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Posts Tagged ‘Visita’

«Foi há treze anos, em uma tarde calmosa de agosto, neste mesmo escritório, e naquele canapé, que o cego de Landim esteve sentado. São inolvidáveis as feições do homem. Tinha cinquenta e cinco anos, rijos como raros homem de vida contrariada se gabam aos quarenta.»
(In O cego de Landim)

 

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Através da visualização do filme “A Princesa e a ervilha”, do realizador Jorgen Lerdam,
explica-se às crianças o que é um museu, uma casa museu e como nos devemos comportar.
Para que possamos visitar, conhecer e respeitar os espaços museológicos.

 

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O Centro de Formação da Escola Júlio Brandão de Vila Nova de Famalicão, em boa hora, promoveu uma acção de formação (25 horas) destinada a professores de línguas do ensino básico e secundário sobre a obra de Camilo Castelo Branco, que, a despeito de se ver, lamentavelmente, arredado dos programas escolares, continua a ser tido como um autor fundamental, sobretudo para a formação literária e linguística dos professores dessa área. E como visitar a obra de Camilo implica visitar a vida (basta pensar no conto “Aquela Casa Triste”, em que, a dada altura, o autor abre um parêntesis na acção para recordar a visita de Castilho a Ceide), o grupo de formação, constituído por vinte e um elementos, não podia deixar de visitar aquele que, além da obra, permanece como o maior testemunho da vida do romancista – a Casa-Museu de Camilo, em São Miguel de Ceide, recentemente galardoada com o prémio de melhor museu nacional em 2006. Embora já todos a conhecessem, o contexto da formação deu à visita um renovado interesse suplementar, sobretudo com a competente e agradável colaboração do Sr. Reinaldo Ferreira e com a leitura de alguns textos, que fazem reviver com maior intensidade os recantos e os objectos da casa.
Logo à entrada, o velho pilar, a “pedra” comemorativa da referida visita da gente de letras ao primeiro romancista português, parece perder o frio granítico, quando são lidas as páginas de “Aquela Casa Triste”. A “acácia do Jorge” parece de novo “inflorar”, espalhando sombras, quando lemos os versos do pai dedicados ao filho louco. O relógio de caixa alta, na sala principal, torna-se mais real ao relermos a célebre descrição a abrir o Eusébio Macário. A cozinha anima-se da faina doméstica, quando lemos a carta de Camilo a Manuel Negrão: «Cá estão os ricos lagumes. Ana Plácido, logo que elas chegaram, as batatas, mandou arranjar para ela uma porção, e deita bródio esta noite. Aconselhei-lhe que os acompanhasse com o azeite de Mosteirô». E no mítico escritório, vemos Camilo, à banca de trabalho, rodeado dos seus fantasmas, segundo o célebre texto das Noites de Insónia: «Venho então sentar-me a esta banca, dou formas dramáticas ao diálogo dos meus fantasmas, e convenço-me de que pertenço bem aos vivos, ao meu século, ao balcão social, à indústria, mandando vender a Ernesto Chardron as minhas insónias.»
Já no Centro de Estudos Camilianos, esta jornada camiliana do dia 27 de Junho ficou ainda mais enriquecida com o visionamento do documentário “Camilo e Outras Vozes”. Agradecemos ao Centro de Estudos Camilianos e, em particular, ao Dr. José Manuel Oliveira, toda a colaboração nesta actividade, que certamente constituirá mais um estímulo para manter vivo o interesse por Camilo, e para transmitir às gerações mais novas o tesouro literário e linguístico da sua obra.
João Paulo Braga

