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Posts Tagged ‘Roteiro camiliano’

«Em 1841, Camilo transferiu-se para Ribeira de Pena, onde obteve o lugar de escrevente de notário; pôde, assim, manter até 1842 a rica e fecunda cadência de episódios vividos nas serras de além-Marão que, gravados no mais fundo da sua memória, aí deixaram farta matéria para o melhor da sua futura criação ficcional. Nas margens do Tâmega adquiriu razoáveis conhecimentos de latim com o P.e Manuel da Lixa, enquanto ía auferindo o seu modesto vencimento; participaria activamente em divertimentos populares, quer instruido os aldeãos de Friúme nas práticas do jogo do galo, quer esboçando e ensaiando entremezes ou versejando para descantes; e não tardaria em dar satisfação ao seu gosto pela boémia, pelo jogo e pelas aventuras amorosas, na companhia do P.e Domingos, pároco local, e do boticário Macário Afonso, mestre de gamão e damas.

Mas o acontecimento mais marcante da permanência de Camilo por aquelas terras seria o seu casamento na Igreja de Salvador com Joaquina Pereira de França, uma jovem de apenas 15 anos, que logo abandonaria com uma filha no ventre para não mais voltar a vê-la, mas cuja memória, apesar de tudo, não estaria ausente da concepção de personagens como Josefa, Mariana ou Tomasia» (In Viajar com… Camilo Castelo Branco).

Para fazer um Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena:

http://www.cm-rpena.pt/images/stories/Roteiro_Camiliano.pdf

Fonte: Câmara Municipal de Ribeira de Pena

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“É uma casa de memórias e de paixões, antes do brasileiro torna-viagem Pinheiro Alves, mais tarde residência de Camilo e de Ana Plácido, aquela que existe em S. Miguel de Ceide, lugar sentimental, palco da vida e ficção camiliana.
Neste lugar povoado de mistérios, o romancista escreveu parte da sua obra e assistiu às primeiras manifestações de cegueira. Impotente, Camilo puxou do gatilho e, em 1890, suicidou-se após a visita do médico. Jaz no cemitério da Lapa, no Porto, a cidade que ele tão bem retratou e satirizou.
Em S. Miguel de Ceide, a meia dúzia de quilómetros de Famalicão, a casa amarela não é mais uma residência senhorial de antigos fidalgos semelhante a tantas outras do país rural. Hoje, é um espaço obrigatório de visita, lugar de recordações e de conhecimento da vida e obra de Camilo, autor de “O Amor de Perdição” e de outros romances capazes de resgatar uma literatura como “A queda de um anjo” (1866), “A bruxa do Monte Córdova” (1867) ou, ainda, a novela “Memórias do cárcere”.
Pelas paredes da Casa de Camilo lá estão as fotos a resistir ao tempo, a saleta de Ana Plácido, onde lia, escrevia ou tocava harmónio, os quartos dos filhos, Manuel, Nuno e Jorge, os aposentos do escritor e, em frente, o quarto da mulher, cujos adornos e mobiliário dão bem a dimensão do requinte e gosto da época, mais a sala de visitas, o cadeirão de palhinha onde, no final da visita do médico Edmundo Magalhães Machado, Camilo desfez um tiro no parietal direito, o relógio de caixa alta (descrito no livro “Eusébio Macário”, 1879), estantes apinhadas de livros anotados e raridades bibliófilas, entre outras preciosidades.
“Foi um notável homem das letras. Retratou muito bem o Porto do século XIX, escreveu crónicas admiráveis, únicas. A sua obra é um monumento à literatura”, elogiou o escritor portuense António Rebordão Navarro, autor de “A parábola do Passeio Alegre”.
Considerada a “maior memória viva de Camilo”, S. Miguel de Ceide assume um simbolismo histórico para a compreensão do universo camiliano, ou como escreveu Aníbal Pinto de Castro, director da Casa de Camilo, visitar Ceide tem de ser um “convite renovado” à leitura da obra e conhecimento do romancista.
Aberto o apetite para saber mais sobre o escritor, resta apontar dois pormenores: a Casa de Camilo recebeu, no ano passado, cerca de 9000 visitantes e foi distinguida pelo European Museum Forum. Em 2006, recebeu o prémio do melhor museu português.”
Manuel Vitorino

