulgação desses textos, faça pressupor que Boticas tenha sido só descrita pelo nosso Gomes Monteiro, e mais recentemente por outros eruditos da nossa língua.

Camilo um dos mais consagrados e prolixos escritores portugueses também tem importantes escritos sobre o Concelho. Cabe divulgá-los e dar a conhecer as belas páginas escritas, com por exemplo no seu livro “Doze Casamentos Felizes” e usando do relato do sexto casamento diz:

“Uma vez, descia, ou, melhor direi, escorregava eu das Alturas de Barroso, e cismava nas santas proezas de Bartolomeu dos Mártires, tão sigela e devotadamente contados por um frade dominicano, o qual, sempre que o leio, pode tanto comigo, que, pelo muito que lhe quero, perdoo a todos seus confrades, entrando na conta o próprio Torquemada.”

Mais adiante escreve Camilo:

“…porém o que mais me assombrou a minha pecadora fraqueza foi o ter ido o Arcebispo de Braga às Alturas de Barroso! Se em Roma os cardeais soubessem o que é o Barroso; se o Espírito Santo em seus colóquios com os Padres, lhes revelasse notícias topográficas daqueles sítios. Bartolomeu dos Mártires estaria já no Florilégio, e Frei Luís de Sousa dispensar-se-ia de lastimar que os coevos dos prelados primaz das Espanhas não autenticassem milagres, sem as quais a canonização é improcedente.

Eu fiz o milagre de ir às Alturas de Barroso, não pela trilha que lá conduzia o intrépido arcebispo, mas por fraguedos e escarpas, sem mais vestígios de vida…”

“Assim pois vinha eu, de volta das Alturas de Barroso meditando no muito que devia privar com Deus aquele apostólico arcebispo, que demorara muitos dias, naquelas brenhas…”

Também no livro “Noites de Lamego” e no capítulo – “História de uma Porta” afirma: – “almocei e fui às trutas. À beira do Rio Beça, cismei muito nas almas dos Padres Domingos e Vicente, e confesso que me pus a caminho, enquanto era dia, com medo de encontrá-las ambas, ou pelo menos uma das almas.”

Já no livro volta a fazer uso do Barroso e de Boticas, desta vez, mais precisamente, a Covas do Barroso, no livro “Maria Moisés”

“…morreu em casa dos seus irmãos em Santa Maria do Covas do Barroso, repelindo o marido desde que lhe ouvira dizer: “A rapariga faz-me falta porque não tenho quem me governe a casa.”

 Boticas continua e continuará no trajecto dos “homens das letras” disso não temos dúvidas.

Leiam “Doze Casamentos Felizes” e façam o favor de serem felizes.

 Paulo Sá Machado
(In Ecos de Boticas, Março 2011)

