Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Portugal’

[…] No meio destas angústias, falta-me só uma: eu não me importo que o banco ultramarino desse à luz mais 4 ladrões inéditos; não me importo que a sociedade se dissolva; o que muito sinto é ter eu de me dissolver; e sinto também que o meu amigo Carvalho [o seu genro] não abunde nas mas ideias. Diz-lhe que o pior é ter a gente de deixar o mundo amanhã ou depois, com a mesma dose de patifes que cá estavam quando entramos. Diz-lhe que a espécie humana foi sempre assim: que no século passado os ladrões eram os nobres que vampirizavam o sangue das classes inferiores; hoje são os burgueses que se estão devorando uns aos outros, porque não há fidalgos que delapidar, nem clero que mandar mendigar, nem povo que se preste a ser roubado. Diz-lhe que as civilizações são todas fatalmente assim. Atribuir a crise social ao luxo é o mesmo que culpar o dezembro por que ele é frio. Não está nos homens o vício: está na instituição. A humanidade vai arrastada por uma onda; mas la virá a ressaca, a reação que a reponha em mar menos aparcelado.

A França já teve três cataclismos e está vigorosa, rica, cheia de indústrias e de desmoralização. Esta ultima qualidade não é boa; mas é fatalmente necessária. Portugal é o país da Europa menos exposto aos grandes cataclismos, e por isso mesmo a nossa prosperidade há de manter-se sempre na mediania em que está. Se fossemos infelizes, ter-se-ia manifestado a febre revolucionaria, o regicídio, os terríveis clamores da fome. O que temos é muitíssimo ladrão […]

 (In Carta de Camilo a sua filha Bernardina Amélia)

 

 

Anúncios

Read Full Post »

«A pátria de Camilo não é Portugal – a sua pátria verdadeira é o Norte. E poucas terras como Vila Real poderão reivindicar para si o título de sagrado lugar camiliano. Para aqui veio, menino, e moço, e órfão, confiado aos incertos cuidados maternais da tia Rita Emília, irmã daquele Simão Botelho que Camilo salvou do esquecimento eterno, fazendo-o protagonista de uma tragédia – uma das raras tragédias que ainda se escreveu em Portugal. Aqui nasceram o pai e o avô do escritor e também o que viria a ser cunhado – Francisco José de Azevedo, irmão do bom padre António, primeiro mestre de Camilo em letras e virtude. Aqui revelou ele, em verdes anos, feições dominantes do seu carácter, rebelde e pugnaz. Aqui lhe nasceu uma filha, fruto dos amores à margem da lei dos homens e da lei de Deus. Aqui se revelou a sua veia literária como articulista e epistológrafo ao serviço de namorados inábeis para exprimir os seus sentimentos, Aqui foi vago funcionário e dramaturgo representado.

Falar de Camilo em Vila Real é, pois, grave responsabilidade, porque é falar de um santo de casa que faz o milagre de nos reunir ao redor do seu nome e da sua sombra – sombra tutelar, verdadeiro genius loci que invocamos propiciatoriamente para os nossos trabalhos.»

João Bigotte Chorão, In Boletim da Casa de Camilo

Read Full Post »

«Quantos escritores de primeira ordem escrevem em Portugal como V. Excia.?
Quem lhe pode dar exemplos de elegância de estilo, de profundeza e variedade de ideias indicativas de leitura vasta e metódica?
Cada novo livro de V. Excia. é um aperfeiçoamento que vai justificando os vaticínios dos que leram as suas estreias brilhantes.»
(Camilo Castelo Branco)

Read Full Post »

«Camilo foi, sem qualquer margem à dúvida, o primeiro homem de letras que em Portugal se atreveu a fazer da arte da escrita uma profissão – e profissão exclusiva, sem o recurso a uma outra atividade subsidiária de mais segura e estável remuneração.»
Alexandre Cabral

 

Read Full Post »



«Custa a crer o solilóquio!
Ainda não há meia hora que ela o viu, enovelados em poeira, o cavaleiro e o cavalo sumirem-se para sempre, e já tão cedo se preocupa do afeto inspirado a um estranho, que ontem vira! Que coração e juízo tem esta criatura! É um coração e juízo exóticos: coisas de França; que em Portugal – terra onde mais sinceramente e ajuizadamente se ama e morre de amor – nenhuma senhora, em caso semelhante, faria monólogos daqueles.»
(In O Esqueleto)

Read Full Post »


«Um dos maiores prosadores, se não o maior, de Portugal oitocentista, uma espécie de Balzac português que procurou, à sua maneira, compor a «comédia humana» da burguesia de tempo».
Massaud Moisés

Read Full Post »