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Posts Tagged ‘Serões de S. Miguel de Seide’

A iniciativa tem como objetivos principais fomentar o gosto pela leitura dos textos de Camilo Castelo Branco e proporcionar a partilha de abordagens e de interpretações da prosa do romancista de São Miguel de Seide.

«Aos 55 anos de idade, o comendador Palhares liquidou duas dúzias de contos adquiridos em trinta anos de trabalho no Brasil e regressou a Portugal.»
(In Serões de São Miguel de Seide)

Download do PDF “Segundo Comendador”
http://www.camilocastelobranco.org/doc.php?co=74
Formador: Sérgio Guimarães de Sousa
A sessão realizar-se-á na plataforma Zoom
Inscrição para o endereço eletrónico: geral@camilocastelobranco.org

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“Se eu sou como filho desta casa, e não tenho outra família, para onde hei-de eu vir a não ser para aqui? Já nas férias do Natal cá me tem para a consoada; depois torno nas férias de Páscoa, e as férias grandes, três meses, cá os venho passar. Já vê, prima – disse ele, a sorrir – que, por mais que façam, não se podem ver livres do seu eterno hóspede.”
(In Serões de São Miguel de Seide)

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«… ao lado daquela gentil rapariga que ali estava agora ensinando aos netos de sua irmã uns versos que os Varatojos tinham ensinado para se cantarem ao nascimento do Deus Menino! Ah! A fé cristã do comendador não era bastante para estes raptos de devoção lírica, nem prestava uma copiosa atenção à história que a velha contava dos três Reis Magos, Baltasar, Gaspar e Melchior.
….
Já cantavam os galos.»
(In Serões de São Miguel de Seide)

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«… saudade, a atroz certeza de que nada me pode dar o passado nem melhorar o futuro.»
(In Serões de São Miguel de Seide)

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“Por aí andam a guardar o gado por casa desses lavradores, e na Noite de Natal vêm consoar comigo todos os anos – uma consoada de lágrimas, a falar a verdade, ao menos para mim, que me lembro da Noite de Natal da minha casa quando eu era menina como eles. Juntavam-se todos os parentes; éramos dezasseis pessoas à mesa, uma alegria, santo nome de Jesus!”

(In Serões de São Miguel de Seide)

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«Logo adiante estava o presbitério. O sino deu as nove badaladas das Trindades. Pareceu-me ouvir padre António dizer em voz soturna as palavras que lhe ouvira proferir, com as mãos postas, durante dois anos, àquela hora. O anjo de Senhor anunciou. Maria concebeu por obra e graça do Espirito Santo… Cuidei que o via e ouvia. Era ele a esperar-me. Em pessoa ou em memória aqui me encontrareis em qualquer tempo. Lá estava. Fui ao quarto onde dormíamos. Toquei em alguns dos seus livros. Sentia nas mãos a frialdade dum crânio. Meu sobrinho mostrou-me uma Arte da Língua Francesa em que eu, aos quinze anos, escrevera não sei que parvoiçadas sentenciosas. Sentia-me oprimido, doente, arrependido de ali vir levantar os fantasmas de uma numerosa família morta. Noite cerrada, saí de Vilarinho; e ao passar, de novo, rente com o presbitério, ouvia-se o estridular das cigarras, e o frémito dos morcegos que se esvoaçavam à volta do campanário.»
(In Serões de S. Miguel de Ceide)

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É que sinto a nostalgia daquela povoaçãozinha, há muitos anos – uma saudade inveterada como a reminiscência dum primeiro amor, e único feliz. Na minha mocidade, nada mais vejo. Não nasci lá; mas aí foi que me alvoreceu o arrebol do entendimento, a ânsia de trasladar ao papel o dilúculo dessa alvorada; foi ali que fiz os meus primeiros versos… versos, meu Deus! não – a primeira página da minha biografia de lágrimas.

A aldeia chama-se VILARINHO DA SAMARDÃ. Demora em Trás-os-Montes, na comarca de Vila Real, sobranceira ao rio Córrego, no desfiladeiro de uma serra sulcada de barrocais.
(In Serões de S. Miguel de Ceide)

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«Os talentos superiores sabem tudo, menos a arte de não serem ridículos».
(In Serões de S. Miguel de Seide)

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Castelo Branco, Camilo – Poesia . Lisboa : Edição de Ernesto Rodrigues, 2008. 206 p.

Conclui Alexandre Cabral, no verbete “Poeta” do Dicionário de Camilo Castelo Branco (1989, p. 509), ser a «poética camiliana» a sua «área […] menos estudada». Entende por poética a reunião de poemas, cuja temática se diversificaria em «religiosa, lírica e até satírica» (p. 508). E percebe-se que, entre projectos falhados, reputação momentânea, polémicas e pseudónimos, a poesia foi, em Camilo, uma tempestade de Verão, ou funcionou por revoadas, pois, desde 1856, a novelística «obnubila os ambiciosos sonhos do poeta, assinalando a passagem da notoriedade à glória (MAS NÃO NA POESIA)» (p. 509).
Ora, não será possível integrar na poética geral de Camilo essa poética restritiva e mostrar a construção do verso camiliano como ficção acabada, enquanto invade a ficção propriamente dita e concorre para a definição de um modo de estar em literatura, seja do autor, seja de muitas personagens suas? Não será fácil demonstrar as potencialidades entrevistas logo na dupla estreia de 1845, fundamental na definição de lugares e figurações que revemos em acto ficcional? Será mero acaso o facto de abrir e fechar 45 anos de actividade literária pela poesia e, concretamente, pela soltura da tradição literária mais nobre (a épica, cedo passada a narrativa em prosa), invadida pela memória próxima e circunstâncias pessoais? Cremos que, olhando, por interposto verso, à personagem, às situações e às modalidades do sentimento, teremos uma visão global mais completa da produção camiliana.
Isso procuramos mostrar na introdução (p. 7-45), concluindo que, pela contaminação no vaivém de processos que deixam de ser qualidades de uma só espécie, deveríamos falar, não tanto de poesia e novelística, mas de ficção camiliana, de situações e personagens particulares, com tão vivo entranhamento pessoal.
A antologia reúne: 1841? – “Epitáfio”; 1845, 1889 – Os Pundonores Desagravados; O Juízo Final e o Sonho do Inferno; 1848 – A Murraça; 1854, 1858, 1865 – Duas Épocas na / da Vida (retocando Inspirações, 1851): 6 poemas; 1854 – Folhas Caídas, Apanhadas na Lama: 8; 1874 – Ao Anoitecer da Vida: 9; 1890 – Nas Trevas: 13; 1913 – Poesias Dispersas: 5.
Da colheita na ficção e miscelâneas, ainda considerámos “Dom Cupido Desdentado”, no capítulo VII d’ A Filha do Arcediago, e “A fidalguinha”, em Serões de São Miguel de Ceide; limitámo-nos, porém, ao soneto terminal de Coração, Cabeça e Estômago, que encerra lista de 46 poemas.
Ernesto Rodrigues

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