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Coleccção dos Selos Postais

Filatelia
Camilo, tal e qual como muitos outros vultos da Literatura Portuguesa, está representado na filatelia portuguesa.
A série dedicada a Camilo para assinalar o Centenário do seu Nascimento foi emitida em 1925, e criada pelo Decreto n.º 10313 de 19 de Novembro de 1924 (Diário do Governo n.º 259, 1.ª série, da mesma data).
A emissão fica a dever-se à Grande Comissão do Monumento àquele notável escritor, com o fim de angariar fundos para a sua construção.
Uma segunda entidade, contudo, interferiu no assunto, a Comissão Pró-Sanatório dos Correios e Telégrafos, e tanto uma como outra dispunham de apoio oficial. Por este motivo, e dado que eram os Correios quem detinha e detêm o negócio, foram eles que ditaram as leis para a confecção desta emissão.
Acontece, porém, que no ano anterior, tinha saído uma outra série comemorativa, que levaram os Correios a serem fortemente criticados por, entre 1923 a 1928, autorizarem a emissão de várias séries comemorativas como a da Travessia Aérea: Camões, Camilo e Independências. Acusam de terem explorado com estas séries os coleccionadores e comerciantes, de terem falhado na obtenção de lucros com as emissões, de estas serem meramente especulativas, não só pelo número de taxas permitidas, sempre de duas a três dezenas por cada, e muito reduzidas as quantidades.
Diz o Professor Oliveira Marques, na “História do Selo Postal Português”: «Nos últimos meses de 1924, ainda antes de se ter qualquer notícia do fracasso financeiro dos selos de Camões, pensou a Comissão do Monumento a Camilo em se aproveitar do mesmo expediente para obtenção de lucros. Formulou por isso, uma exposição ao Ministro do Comércio e Comunicações, o qual, após consulta às autoridades competentes deferiu a proposta. Os Correios pensaram então em destinar parte dos lucros à formação de um Sanatório privativo, velha aspiração daqueles serviços, e conseguiram a assinatura do contrato entre as três entidades – Comissão Pró – Monumento, Comissão Pró-Sanatório e Administração dos Correios.
Nos termos do contrato realizado, o produto total da venda posterior aos três dias de circulação, ficava pertencendo integralmente às duas comissões, autorizadas a requisitar directamente à Casa da Moeda os selos que quisessem para venda directa ao público, independentemente de prévio pagamento. Da mesma forma, a Casa da Moeda continuava a vender os selos aos coleccionadores pelo seu valor facial e a entregar o produto aos Correios, que procediam depois à divisão nos termos do contrato».
Esta série foi impressa pelo processo a talhe doce pela prestigiada firma inglesa Waterlow & Sons, com sede em Londres, em papel ponteado e apresenta o denteado 12.
Os selos foram desenhados por Alberto de Sousa e gravados por R. Fairweather (os selos que apresentam a casa e o gabinete de Camilo) e John Augustus Charles Harrison (aqueles que apresentam o retrato do escritor Teresa de Albuquerque “Amor de Perdição”, Mariana e João da Cruz Amor de Perdição”, e Simão Botelho “Amor de Perdição’).
A ideia de reproduzir figuras de um dos romances mais célebres de Camilo, surgiu no exemplo dado pelos Correios italianos que no ano de 1923, nos selos comemorativos do centenário de Manzoni, reproduziu vistas dos locais onde se desenrola a acção do seu célebre romance, “I Promessi Sposi” (Os Noivos).
Assim os selos representam os motivos nas taxas de:
Casa de S. Miguel de Seide (2 centavos – Laranja; 3 centavos – verde; 4 centavos – azul ultramar; 5 centavos – vermelho; 6 centavos – lilás vermelho; 8 centavos – sépia;
Gabinete de trabalho de Camilo Castelo Branco: 10 centavos – azul claro; 16 centavos – laranja; 20 centavos – violeta; 30 centavos – bistre; 32 centavos – verde; 48 centavos – castanho vermelho;
Retrato de Camilo: 15 centavos – verde oliva; 25 centavos – carmin; 40 centavos – verde e preto; 8o centavos – castanho; 1$60- azul escuro; 4$50- vermelho sobre preto;
Teresa de Albuquerque “Amor de Perdição”: 50 centavos – verde azul; 64 centavos – castanho amarelo; 75 centavos – ardósia; 96 centavos – carmim; 1$00 – violeta azulado; 1$20 – verde amarelo;
Mariana e João da Cruz “Amor de Perdição”: 2$00- Azul escuro sobre verde; 2$40- verde sobre amarelo; 3$00- carmim sobre azul; 3$20 – preto sobre verde; 10$00- sépia sobre amarelo;
Simão Botelho “Amor de Perdição”: 20$00- preto sobre amarelo.
Esta emissão é uma das maiores séries desejos portugueses, constituída por 31 valores, que não teve uma circulação corrida como geralmente acontece. Circularam no primeiro período somente três dias, de 26 a 28 de Março.
Depois as taxas de 4,5,6,10,15,20, 25, 30,40, 50 e 8o centavos e 1$00, 1$20, 1$60, 2$00, e 4$50 circularam a partir de 4 de Janeiro de 1934, isto é, nove anos depois.
A Outubro de 1934 entram os selos de 10$00 e 20$00 em circulação.
Passados 10 anos, depois de saída da emissão seria posto a circular novamente o selo de 75 centavos.
Todos os selos foram utilizados até 30 de Setembro de 1945, altura em que foram retirados da circulação.
A numeração destes selos no catálogo de Portugal vai do n.º 330 a 360 do catálogo de “Selos Postais – Afinsa”.
No mesmo ano – 1925 – os Correios resolvem sobrecarregar 20 selos desta série com “AÇORES” para circularem nas llhas.
São os selos de 2 c, 3c, 4c, 5c, 10c, 16c, 25c, 32c, 40c, 48c, 50c, 64c, 75c, 80c, 96c, 1$50, 1$60, 2$00, 2$40 e 3$20.
A sobrecarga tipografada foi feita na Casa da Moeda em Lisboa, a vermelha nos selos de 4c, 40c, 75c, 1$50, 1$60, 2$00 e 3$20 e a preto nos restantes valores.
No ano de 1990, os Correios de Portugal voltam a emitir, desta vez um só selo, comemorativo do centenário da morte de Camilo, incluído numa série de Vultos das Letras de Portugal, da taxa de 65 escudos.
O selo que apresenta Camilo foi desenhado por António Modesto, impresso na Imprensa Nacional – Casa da Moeda, em papel esmalte com tarja fosforescente e entrou em circulação a 11 de Julho de 1990 até 31 de Agosto de 1995 quando foi retirado. A tiragem deste selo foi de 600.000 exemplares e tinha um denteado 12 x 12.
Selo n° 1951do catálogo “Selos Postais – Afinsa”.
Foi aposto carimbo de primeiro dia de circulação deste selo nas cidades de: Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal e Ponta Delgada.
MACHADO, Paulo Sá – «Camilo na Iconografia: Filatelia». In D. Jaime. Tondela : Câmara Municipal. Ano I, n.º 2 (2002) p. 37 – 40.

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