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Não é só ler até adormecer na poltrona, há também que visitar os lugares literários, escreveu um dia o grande contista do Douro, João de Araújo Correia, que foi também grande camilianista. Por isso lá fui a Seide, onde há anos não ia. A casa tem agora como complemento o centro cultural projectado pelo arquitecto Siza Vieira, do outro lado da estrada, de que destaco a perfeita implantação e o excelente auditório. Pena é que não tenha sido possível fazer uma ligação subterrânea entra as duas casas, até porque a via que as separa tem um trânsito intenso. O moderno não afecta o antigo. O que a ambos afecta é o mar de casas de um mau gosto atroz, que se alonga ao longo das vias, como praga imparável, devoradora das ramadas e dos «pinhais gementes», que são agora pequenas ilhas no mar de pedra e cal.
A casa de Camilo encontra-se em primoroso estado de conservação. Logo à entrada o monumento-obelisco mandado erigir por Ana Plácido em honra de Castilho e dos seus discípulos: Tomás Ribeiro, Vieira de Castro, Eugénio de Castilho e Camilo. Eça e Ramalho Ortigão também vieram a Seide prestar homenagem ao Mestre, não se sabe bem em que data, mas não tinham alcançado ainda, por essa altura, o estrelato das letras. Também se sabe que Camilo ofereceu mel a Eça, que logo fez uma boutade, ao declarar que julgava que o mel só existia na literatura!… Ramalho aproveitou o episódio para escrever que Eça era por essa altura muito ignorante das coisas da Natureza…Não nos espantemos. Também João Gaspar Simões, o grande biógrafo do autor d’Os Maias, escreveu o mesmo, só porque lhe apanhou ao amigo esta estranha expressão: «plantar saladas». Imagine-se! Como se não fosse possível «plantar saladas»! O que o grande biógrafo de Eça de todo ignorava, é que salada é sinónimo de alface (qualquer dicionário o averba) e que, por esse motivo, a expressão é absolutamente correcta!…Também ignorava a enormíssima riqueza das referências de Eça às coisas do mundo vegetal…
Voltemos todavia à Casa de Camilo. Tínhamos já referido o monumento a Castilho. Avancemos em direcção à casa. À nossa esquerda, ainda, fica o mirante de Ana Plácido, a dar para o caminho, onde ela, ao que consta, em conversa com as gentes da região deve ter tido conhecimento de muita historieta que decerto terá transmitido a Camilo. Depois a casa, de onde sobressai a acácia de Jorge que nos faz lembrar o poema onde Camilo pede que o chamem quando essa árvore florir…
A «casa assombrada» de Seide nada tem de lúgubre, tão airosa e asseada se nos apresenta, no seu feitio típico do Minho rural. E no entanto, quantos dramas não presenciou, dos actos de loucura de Jorge ao suicídio de Camilo! Do seu mobiliário, o mais evocador será porventura a secretária de dupla face, de amplas proporções, que ocupa a sala onde permanecem cerca de 800 livros que pertenceram à sua biblioteca. Depois as conhecidas imagens de Ana Plácido que, já idosa, se parece, muito curiosamente, com Ana de Castro Osório, a namorada de Camilo Pessanha. Outros retratos vão surgindo, por exemplo, os destes casais: Vieira de Castro e Carolina, José Augusto e Fanny Owen, Nuno e Isabel. Todas eles imagens de tragédia…e das grandes! A jarra que esteve no túmulo de Vieira de Castro, em Luanda, ocupa agora uma vitrina da cave. Também lá está um pequeno revólver, mas não o de Camilo, que permanece na Irmandade da Lapa, no Porto, que também possui o seu tinteiro de dois depósitos. O revólver autêntico é mais pequeno e mais tosco. O seu cano andará à volta dos 3 cm. De baixo calibre, é a arma típica dos suicidas pobres, que a compram por dez réis de mel coado, sem se lembrarem que tais armas, sem capacidade para estourarem de vez com a mioleira, podem infligir terríveis, prolongadas agonias! Assim é que Camilo, tendo desfechado um tiro sobre o parietal direito, só veio a morrer uma hora e quarenta e cinco minutos depois, sem que tenha proferido uma só palavra.
Já de saída, no portal, acode-nos à mente o hilariante caso da compra de um burro, por receita médica, que Camilo pediu ao seu amigo Neves e Melo, de Coimbra. A carta em que acusa a sua recepção assim reza: «Cá está o onagro. Não o posso ver, porque estou de cama com reumatismo; mas ouço-o roncar violentamente. Desde Famalicão até aqui, não obstante ter passado mal a noite, revelou fúrias lascivas, donjuanescas, a cada fêmea que encontrava. Logo que chegou, investiu para dois garranos que tenho. O diabo tem dentro dele o que quer que seja do M. de V. Parece mesmo um cristão! Meu filho Nuno veio dizer-me à cama que não consentia que eu o montasse (o burro), enquanto lhe durasse a crise erótica. Assim farei, para não ser vítima de paixões, que me escangalharam a mim, sem ser de todo burro.» […]
Evoco também, por fim, a irrequietude do autor d’O Esqueleto, que não parava em parte nenhuma, mas que nesta casa teve, apesar de tudo, durante 25 anos, a felicidade possível, e não pequena, – não obstante todos os seus queixumes, – aquela que é dada aos grandes criadores: o prazer da criação e a consciência de deixarem para a posteridade algo de imperecível.
A. Campos Matos

