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Posts Tagged ‘Póvoa de Varzim’

«Contou-me o falecido general Sousa Machado, intrépido batalhador de África, onde foi gravemente ferido no combate de Coelela, que em setembro 1873, sendo alferes, esteve na Póvoa de Varzim, convivendo aí muito com o autor da Brasileira de Prazins.

Uma tarde, encontraram-se, os dois, em um dos cafés da formosa praia, e pegaram de conversar, enquanto os filhos de Camilo brincavam um com o outro. O pai, ao mesmo tempo que lhes vigiava os folguedos, ia discorrendo acerca do nada que valia ser escritor em Portugal.

– Estes, – disse ele, apontando os filhos – livrarei eu de saberem ler e escrever…

– Pois V. Ex.ª diz isso?!… Retorquiu Sousa Machado, sem poder ocultar o seu assombro.

– Digo e hei-de cumprir. Sabe lá quantos desgostos as letras me têm dado!…»

(In Os amores, os ciúmes e a graça de Camilo, de António Cabral)

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Camilo estava a passar o mês de agosto na Póvoa de Varzim. Ora, apareceu por lá um sujeito que manifestava prosápias de literato, fora apresentado ao romancista, volta e meia fazia-se encontrado com ele – e Camilo tinha de o aturar. Uma noite, saía camilo do casino quando o tal sujeito ia a entrar.
– Acabo de perder vinte mil réis à roleta e logo pensei no meu ilustre amigo! – exclamou o romancista.
– Ah, sim? – disse o sujeito, desvanecido – Mas pensou em  mim, porquê?
Camilo, imperturbável:
– Porque saiu o zero!

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«A Póvoa de Varzim está menos delirante que no ano passado. As damas compenetram-se de que os lustres do botequim lhes desbotam os resplendores da face, e as nivelam algum tanto com os jeitos viris dos machos concorrentes à mesma localidade.

Eu esperava que este ano se dançasse o can-can no salão do Clube.

Por enquanto não tenho fundadas razões para desesperar.»

(In Carta ao padre Sena Freitas, agosto de 1874)

 

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