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Posts Tagged ‘Vila Real’

«Vila Real, 18 de Agosto – Ontem pelas dez horas da manhã andava passeando junto à porta do governador civil o pacífico cidadão Camilo Castelo Branco, em companhia de Luís de Bessa Correia, que deixou de ser administrador desta vila haverá seis dias, por não aturar o despotismo deste miserável governador civil, José Cabral.»

(In O Nacional, de 21-8-1847)

 

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Sábado, dia 14 de março, às 21h30, o Grupo de Teatro do Centro Cultural Lordelense, Vila Real, exibe “Os Pires de Sacavém”, uma adaptação de Joaquim Paulo Ferreira.


Entrada livre

 

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«Era um dia de Agosto, romagem da Senhora da Guia, cuja capela alveja na Chã, que se aplana na quebrada da serra do Alvão.
Teresa foi lá cumprir a promessa das vinte voltas de joelhos em redor da capela. Com ela foram o irmão, e Bernardo, e parentes e amigos deste, entre os quais estava um padre.
A moça deu as vinte voltas. Posto que robusta, às dezoito bateu com a face no lajedo do adro. Quis erguê-la Bernardo; mas ela continuou, quase a rojo, afincando já os cotovelos na pedra.»
(In Doze casamentos felizes)

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“Faleceu-me ânimo para entrar no teatro de Vila Real, onde mancebos de primoroso engenho, que os há ali para tudo, representavam regularmente. Aquele teatro era de minha família; nunca teria nascido, se eu não tivesse escrito um mau drama, que dediquei a meu tio. Mas que ambiente de mil aromas eu respirava naqueles meus vinte anos! Como as paixões de então me desabrochavam lindas e imaculadas! O que eu via, e esperava dos homens e de Deus!
Na primeira noite da récita, recordo-me eu que fiquei ouvindo de minha tia a história de meu avô assassinado, de meu tio morto no degredo, de meu pai levado pela demência a uma congestão cerebral.”
(In Memórias do Cárcere)


O teatro de Vila Real onde, em 1846, foi representada Agostinho de Ceuta, a primeira peça de teatro de Camilo. O edifício já não existe.

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Vivi por agras montanhas
onde a torva natureza
não tem galas nem poesia;
onde é triste a Primavera,
sem aromas nem verdores;
onde o sol calcina a rocha
e não deixa ao prado flores;
onde o Inverno se contorce
em vulcões de ventania,
e, ruindo sobre a espalda
daquelas serras cinzentas
onde a custo alveja o dia,
com bramido pavoroso,
génio infernal das tormentas.
Dei uns longes de agonia
da terra ao nada volvida.
E vim das margens do Tejo
na aurora da minha vida
desterrado para ali.
(In Um Livro)

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«O juiz de fora empenhara os seus amigos na transferência, e conseguiu mais do que ambicionava: foi nomeado provedor para Lamego. Rita Preciosa deixou saudades em Vila Real, e duradoura memória da sua soberba, formosura e graças de espírito. O marido também deixou anedotas que ainda agora se repetem. Duas contarei somente para não enfadar. Acontecera um lavrador mandar-lhe o presente duma vitela, e mandar com ela a vaca, para se não desgarrar a filha. Domingos Botelho mandou recolher à loja a vitela e a vaca, dizendo que quem dava a filha dava a mãe.

Outra vez, deu-se o caso de lhe mandarem um presente de pastéis em rica salva de prata. O juiz de fora repartiu os pastéis pelos meninos, e mandou guardar a salva, dizendo que receberia como escárnio um presente de doces, que valiam dez patacões, sendo que naturalmente os pastéis tinham vindo como ornato da bandeja. E assim é que, ainda hoje, em Vila real, quando se dá um caso análogo de ficar alguém com o conteúdo e continente, diz a gente da terra: “Aquele é como o doutor Brocas”.»
(In Amor de Perdição)

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Entre 1984 e 1990 realizaram-se todos os anos, em Vila Real, as Jornadas Camilianas, precedidas, em 1983, de um Junho Cultural que já prestava a Camilo uma atenção especial, prenunciando as Jornadas, e seguidas de uns Passos de Camilo, em 1991, que coroaram o ciclo.
Foram organizadas conjuntamente pelos Serviços Municipais de a Cultura e Círculo de Estudos Camilianos (coordenados por António Manuel Pires Cabral, sendo na altura presidente da Câmara o Dr. O Armando Moreira) e pela Região de Turismo da Serra do Marão (à época presidida por Elísio Amaral Neves), que algumas vezes agregaram a si o Arquivo Distrital de Vila Real (dirigido por Manuel Silva Gonçalves) e asseguraram a colaboração da Câmara Municipal de Ribeira de Pena (com relevo para a acção de João Leite Gomes e Francisco Botelho). Foi um bloco de nove acções, portanto, em que cada qual rivalizou em interesse com a anterior. Diversos números da Revista Tellus arquivaram os textos das comunicações produzidas e constituem hoje uma referência bibliográfica camiliana fundamental.
As Jornadas Camilianas foram, no seu conjunto, um dos e acontecimentos culturais mais importantes jamais realizados em Vila Real e, atrevemo-nos a dizer, no País. A elas se deve um reacender do interesse pela figura do nosso primeiro romancista, cujo estudo potenciou. Deixaram memória indelével entre aqueles que algum dia nelas participaram, não só pela profundidade das teses nelas defendidas, como pela qualidade dos participantes (quer dentro quer fora da esfera universitária), pela variedade das abordagens, não esquecendo a sua criatividade (bem documentada no material publicado neste caderno), a sua irreverência e os imorredouros laços de amizade e camaradagem criados entre as pessoas que nelas participaram.
De algum modo, foi esta combinação entre peso científico e abordagem lúdica que as tornou únicas e irrepetíveis. No intervalo entre as sessões de trabalho, havia sempre algum momento de descontracção e humor, sempre referido a Camilo e por vezes agarrado à actualidade, como o desvio do autocarro (referência actual) pela quadrilha de Luís Meirinho (referência camiliana) ou a rapto pelas Brigadas JL (referência actual) do (imaginário) camiliano romeno, Prof. Calistrat Radulescu.
De tudo isso – do sério e do jocoso – falam eloquentemente as imagens que se arquivam (admitindo poder faltar uma ou outra da mais de uma centena de publicações produzidas), para memória futura, nas páginas [destes Cadernos Culturais da Câmara Municipal de Vila Real].
Pires Cabral

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