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Espírito e graça

«Em volta da riqueza, da formosura, e de um nome distinto costumam reunir-se muitos amigos… ou, pelo menos, muitos que o parecem…»
(In O bem e o mal)

Pensamento da semana

«Agora, em suma, que o viver sem gozar é um triste, se não estúpido, prelúdio de morte…»
(In Amor de salvação)

Férias

“Se eu sou como filho desta casa, e não tenho outra família, para onde hei-de eu vir a não ser para aqui? Já nas férias do Natal cá me tem para a consoada; depois torno nas férias de Páscoa, e as férias grandes, três meses, cá os venho passar. Já vê, prima – disse ele, a sorrir – que, por mais que façam, não se podem ver livres do seu eterno hóspede.”
(In Serões de São Miguel de Seide)

Pensamento da semana

«Não há corações gastos quando a comoção é nobre.»
(In Mistérios de Lisboa)

Bruno Vieira Amaral recebe Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco na próxima segunda-feira, em Seide.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, e o presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE), José Manuel Mendes, entregam na próxima segunda-feira, 26 de julho, pelas 17h00, no Centro de Estudos Camilianos, em Seide, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco ao escritor Bruno Vieira Amaral pela obra “Uma ida ao Motel e outras histórias”.

O galardão literário, com um prémio pecuniário de 7.500 euros é organizado pela APE em parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. Nesta edição teve como júri os professores, investigadores e escritores Annabela Rita, António Carlos Cortez e Cândido Martins, que decidiram unanimemente o nome do vencedor.

“Considerando as candidaturas a concurso, o volume de trinta contos de Bruno Vieira Amaral destaca-se da restante produção recebida por este júri, na medida em que congrega uma apurada técnica narrativa com uma imaginação de universos de linguagem e de personagens que, saídos do real quotidiano e urbano, moldam uma visão do mundo que é a um tempo realista e irónica, e não raro, trágica…”, lê-se na ata do júri sobre o livro publicado pela Quetzal.

O Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, instituído em 1991, pela APE, patrocinado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, destina-se a galardoar anualmente uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de país africano de expressão portuguesa, publicada em livro, em primeira edição, no decurso do ano anterior à atribuição (neste caso, 2020).

Nascido em 1978, Bruno Vieira Amaral, formado em História Moderna e Contemporânea pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, é escritor, crítico literário, tradutor, e autor do blogue “Circo da Lama”.

Colaborou no Diário de Notícias Jovem, revista Atlântico, jornal i e no Observador, e atualmente é editor-adjunto da Revista Ler, cronista do Expresso e da revista GQ.

O seu primeiro romance, “As Primeiras Coisas”, publicado em 2013, foi considerado livro do ano para a Revista Time Out (ano em que o autor recebeu o Prémio Novos por se destacar na literatura), e foi distinguido com o Prémio PEN CLUBE Narrativa, Prémio Literário Fernando Namora e Prémio Literário José Saramago 2015, segundo a nota biográfica divulgada pela APE.

Em 2017, publicou o seu segundo romance, “Hoje Estarás Comigo no Paraíso”, que nesse mesmo ano foi distinguido com o Prémio Tábula Rasa para melhor obra de ficção e que, em 2018, arrecadou o 2.º lugar do prémio Oceanos, antigo prémio PT de Literatura.

Bruno Vieira Amaral publicou ainda o “Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa” (pela editora Guerra e Paz, 2013), “Aleluia!” (FFMS, 2015), um livro de não-ficção sobre minorias religiosas em Portugal, “Manobras de Guerrilha” (Quetzal, 2018), coletânea de textos dispersos, e “Uma Viagem pelo Barreiro” (CMB, 2018). Prepara atualmente uma biografia do escritor José Cardoso Pires, que deverá sair no final de 2019.

Nas 29 edições do galardão foram distinguidos os escritores Mário de Carvalho, Teresa Veiga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Miguel Miranda, Luísa Costa Gomes, José Jorge Letria, José Eduardo Agualusa, José Viale Moutinho, António Mega Ferreira, Teolinda Gersão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel Jorge Marmelo, Paulo Kellerman, Gonçalo M. Tavares, Ondjaki, Afonso Cruz, A.M. Pires Cabral, Eduardo Palaio, Hélia Correia, Ana Margarida de Carvalho, Francisco Duarte Mangas e Bruno Vieira Amaral.

Vila Nova de Famalicão, 22 de julho de 2021

«O bombo, que começou a morrer desde que por escárnio o crismaram em Zé-Pereira, é já raro ouvir-se nas alvoradas de verão festejando os mordomos das festas, e rolando ao longe os rufos das suas caixas nas quebradas sonorosas dos montes. Isto fazia uma alegria incomparável; chamava os corações que estremeciam alvoroçados, havia muito amor naqueles dias de festa, as moças saltavam dos combros aos caminhos suspensas na roda das saias; os rapazes esperavam-na zangarreando nos cavaquinhos, e lá iam de rancho, num saracoteio de nalgas tão inocente como as estátuas nuas, e com mais alguma sensibilidade que elas, quando as beliscavam nas polpas.
Polpas, inocência, bombo, cavaquinho, tudo passou.»
(In Ecos humorísticos do Minho)

Pensamento da semana

«Quando não se crê, é que mais se ama.»
(In Memórias de Guilherme do Amaral)

A iniciativa tem como objetivos principais fomentar o gosto pela leitura dos textos de Camilo Castelo Branco e proporcionar a partilha de abordagens e de interpretações da prosa do romancista de São Miguel de Seide.

«Em um daqueles seus dias de muita desconsolação, Guilherme do Amaral levantou o rosto de sobre as palmas das mãos, que assentavam no mármore de uma jardineira, contemplou as estantes dos seus livros, e disse mentalmente:
– De que serve aquilo?!»
 (In Três médicos, Cenas inocentes da comédia humana)

Download do PDF “Três médicos”
http://www.camilocastelobranco.org/doc.php?co=73
Formador: João Paulo Braga
A sessão realizar-se-á na plataforma Zoom
Inscrição para o endereço eletrónico: geral@camilocastelobranco.org

Pensamento da semana

«A mulher de que se foge é a mulher que se procura.»
(In Um homem de brios)

Espírito e graça

«As romarias desta região mais idólatra da Europa vão decaindo. Anos de pouco vinho, por via da regra, são anos de pouca devoção. As almas enchiam-se de fé, ao passo que as pipas se enchiam de ar.»
(In Ecos Humorísticos do Minho)