Jornal de Notícias (VIVA+VERÃO), Sábado, 11 Jul., p. 59

PDF da página do JN

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13 de Março de 2009 foi o dia escolhido pela Universidade Sénior de Famalicão para a realização de uma viagem de estudo ao Porto, a fim de aprofundar os seus conhecimentos sobre a vida e obra de Camilo Castelo Branco nessa cidade.
Camilo nasceu em Lisboa no dia 16/03/1825 e faleceu em S. Miguel de Seide em 01/06/1890, tendo deixado cerca de centena e meia de obras escritas, sendo que, muitas delas, se referem ao Porto.
Famalicão ainda mal tinha iniciado o seu labor diário – eram 08H50 – e a comitiva constituída por sete dezenas de alunos da nossa universidade, professores, funcionária e o Dr. José Manuel Oliveira, Técnico Superior do Centro de Estudos Camilianos de V. N. de Famalicão, partiam em busca dessa cultura.
Já muito perto das 10H00, o grupo dava entrada no antigo edifício da Cadeia e Tribunal da Relação do Porto onde Camilo Castelo Branco esteve preso.
Este edifício, hoje recuperado e alterado, funciona como museu e, portanto, já não é utilizado nas suas antigas funções de tribunal e cadeia. No entanto, mantém a sua traça e facilmente se nota, principalmente nas grades de ferro, a sua função de cadeia, com suas enxovias no primeiro piso, aposentos no segundo e celas individuais no terceiro.
Foi no terceiro piso que Camilo esteve preso numa cela que dava, nas traseiras, para a Igreja do Bonfim.
No segundo piso, visitámos a sala de audiências do Tribunal da Relação do Porto; enorme, de pé direito a rondar os dez metros, e sumptuosa.
Uma fotografia de todo o grupo à entrada do edifício encerrou a visita, sempre bem comentada pela Dr.ª Sónia, nossa guia no edifício e complementada pelo Dr. Oliveira em tudo que se referia ao escritor.
Daí fomos a pé, cerca de 300 metros, até à Livraria Lello & Irmão, onde chegamos por voltas das 11H45.
À entrada fomos recebidos e cumprimentados pela Senhora D. Fernanda Costa, Presidente da USF, acompanhada pelo marido, o senhor arquitecto Armindo Costa, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, que nos acompanharam na visita breve a esta livraria, muito ligada a Camilo Castelo Branco.
Terminada a visita, o grupo dirigiu-se, nos dois autocarros que o trouxe de Famalicão, à Fundação de Serralves, onde, no seu restaurante, lhe foi servido o almoço que se prolongou até às 15H00 num convívio ameno e agradável.
Retomado o roteiro estabelecido percorremos, lentamente, toda a orla costeira desde o Castelo do Queijo até à ponte de D.Luís, que atravessamos para o margem esquerda do rio Douro, parando em frente às caves do Vinho do Porto da Sandeman.
Durante este trajecto o Dr. Oliveira foi explicando que Camilo também o percorria aquando da sua prisão por virtude de uma autorização especial que lhe havia sido concedida e, tudo indica, foi aqui, na Ribeira, que se inspirou para o final de seu “Amor de Perdição”, “pondo” a Teresa no convento de Monchique de onde tinha uma visão privilegiada da saída do barco que levaria o amado Simão para a Índia.
Mais uma foto do grupo, de costas para o Porto, e, às 17H00, iniciou-se o regresso à nossa cidade de Vila Nova de Famalicão onde, sem “azares” do dia treze, chegámos bem.
Abílio Ferreira Alves
Aluno da USF

