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Posts Tagged ‘Português’

(In A Pátria, 2-6-1890)

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«Camilo, pelo feitio étnico do seu espírito, pelo sangue, pelo temperamento e até pela educação, é um português do Norte – um transmontano.
Nasceu em Lisboa, bem sei. Mas isso importa pouco. Na vida do romancista é um detalhe mínimo, acidental. A pátria não é a terra onde se nasce; a pátria é a terra do nosso sangue, e a terra que nos modela o espírito.»

Manuel Laranjeira, in “Ilustração Transmontana”

 

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«Camilo foi, de facto, não só o último romântico, mas também o derradeiro representante desse nacionalismo das letras, que, dentro dos recursos da língua portuguesa, se ocupou da vida portuguesa, criando tipos radicalmente portugueses.»

Luís de Magalhães

 

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Alberto Braga
«Quero ver o que dizem agora de si os rafeiros, que ladram contra si! Escrever há trinta anos no seu esplêndido estilo, genuinamente português de lei e de alto quilate; e, por capricho, a brincar, escrever o Eusébio Macário! É assombroso!»

Alberto Braga

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Sexta-feira, 10 de outubro, um grupo de professoras da D. Sancho desagua em S. Miguel de Seide, numa tarde soalheira, e foi ao encontro de Camilo – o portão de sua casa estava aberto… Aceitaram o convite para os Primeiros Encontros. E foram: sempre com Camilo ao lado, calcorrearam os lugares que a sua narrativa trilha, dizendo-lhes: “Aqui tem o leitor…” Landim, Abade de Vermoim, Ruivães… Seide… e as personagens respiraram esta mesma brisa tépida outonal. Foi uma viagem ao interior do imaginário factual de Camilo, à sua intrépida vontade de metamorfosear o incrível em verosímil – uma viagem, um roteiro por terras de Famalicão: “Estamos no Minho”. E em Seide continuou o grupo, envolto pela noite e pela presença de Ana Plácido, a qual promoveu um serão em torno da poesia – sua e de Camilo. Ivo Machado melodiou os versos placidamente ao som da guitarra de Carneiro e da voz troante do Sousa. A valsa aconchegou as almas na noite minhota. E o Sr. Visconde lembrou que o encontro só terminava no dia seguinte.

Sábado, 11 de outubro. O largo pululava de gente que ladeava o pedestal: após uma ausência, este aguardava a recolocação do busto do escritor, o de 1924, mas agora restaurado…e ouviu palavras honrosas dos altos dignatários da edilidade. Afinal, celebrava-se os 150 anos da fixação de Camilo nesta terra e a escrita de Amor de Salvação. Camilo estava ufano na polidez do bronze etéreo. Mais envaidecido ficou quando o grupo foi informado que as comunicações iriam começar e logo apressou toda a gente a entrar na sua segunda casa. As professoras, sempre acompanhadas por Camilo, absorveram as intervenções de todos os oradores, as quais foram diversas, algumas inesperadas, mas todas enriquecedoras e de altíssima qualidade, atestando o poliedro camiliano – as professoras percebiam o quanto Camilo cofiava o seu farto bigode, implodindo de vaidade perante as abordagens díspares que a sua pessoa e a sua obra provocava nos ilustres oradores. Ademais, veio a Banda da Vila abrilhantar e solenizar o momento… iria ser apresentada uma obra (mais uma) sobre si, desta feita de Eduardo Lucena, Calvário e Glória de Camilo… e também se inaugurou uma exposição inédita de fotografia, Espaços da vida e da ficção camiliana em Vila Nova. As professoras enfatizavam o inédito, o “muito boa, sem dúvida, muito didática” e Camilo sussurrava-lhes que, mesmo com aqueles óculos a 3D, iria ter sucesso…

A tarde esfumava-se, as professoras procuravam Camilo. Queriam dizer-lhe o quanto descobriram, redescobriram, medraram e aprenderam sobre a sua narrativa. Estavam, como profissionais do ensino, preocupadas em se munirem / apoderarem de mais informação sobre ele, autor contemplado nos novos programas de Português, em serem detentoras de um suporte mais sólido sobre a vasta obra camiliana. Do outro lado da estrada, as luzes estavam acesas, o grupo passou a estrada. Lá estava Camilo, mais vaidoso que nunca: “De partida? Gostaram do teatro? E do almoço?… Creio que para o ano temos que marcar os Segundos Encontros…”

A despedida no largo foi testemunhada pela casa amarela.

Maria da Glória Silva, professora de Português
Escola Secundária D. Sancho I

 

 

 

 

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