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No âmbito da sua deslocação às Regiões do Vale do Ave, do Vale do Sousa e do Vale do Tâmega, o Presidente da República, Cavaco Silva, visitou, no passado dia 18 de Julho, as instalações do Centro de Estudos Camilianos, em São Miguel de Seide, onde realizou uma reunião de trabalho com representantes das associações empresariais da região, no final de uma jornada em que se encontrou com autarcas, dirigentes sindicais, académicos e investigadores que estudaram a situação social e económica nestas Regiões.
Ao percorrer as diversas valências estruturais do Centro de Estudos Camilianos, o Presidente da República inteirou-se dos diversos projectos didácticos, pedagógicos e científicos do complexo museológico de Seide, e felicitou o Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Armindo Costa, pela excelência das instalações e qualidade da programação, e expressou a sua “imensa satisfação pelo trabalho extraordinário de preservação do espólio de Camilo Castelo Branco que tem lugar em Vila Nova de Famalicão.”
Por sua vez, Maria Cavaco Silva, que visitou os diferentes espaços do Museu de Camilo e do Centro de Estudos, mostrou-se também muito agradada “com o estado de conservação da residência do escritor e a maneira tão cuidada como o acervo exposto se apresenta a quem a visita” e congratulou-se vivamente com “as condições criadas pelo Município de Vila Nova de Famalicão para a divulgação da vida e da obra de um dos mais importantes escritores da nossa Língua.”
Casa de Camilo

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O dia 19 de Junho de 2008 ficou assinalado na vida da Universidade Sénior de Vila Real (USVR) com mais uma visita de estudo à Casa-Museu de Camilo Castelo Branco, em S. Miguel de Seide, e desta vez também ao Centro de Estudos Camilianos, instalado numa construção moderna e linda, com a marca inconfundível de Siza Vieira.
Esta visita ficou a dever-se ao interesse cultural do Prof. de Literatura Portuguesa da USVR, Henrique Morgado, e a todo o apoio franco e aberto de Maria Emília Campos, Presidente da Direcção da USVR/Centro Cultural de Vila Real.
O autocarro partiu da capital transmontana com cerca de 40 pessoas, rumo a terras de Vila Nova de Famalicão, seguindo pela A 24. Por alturas de Vilarinho de Samardã, Henrique Morgado, na sua voz bem marcada, brindou os passageiros com a declaração romântica de Camilo Castelo Branco de que ali tinha passado os dias mais felizes da sua mocidade!
Seguiu-se uma alusão ao “Fojo do Lobo”, e a viagem prosseguiu alegre, num maravilhoso dia de sol com temperatura amena, de fim de primavera. Por alturas de Ribeira de Pena, foi recordada mais uma cena da vida de Camilo, em terras de Friume, com a triste lembrança da morte da sua primeira mulher.
Um pouco antes das dez horas, o autocarro entrou em Seide. Após um primeiro contacto com a Casa de Camilo, o grupo foi aconselhado a iniciar a visita pelo Centro de Estudos Camilianos, onde fomos recebidos pelo Dr. José Manuel Oliveira, que nos acompanhou ao confortável auditório, onde fez algumas referências às instalações e à vida e obra de Camilo, anunciando a projecção de um DVD, com a duração de cinquenta minutos, que foi vista a seguir.
Este edifício moderno, de excelente condições acústicas, foi o espaço nobre onde nos foi apresentada uma obra de excelente imagem, som e sequência interpretativa, enriquecedora para todos aqueles que, de algum modo, são curiosos admiradores ou estudiosos profundos da vida e obra de Camilo Castelo Branco.
O grupo teve oportunidade de ouvir os depoimentos sábios de Aníbal Pinto de Castro, Director da Casa, bem como de outros Professores, Escritores e Dramaturgos de elevada craveira cultural, todos eles profundos camilianistas, tais como João Bigotte Chorão, Eugénio Lisboa, A. M. Pires Cabral, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Magno, Luís Francisco Rebelo, Mário Cláudio, Maria de Lourdes Ferraz e outros, que nos falaram da vida de Camilo, desde 1825 a 1890. Destacámos que foi com respeitoso orgulho que escutámos o grande Escritor, Poeta e Dramaturgo Trasmontano A. M. Pires Cabral nas suas referências a cenas camilianas em Vilarinho da Samardã e em Vila Real (“Olhos de Boi”), e não só! É que, além do mais, encontrava-se no grupo Alda Cabral, esposa do famoso e respeitado Homem de Letras, que o escutou religiosamente encantada!
Seguiu-se a visita à Casa-Museu de Camilo, onde fomos recebidos pelo Senhor Reinaldo Ferreira, que se revelou em excelente guia do museu. Recebeu-nos no jardim, onde nos mostrou a “Acácia do Jorge”, e nos falou com profundo conhecimento da obra do Escritor. Dentro da casa, tudo foi visitado em pormenor, e nem sequer faltou a casa de banho e a sanita “via rápida”! Estiveram presentes inúmeras citações camilianas e as notas à margem das obras do seu espólio. Lá está a cadeira onde Camilo se suicidou, o quarto separado do de Ana Plácido e a mesa de trabalho que teria sido comum aos dois. Tudo recordações do escritor romântico que também passou pela Cadeia da Relação do Porto, onde escreveu três livros, sendo um deles “Amor de Perdição”, nos 15 dias mais difíceis da sua vida.
É que, para Camilo, o acto de escrever era simultaneamente a grilheta e a libertação!
Teixeira Lage

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