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Posts Tagged ‘Vilarinho da Samardã’

Carolina Rita Botelho Castelo Branco, irmã de Camilo, casa com o médico Francisco José de Azevedo.

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«Nesta Samardã passei eu os descuidos e as alegrias da infância, na companhia da minha irmã, que ali casou, e aquele padre António de Azevedo, alma de Deus, missionário fervoroso, que me podia ensinar tanto latim, tanta virtude, e só me ensinou princípios de cantochão, os quais me serviam de muito para as acertadas apreciações que eu fiz depois das primas-donas. Bem se via que eu tinha a prenda. Aquele santo homem ignora que eu escrevo novelas, nem cuida que a humanidade gaste o seu dinheiro e tempo a ler histórias estranhas à salvação.»

(In Memórias do cárcere)

 

 

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Carolina Rita

5 de outubro de 1839, Carolina Rita, irmã de Camilo, casa-se com Francisco José de Azevedo. Camilo acompanha a irmã e passam a residir em Vilarinho da Samardã, um “torrão agro e triste” de Trás-os-Montes.

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«Logo adiante estava o presbitério. O sino deu as nove badaladas das Trindades. Pareceu-me ouvir padre António dizer em voz soturna as palavras que lhe ouvira proferir, com as mãos postas, durante dois anos, àquela hora. O anjo de Senhor anunciou. Maria concebeu por obra e graça do Espirito Santo… Cuidei que o via e ouvia. Era ele a esperar-me. Em pessoa ou em memória aqui me encontrareis em qualquer tempo. Lá estava. Fui ao quarto onde dormíamos. Toquei em alguns dos seus livros. Sentia nas mãos a frialdade dum crânio. Meu sobrinho mostrou-me uma Arte da Língua Francesa em que eu, aos quinze anos, escrevera não sei que parvoiçadas sentenciosas. Sentia-me oprimido, doente, arrependido de ali vir levantar os fantasmas de uma numerosa família morta. Noite cerrada, saí de Vilarinho; e ao passar, de novo, rente com o presbitério, ouvia-se o estridular das cigarras, e o frémito dos morcegos que se esvoaçavam à volta do campanário.»
(In Serões de S. Miguel de Ceide)

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É que sinto a nostalgia daquela povoaçãozinha, há muitos anos – uma saudade inveterada como a reminiscência dum primeiro amor, e único feliz. Na minha mocidade, nada mais vejo. Não nasci lá; mas aí foi que me alvoreceu o arrebol do entendimento, a ânsia de trasladar ao papel o dilúculo dessa alvorada; foi ali que fiz os meus primeiros versos… versos, meu Deus! não – a primeira página da minha biografia de lágrimas.

A aldeia chama-se VILARINHO DA SAMARDÃ. Demora em Trás-os-Montes, na comarca de Vila Real, sobranceira ao rio Córrego, no desfiladeiro de uma serra sulcada de barrocais.
(In Serões de S. Miguel de Ceide)

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