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Posts Tagged ‘Vocação’

 

«Camilo Castelo Branco é, sem dúvida, um dos vultos mais singulares da nossa galeria romântica. Tornou-se mesmo a personagem romântica típica, modelo sugestivo das loucuras e desgraças desse período.

Atingido pelos mais duros golpes que podem agitar e ferir um coração de homem; lançado em luta impiedosa contra um destino adverso; vítima do seu desequilíbrio, que nunca lhe permitiu instalar-se num bem-estar duradoiro; abalado por um temperamento sem freios, que exigia sempre novas sensações, novas dores, novos combates – a vocação literária presidiu sempre, no entanto, aos seus tumultos íntimos e pode até dizer-se que deles se alimentou. A sua obra, de facto, modela-se num sofrimento vivido, saboreado, transformado em expressão verbal. Menos infeliz – talvez Camilo não tivesse sido o escritor de génio que fulgura, com estranho prestígio, no olimpo do nosso romantismo.»

 João Ameal

 

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– Mas não há outro recurso contra a fome senão pedir esmola?
– Ou roubar.
– E o trabalho?
– Ah! Sim… Não me lembrava o trabalho… mas que trabalho? Eu não sirvo para nada, não tenho força nem vocação.
– Adquire-a, Luís. Tu não me conheceste em outro tempo? Imagina alguém, há oito anos, que eu viria s ser um amanuense de advogado, e mais tarde um negociante de curtumes? Eu tive fome, Luís. Deitei-me algumas vezes em jejum, e levantei-me sem a certeza do almoço. Não pedi esmola, pedi trabalho. Olha as minhas mãos… não vês estas durezas? Estão calejadas, mas nunca senti aqui o contacto de uma moeda de cobre como esmola. Trabalha Luís.
(In A neta do Arcediago)

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