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Posts Tagged ‘Robert Benton’


A escolha do par “Mancha humana” para este exercício reflecte muito mais o gosto que senti ao ler o livro do que um juízo positivo sobre o filme a que ele deu origem. Isto é, gostei muito, mas mesmo muito do livro e, tal como me acontece quase sempre em circunstâncias semelhantes, não apreciei particularmente o filme embora também não possa dizer à
la lusitana que haja sido “uma grande desilusão”.
Estou acompanhado nesta apreciação pelo autor que já mais do que uma vez referiu considerar Human Stain uma das suas melhores obras, em contraste com a classificação de “fraquinho” que atribuiu ao filme. Philip Roth costuma dizer, aliás, que depois do “Goodbye, Columbus” nenhum dos outros filmes feitos a partir dos seus livros atingiu um nível aceitável. Existe assim uma aparente consonância entre escritor e leitor entusiasmado/espectador decepcionado. Não tenho conhecimentos suficientes para discutir as razões desta frequente dissociação para além das habituais generalidades: nível das expectativas, diferenças artísticas, factor surpresa, variabilidade narrativa, “tempos” diferentes, …
Gostei (e continuo a gostar) da maioria dos livros de Philip Roth que li embora confesse que me irrita sempre um bocado aquela certeza de que seja qual for a história ela andará à volta de um jovem judeu nascido na Newark dos anos pós-depressão e/ou do adulto que lhe sucedeu e que Nathan Zuckerman epitomiza desta vez como o narrador-amigo-do-protagonista. Mais recentemente, a tonalidade autobiográfica do jovem judeu heterodoxo entretanto envelhecido tem-nos arrastado com uma violência quase-machista para os problemas da terceira idade que o afligem.
As contrário dos outros livros a Mancha Humana passa-se no presente, num dos períodos mais marcantes da minha geração – a América do fim dos anos noventa – e sem deixar de ser povoado pelos fantasmas habituais do autor, dá vários passos em frente. De entre eles salientaria os que mais influenciaram a minha escolha: uma narrativa exemplar dos EUA e das suas gentes, a raça e o racismo, o politicamente correcto, e a organização do poder, seja académico ou outro. Alguns deles afloram no filme, infelizmente de forma bastante menos conseguida do que no livro.
Porto, 19 de Novembro de 2009
Manuel Sobrinho Simões

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No próximo dia 27 de Novembro, pelas 21h30, a Casa de Camilo recebe Manuel Sobrinho Simões, um dos cientistas portugueses mais conhecidos fora da comunidade científica. Director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, é um dos maiores especialistas mundiais em cancro da tiróide.
Sobrinho Simões é o convidado da iniciativa “Um Livro, Um Filme”, que decorre nas últimas sexta-feiras de cada mês e tem como objectivo a apresentação de um filme que tenha um significado especial para o convidado e que preferencialmente seja adaptado de uma obra literária.
Neste âmbito, “Culpa Humana” de Robert Benton, com Anthony Hopkins e Nicole Kidman, é o filme escolhido por Sobrinho Simões. Baseado no excelente romance de Philip Roth “A Mancha Humana”, a película é uma viagem pela ambição, individualismo, fraude e nostalgia do amor, que ensaia as regras da identidade e independência, raça e preconceito, brutalidade e ternura ao estilo americano.

Manuel SOBRINHO SIMÕES

Nasceu no Porto em 8 de Setembro de 1947. Licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) em 1971 e doutorou-se nessa Faculdade, em 1978, com uma Tese sobre Cancro da Tiróide. Fez o pós-doutoramento em 1979/80 em Oslo, no Instituto de Cancro da Noruega. É, desde 1990, Professor Associado de Patologia e Biologia Celular da Faculdade de Medicina da Thomas Jefferson University, Filadélfia, E.U.A. Preside desde a sua fundação, ao Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto. Organizou e dirigiu o Mestrado de Oncobiologia da FMUP de 1990 a 1996 e co-coordena desde essa data o Programa Doutoral em Biomedicina da U. Porto (Programa GABBA). Co-organizou e dirige o Programa Doutoral em Medicina e Oncologia Molecular da U.Porto. Foi co-autor de mais de 300 publicações científicas em revistas internacionais de patologia humana e oncologia e de 24 livros e capítulos de livros que deram origem a mais de 6000 citações. Pertence ao Comité Editorial de 13 revistas internacionais de Patologia, Oncologia e Endocrinologia. Presidiu à Sociedade Europeia de Patologia (SEP) de 1999 a 2001, depois de ter sido Secretário-Geral de 89 a 97. É membro Honorário de várias Academias e Sociedades Científicas Europeias, Americanas e Asiáticas. Prémio Bordalo Ciência – 1996, Prémio Seiva – 2002 e Prémio Pessoa – 2002. Medalha de Ouro de Arouca e Porto e Medalha de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa e da Ordem dos Médicos; Grande Cavaleiro da Ordem Real da Noruega e Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Actualmente é Professor Catedrático na FMUP, Chefe de Serviço no Hospital de S. João, Director do IPATIMUP e Vice-Presidente da Direcção do Health Cluster Portugal.
Gabinete de Imprensa da
Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
19 de Novembro de 2009

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