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De Famalicão a Seide, seguindo os passos de Camilo no caminho por ele tantas vezes percorrido, ou seguindo os passos do romancista nos caminhos de papel da sua produção ficcional, é um dos lugares obrigatórios a igreja de S. Tiago de Antas. Foi lá que nós, grupo de professores em formação sobre a obra de Camilo Castelo Branco (Centro de Formação Júlio Brandão de Vila Nova de Famalicão), enquanto admirávamos a fachada gótica, na tarde quente de 16 de Julho, avistámos a chegada de um romeiro, acompanhado de um escravo negro. Era aquele Rui Gomes de Azevedo, o Senhor do Paço de Ninães, que, tantos anos depois, regressava do seu longo exílio por terras de África e de Ásia, para onde partira com o desgosto que Leonor Correia de Lacerda perfidamente lhe causou, ao aceitar o casamento com o primo João Esteves Cogominho. E quando o romeiro, informado pelo abade, seguiu caminho em direcção ao Solar de Pouve, habitado por Leonor Correia de Lacerda, viúva, entrevada e louca, cujo único liame que a prendia à vida era a esperança de voltar a ver Rui e obter o seu perdão, seguimos os seus passos. Junto ao Solar de Pouve ouvimos os gritos de agonia que precederam o último suspiro da fidalga, ao reconhecer Rui Gomes de Azevedo. Derivando da estrada de Ceide, e continuando na rota da leitura do Senhor do Paço de Ninães, fomos a Abade de Vermoim, em cujo cemitério se encontra, segundo Camilo, o túmulo de Leonor Correia de Lacerda, ao lado do de seu odiado marido, João Esteves Cogominho. E, enquanto observávamos as históricas sepulturas, ouvimos, no adro da igreja, um vagir de criança: era aquele enjeitadinho que a tia Bernabé tecedeira encontrou num embrulho, debaixo de uma oliveira, na novela O Comendador; vimos o padre sair da residência, praguejando contra o frio e contra a mãe desnaturada que abandonara a cria; assistimos ao baptismo da criança, que se chamou Belchior e que, muitos anos mais tarde, ali regressou do Brasil, já comendador, para ver a sua amada Maria Ruiva e o seu filho homónimo; assistimos ao emocionante reencontro e à bênção sagrada da união de Belchior com Maria.
Retomado o caminho de Ceide, parámos em frente à igreja; foi o próprio Camilo que saiu ao largo para nos mostrar, em tom de chalaça, nos Ecos Humorísticos do Minho, a inscrição em pedra por cima da porta principal, a imortalizar o autor das obras de reedificação do templo – o mestre pedreiro Malbario…
E dali descemos a um recanto bucólico nas margens do rio Pele, cujas águas sussurrantes nos contaram ao ouvido a história de Maria Moisés, uma das “personagens de ao pé da porta”, segundo Veloso de Araújo (cf. “Camilo em San-Miguel-de-Seide”). De novo na estrada de Seide, seguimos caminho até Ruivães, onde a Casa do Areeiro faz palpitar de realidade as páginas do conto “Aquela Casa Triste”. Ainda em Ruivães, retomámos o caminho da leitura do Senhor do Paço de Ninães, e, junto à quinta da Carvalheira, onde outrora as ruínas do Paço de Roboredo faziam Camilo imaginar o esplendor dos Senhores de Farelães, juraríamos ter visto Leonor Correia de Lacerda dentro do tronco oco da prodigiosa carvalheira que causou admiração ao arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires – pura ilusão, porque da carvalheira, que Camilo diz ainda ter conhecido, já não resta senão o lugar e o nome.
A viagem sentimental à roda da casa de Seide terminou em Landim, em cujo mosteiro terminou também, na imaginação de Camilo, o peregrinar daquele penitente que foi Rui Gomes de Azevedo, Senhor do Paço de Ninães.
Pode viajar à roda do seu quarto o leitor de Camilo, percorrendo, na imaginação, os caminhos de papel da sua maravilhosa ficção; mas, se puder, viaje à volta da casa de Ceide, por essa realidade que Camilo captou e transformou em arte. Assim, esses lugares cobrem-se da aura sentimental e literária que o mestre lhes deu e as páginas do mestre ganham um sentido real e concreto que permanece como um dos encantos maiores da sua obra.
João Paulo Braga

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